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Melancolia

por neves, aj, em 06.06.04
Melancolia
... recuando alegremente triste na memória da vida, vinte, trinta e tal anos...
(a Teixeira Dinis, in memorium)

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É Domingo.
Por aqui, por estas bandas di cá, falta um quarto para as nove de uma manhã outonal que acordou bem cinzenta e por aí ainda se darão os últimos retoques num almoço que, por ser domingo, pretende ser bem familiar.Será então a hora propícia de a minha voz fazer a travessia transatlântica, transformando o mar revolto em rio de águas calmas e assim alimentar, com a estabilidade emocional desejada, o amor entre um pai e a razão de sua existência.
No entanto, a mensagem de minha filha fere-me os ouvidos e martela-me o cérebro.
Em centésimos... milésimos... a mente voa e recua. Vinte, trinta, ena pá, aí uns trinta e cinco anos a passar e vejo-me no velhinho Estêvão de Faria, n'os Juniores, nos treinos do Desportivo Santacombadense. Seria, teria de ser, uma terça ou quinta-feira em final de tarde. Não se coloca a questão se fazia sol ou chuva, pois o que interessa para a presente Crónica, retrato da tristeza que me invade, é que antes de rumar ao Pereiro passávamos pela "Oficina do Senhor Fernando das Bicicletas" em atitude apelativa e simultaneamente interrogativa se o treinador, nosso mestre e de mecânica também, já teria dado o "murro final" na teimosa tampa do motor que (antes) sofria de maleita e que já se encontraria apto a carregar com o dono.
Em centésimos, também recordo a minha subida aos Seniores e a conturbada ida para a equipa de S. Joaninho, considerada então por algumas mentes estupidamente saloias como uma traição à terra quando, afinal, de dispensa se tratava. E o engraçado da questão é que passados tantos anos o progresso provou a essas mentes que estavam bem erradas visto que hoje aquela simpática freguesia é parte integrante da nossa cidade de Santa Comba Dão. Mas adiante, o que conta para aqui é que na minha cabeça juvenil de então tal "trauma" nunca chegou a sê-lo, porque, além do mais e para minha felicidade e meu desempenho, tinha o mister Teixeira a meu lado e com ele todo o apoio necessário e imprescindível.
Ao Álbum ainda por ordenar de Fotos acavaladas dentro da inestética, mas sempre preciosa caixa de sapatos, busquei uma. Coloquei-a no canto superior esquerdo do monitor do computador onde escrevo em busca de inspiração, porque a mente está em turbilhão e faz-se tarde ou tenho pressa em chegar ao final não sei. Reconheço, lá atrás, o Zé Gomes compenetrado e escondido nos habituais óculos escuros talvez em busca de inspiração para os golos que não sei se marcou nessa tarde. Dá ideia que o Sol raiava nessa tarde, mas a temperatura não seria tão alta assim tendo em conta os agasalhos que cada um está usando e sabemos nós que lá para as faldas da Serra de Montemuro o frio faz sentir-se com mais intensidade do que cá em baixo pelas margens do Dão. É que quanto ao local onde nós estamos, nós Pinguins em caminhada de descontracção muscular e quiçá mental tenho eu a certeza absoluta e afirmo ainda que é algures em estrada qualquer pertencente ao município de Resende ou ao de Cinfães lá paraa s bandas do Douro. A data é que ficou nos anais do esquecimento, mas penso que deve ser lá pela Primavera de 80, talvez antes... talvez depois.
Em primeiro plano, nos abonecados, distingo o Eurico e o Carlos (de Treixedo). À esquerda do retrato caminha descontraído o Rui Brinca também com os inseparáveis óculos escuros e a seu lado este que vos escreve em verdadeira pose para a posteridade. De barba e calças à boca-de-sino, rio a bom rir certamente contagiado pelo aberto sorriso da figura central, o nosso Teixeira.
Ordenei, assim, à minha mente que guarde para sempre este quadro. Que grave esta imagem do homem sorridente,alegre e sempre bem-disposto que tive sorte em conhecer, com quem aprendi e tanto convivi e se me perguntarem a razão por tornar pública esta singela homenagem ao Teixeira Dinis direi eu apenas que há razões que a razão desconhece.
Tanto que fica por dizer, mas... um homem também chora, não?
Por aqui me fico com,inevitavelmente, uma lágrima derramada por si amigo Teixeira.

São Paulo, 30/05/2004

MELANCOLIA (AINDA)                      MELANCOLIA (MAIS AINDA)

 

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publicado às 08:29




  


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