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Retrospectiva

por neves, aj, em 09.06.04
Redigido em Janeiro 2003

Retrospectiva

...definal ou de início de ano como queiram e (ainda) com um cheirinho a Natal.
Énotório. De tão amada quanto desejada, a Natividade será a festa maiscelebrada no mundo cristão a que ninguém consegue ficar insensível. Nestaquadra todo o homem (incluindo os poderosos e os influentes) apregoa a Paz e oAmor... a Fraternidade e a Solidariedade.
Ébonito de ouvir, mas todos desconfiamos de vocábulos tão sublimes na boca dosditos. Sabemos perfeitamente que essas palavras não passam disso mesmo: depalavras... palavras de circunstância. São vãs. Quem “conduz” o mundonada faz e (pior) até fomenta o que constatamos no dia-a-dia: um crescendo deegoísmo e ódios com as tensões inter-raciais a aumentarem e a ameaça deconflitos armados cada vez mais a tomar forma bem real. E nos pontos mais sensíveise mais dolorosos do nosso planeta (à espera do desenvolvimento prometido) afome, a doença e a injustiça social continuam a alastrar.
Mas,nem “todo o mundo” pensa do mesmo modo. Todo o homem de boa vontadedegusta a alegria e sensibilização que esta quadra natalícia transmite e semais não pode fazer... escreve.
Seja aqui ou naqueloutro lugar da Terra, desta ou daqueloutra forma.
Distante do meu habitat, este Natal foi para mim bem diferente. Não, nãose conclua que à Ceia faltou o bacalhau pescado e salgado pelas mãos lusitanasou que as castanhas de Bragança não marcaram presença. Nem as nozes e aspassas faltaram... só o Bolo-Rei é que foi substituído pelo Panetone.

Foidiferente, repito, mas também não se pense que me alheei do que (de errado) sepassa no Mundo ou que fiquei cego com a luminosidade irradiada da gigantesca Árvorede Natal, “construída” no enorme Parque do Ibirapuera na zonasul da cidade de S. Paulo. O que nela me impressionou e me fez sentir estranho em terraestranha foi a ausência da (habitual) auréola de neblina a envolver cada umadas mais de novecentas mil lâmpadas distribuídas pelos seus cinquenta metrosde altura. Remeti-me aos (meus) botões e sorri ao constatar que estava emcamiseta. A noite já tinha chegado e o calor ainda se fazia sentir. E numrepente o vento elevou-se e grossas e repentinas gotas de água abateram-se sobre mim, sobre todos que deslumbravam o soberbo cenário.Mas, tão momentânea como veio, a chuva tropical assim se foi. Oh, estranhoNatal o meu, este ano sem frio nem neblina...
Mascom Paz e Amor, tal como o vosso, espero.
Neste primeiro dia do ano recém-chegado, busco no portefólio onde guardo osrecortes do que até agora escrevi para o Defesa e verifico que existe atendência de nos tornarmos cíclicos no final de cada ano. Faz-se aretrospectiva do ano que finda e deseja-se um Ano-Novo sem guerra, semfome, et cetera...

Pazna Terra aos Homens de Boa Vontade...tretas!
Nãodesejo ser repetitivo, mas não me escuso a escrever que já não nos bastava a(eterna?) luta fratricida Palestina versus Israel sem solução à vista e aítemos os senhores da guerra a preparar as nossas mentes para a versão dois da célebreguerra na zona do Golfo Pérsico, entenda-se Iraque, cuja primeira parte tivemoso “prazer” de televisionar em directo há uma década atrás. E (ainda) nãosatisfeitos avisam a navegação de que estão preparados e prontos para mais.Que aguentam perfeitamente duas frentes, li eu. Os “outros”, osnorte-coreanos, lá no Oriente (palco sujo e ensanguentado de antigas guerrasmortíferas, longas e desnecessárias quanto baste) dizem-se ameaçados eafirmam que vão reiniciar o fabrico de armas nucleares.. Estaremos de regressoà velha “guerra fria” ou vamos “entrar a matar” no novo ano?
Uma de outras “guerras” que me confunde e que vamos carregar para 2003 é oda clonagem. De maneira alguma sou avesso ao progresso da ciência, mas temo como seu “avanço” desmesurado e com o possível aproveitamento político. Nadaterei contra a clonagem desde que o objectivo único seja melhorar a qualidadede vida dos seres humanos gerados normalmente, nomeadamente a obtençãode órgãos para futuros transplantes. Mas... produzir “seres” por meiosassexuados contrariando o ciclo normal da Natureza? É aberrante!
(Não venham os defensores da clonagem ou mesmo os avessos ao progressoconfrontar-me com a fecundação in vitro. Nesta, apenas não háintervenção sexual directa ou cópula. Continua a ser uma forma de reproduçãosexuada proporcionando a união de dois gâmetas distintos, um masculino e outrofeminino, embora fora do ventre materno. Ela não contraria a Natureza na suaessência, só dá uma pequena ajuda em casos anómalos em que a fecundação setorna difícil ou até impossível.)
E, afinal, que afinidade teria comigo o meu imaginável clone? Seria meu filho?Meu irmão gémeo? A minha cópia fiel? Mais nova ou mais velha do que eu? E oclone do meu clone?
Os temores assaltam-me ao pensar se tal arma, a da clonagem, estivesse aoalcance do psicopata nazi que pretendeu possuir o mundo há apenas (note-se)sessenta anos. Quem seria eu? O meu “fabricante” destinar-me-ia ao clã dos Einsteinsou ao dos broncos? Parece ficção é verdade, mas não me admira que certasmentes belicistas, entusiastas dos jogos de guerra, já se imaginem com exércitosde clones enxertados nas mais reles das cepas prontos a enfrentarem os filhosdilectos da Natureza. Que o mundo se cuide. Que jamais embarque na onda doelixir da juventude...

Mas,noutras zonas do planeta não se fala (agora) em desventuras. Fala-se em esperança.E acredita-se. Em justa homenagem às gentes da nação onde presentemente meencontro elevo a voz afirmando que este povo leva para 2003 a fé na construçãode um novo e próspero Brasil. A Esperança venceu o medo... foi a frasemais repetida no discurso da tomada de posse do Presidente-Operário que colocoucomo medida primordial e imediata, a erradicação da fome na mesa do povobrasileiro e em especial do que reside no árido interior nordestino que ele tãobem conhece.
Como foi diferente aquela tomada de posse. Das que eu tinha conhecimento e detodas as anteriores neste país. Houve quebras, tanto no protocolo (como se“impunha”, talvez) como também no esquema de segurança, nomeadamente nocontacto pessoal entre o presidente Lula da Silva e o povão que oelegeu. Jamais os meus olhos haviam testemunhado tão gigantesca manifestaçãode apoio e carinho popular (mais de cem mil pessoas) a um verdadeiro líder cujoprimeiro diploma recebido, como teve o cuidado de frisar, foi o de Presidente daRepública Federativa do Brasil..
Quanto a nós, longe e livres de ameaças guerreiras e como povo ordeiro eesperançoso que nos prezamos de ser, acreditamos sempre em melhores dias, numPortugal mais digno e mais justo. Apesar dos últimos “tropeços” querlaborais, desportivos ou sociais...
Quanto aos primeiros, todos sabemos que as greves não beneficiam... nem o própriotrabalhador. Mas é um direito que a Constituição Portuguesa lhe concede naluta por melhores condições de vida. É necessário haver compreensão da(outra) parte da população e empenhamento das entidades governamentais,dialogando, de modo a ultrapassar a crise. No futebol parece que a broncacontinua. Que não haja temor em desmascarar. Chega de bater na mesma tecla: vocêssabem do que estou a falar... e ninguém fala. Diz-se que há. O povo atéacredita que há. Mas ninguém denuncia quem. No que se refere às vicissitudes sociais, não poderia deixar de fazerreferência a essa vergonhosa mancha, perpetrada por gente doentia, que sujouuma instituição de causa tão nobre como a Casa Pia e que até colocou(negativamente) o nosso país nas bocas do mundo. Que não haja contemplações,que o cair da espada não se faça tardar e que rolem as cabeças por maiscoroadas que sejam. É desejo, pois, que o ano de 2003 nos traga mais justiça,iguais oportunidades e que Portugal continue a ser aquela nação respeitada emtoda e qualquer parte do mundo.

Umbom ano para vós!
(Redigido Janeiro 2003)

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publicado às 08:31




  


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