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Eusébio no Maracanã

por neves, aj, em 31.07.04
Eusébioda Silva Ferreira

A Pantera deixa apegada no Maracanã

Ainda numa delusitanidade, Voz do Seven apanha a crista da onda e ergue uma das suas maiores bandeiras: Eusébio.
Nascido na ex-colónia de Moçambique, aPantera Negra não necessita de apresentações. Ainda hoje é considerado omelhor futebolista português de todos os tempos. Homem com tanto talento quantoa sua simplicidade e isento de escândalos na sua carreira, é exemplo a seguir pelos jovens craques. Aestes, Eusébio não se furta a dar conselhos e incute-lhes que mesmo a grandeestrela necessita beber doses de humildade. Chora e ri com o seu Benfica... vibra com a SelecçãoNacional. É Embaixador do Futebol Português e onde quer que vá as objectivasdos fotógrafos e das televisões devoram-no.

Tem sido alvo deinúmeras e merecidas homenagens e a mais recente foi em solo brasileiro. Nada menos que namaravilhosa cidade do Rio de Janeiro cheia de encantos mil, na arena que muitosconsideram como o maior "templo" do futebol: o Estádio Jornalista Mário Filho, que éconhecido mundialmente como Estádio do Maracanã.
À parte o ambiente hollywoodesco, a festa até foi bonita, pá e as plantas dos pés do grandeícone ficaram para todo o sempre gravadas na denominada Calçada da Fama. Foi o primeiro estrangeiro a ter tal distinção e o emocional Eusébio chorou. Empalavras simples recordou Pelé e Garrincha. A imprensa brasileira deu enormedestaque à cerimónia, como já antes o fizera à sua chegada a terras brasileirase presença nas bancadas do Maracanã assistindo ao desafio entre o Fluminense,de Ricardo Gomes e Roger, e o Santos do talentoso Robinho.
Voz do Seven também quer se associar em pequena homenagem e do Ninho das Águiasexpõe imagens e faz também pequeno álbum do campeão. São apenas meia-dúzia de fotos dos tempos áureos do Benfica Europeu e do Portugal de 66 quemarcaram uma geração, afinal a minha. Elas guardam muita História e histórias também...como a da minha sobrevivência às garras (caseiras) do leão.

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publicado às 09:03

A Viagem

por neves, aj, em 30.07.04

a340_TAP.jpg

... o avião começa a rolar pela pista... de início rola suave e lentamente... [vídeo de um A-340 TAP a levantar voo]

O silêncio reina no interior do Venceslau de Moraes.
Com as persianas cerradas e em meia-luz, os seus ocupantes dormitam. Nem tanto por necessidade antes mais como forma de matar o tempo. Já se andou bastante, mas outro tanto ainda falta percorrer e o ponteiro dos minutos terá ainda de passar mais cinco vezes pelo mesmo ponto como me é indicado no ecrã de televisão instalado por cima de mim a pouco mais de um metro de distância. Cinco horas mais.
Antes também eu cochilava, mas fui despertado por ligeira sacudidela da moderna passarola e como sou virgem nestas andanças, tive que fazer um esforço para tomar consciência de que realmente navegava pelos céus. Recordo então que sigo comodamente recostado em assento junto à asa esquerda de um Airbus A-340 da TAP Air Portugal e que corta os ares a uma velocidade de ordem dos oitocentos e tal quilómetros horários.
Refira-se que o
Airbus A-340 é um avião moderno e confortável, possuidor de uma grande autonomia (raio de acção de 13 mil quilómetros) o que lhe permite voos de longo curso sem escala. Com capacidade para 274 passageiros, transporta mais de 130 mil litros de combustível nos seus tanques e voa em cruzeiro entre os 10 e os 12 mil metros de altitude onde enfrenta temperaturas da ordem dos 50 graus centígrados abaixo de zero.
E o destino deste voo, o TP-1575, é a cidade tropical de S. Paulo.

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S. Paulo: enorme metrópole fundada em 1554 (25 de Janeiro) pelo Padre Manuel da Nóbrega da Companhia dos Jesuítas é também a capital do estado com o mesmo nome situado no sudeste dessa imensidão territorial chamada Brasil onde Cabral aportou há pouco mais de 500 anos. Ao pensar no facto de que só o município paulistano possui uma população igual ao somatório dos residentes no meu país, percebo melhor a grandeza dos feitos daqueles que através de obras valerosas sempre disfarçaram, ao longo dos séculos, a "pequenez" de Portugal.

Mas a aventura tinha-se iniciado muito antes, pouco tempo depois de as trombetas dos Anjos terem cessado a sua actuação nas Festas da Cidade de Santa Comba.
O amigo, tantas vezes confidente e conselheiro que me haveria de transportar à capital do país, compareceu pontualmente à hora pré-estabelecida.
O (outro)
fiel amigo, meu companheiro de outras viagens, observava atentamente a cena de emalar dos volumes e eu interrogava-me se o irracionalismo dele lhe permitia compreender a situação. Sem lágrimas, ao afago de despedida correspondeu ele com um frenético abanar de cauda.
Embalada a trouxa era hora de zarpar. Embora não pactuando com crendices, respeitei a superstição que Henrique Gonçalves fala em livro de sua autoria e existente na Biblioteca Municipal da cidade. Em Nas Terras de Grão Pará, aquele notável santacombadense que foi chefe da Secretaria da Câmara Municipal, descreve as suas vivências de jovem ainda imberbe por terras do norte brasileiro, no Estado do Pará, no princípio do século vinte. Relata Henrique Gonçalves que aquando da partida e ao descer pela Via Cova afora fez questão de não olhar para trás, pois era suposto que quem o fizesse quando ia de viagem longa... jamais regressaria.
As radiografias às garrafas de Dão que me acompanhavam não revelaram alfandeguite alguma e enquanto o autocarro cirandava pelas pistas do aeroporto eu interrogava-me sobre qual das aeronaves me sairia em sorte. Passei pela Fernão Mendes Pinto, pela D. Francisco de Almeida, mas foi a Venceslau de Moraes a contemplada.
Desconhecido da grande maioria dos portugueses,
Wenceslau José de Sousa Moraes nasceu em Lisboa em 1854. Oficial da Marinha, foi o primeiro cônsul de Portugal no Japão, na cidade de Kobe. Descontente com a política comercial portuguesa no oriente em que os produtos portugueses eram comercializados através dos ingleses -tempos do Ultimatum Inglês de 1890- demitiu-se de todos os seus cargos, renunciou à pensão de reforma e exilou-se na pequena cidade japonesa de Tukushima. A sua obra versa, principalmente, narrativas autobiográficas e de viagens por países não ocidentais. Foi um autêntico cronista do Oriente, em português. Como jornalista, foi colaborador do jornal Correio da Manhã da altura. Suicidou-se em 1929.

Quando me sentei no banco 20-B junto ao corredor, já depois de ter arrumado a bagagem de mão, tive dificuldade em definir o meu estado de espírito. Contrariamente ao que seria de esperar sentia-me calmo. Demasiado calmo, talvez. Nem "o levantar voo" nem "o aterrar" me assustavam, mesmo tendo em conta que esta viagem aérea iria ser o meu baptismo. Na verdade, o "problema" maior ainda seria aguentar dez horas sem fumigar os pulmões.
Enquanto esperava pela partida coloquei os fones nos auriculares e fui viajando pelos vários canais de som que me eram oferecidos. As quadrículas em branco das palavras que se cruzam iam sendo preenchidas tendo por fundo a música de Madredeus ou de Mozart, mas também vozes de clássicos em inglês ou francês de autores cuja identificação a memória deixou escapar. Era uma forma de matar o tempo, pois a partida tardava... demasiado.
As 10 horas da manhã já lá iam há muito e começava a notar-se uma certa impaciência entre os passageiros. As comissárias de bordo iam tentando amenizar o ambiente, ora pela sua graciosa presença ora através de pedidos de desculpas e lá iam prestando esclarecimentos que eu considerava autêntica treta de entretimento. Finalmente uma hora e onze minutos após a hora prevista, o Wenceslau de Moraes foi rebocado e tomou posição.

-Senhores passageiros é favor colocar os cintos de segurança, informou voz melódica feminina.
E recordo aqueles momentos excitantes que gravei passo a passo.
O avião começa a rolar pela pista e de início rola suave e lentamente, tendo em conta a potência de que dispõe.
Exactamente um minuto depois, acelera.
A loira do 20-A, companheira das próximas dez horas, benze-se e fecha os olhos, mas penso que não deve ser com intenção de dormir. A maioria dos passageiros recosta-se de olhos cerrados. O silêncio na cabina é arrepiante. Só se ouvem os roncos da potente máquina. Observo e anoto tudo o que me é possível, não sabendo se por curiosidade se para combater o que esporadicamente sinto e que classifico de arrepios. Coincidindo com expressão imperceptível de uma criança, o avião dá um solavanco e eleva-se... entra-se no segundo minuto.
No canal áudio escolhido, Carlos do Carmo canta
Lisboa Menina e Moça. Sintomático.
De focinho ao alto, o avião já trespassa as nuvens e reparo em duas lágrimas roliças de uma vovó de sotaque brasileiro com a neta ao colo. A loira sorri.
O Wenceslau de Moraes voa...
E sensivelmente dez minutos depois de se fazer à pista, o avião está a 10 mil metros de altitude em posição horizontal e à velocidade de cruzeiro.
A vida volta à cabina e agora todos desejam que as horas voem. O monitor de TV dá a conhecer coordenadas de voo e a chegada fica agendada para as 17 horas e 29 minutos de S. Paulo, menos 4 horas do que na cidade de origem, Lisboa.
Pouco depois, a simpática tripulação serve água, sumo ou vermute como aperitivo e em seguida o almoço. Fecham-se as persianas e diminui-se a intensidade da luz artificial. A nave fica na penumbra e a maioria dos passageiros começa a dormitar. Eu não estou (ainda) disposto a tal. Acendo a pequena lâmpada individual e folheio uma revista anteriormente distribuída pela elegante comissária de bordo de tez trigueira. Tomo conhecimento que a rota é um autêntico segmento de recta de quase 8 mil quilómetros entre Lisboa e S. Paulo.
O monitor de TV indica que o jacto sobrevoa agora Cabo Verde. Levanto ligeiramente a persiana e apercebo-me que para tristeza dos residentes neste arquipélago as nuvens estão mais uma vez ausentes, mas propicia-me uma deliciosa observação das pequenas ilhas.
A noite tinha sido em branco. Recostei o assento e "passei p'las brasas".
Horas mais tarde, graças à sacudidela que falei no início da crónica, despertei.
O ecrã televisivo informa agora que tínhamos acabado de cruzar o Equador, o círculo máximo imaginado pelo homem e que divide o globo terrestre em dois hemisférios: norte e sul. Também chamado de Paralelo Zero ao Equador corresponde, por convenção universal, a latitude de zero graus.
Em posterior navegação pela internet, averiguaria que a linha do meio-campo no rectângulo de jogo do Estádio Zerão, em Macapá (capital de Amapá, o estado brasileiro mais a norte) fica exactamente em cima (ou em baixo se preferirem) da Linha do Equador. Ou seja, um lado do campo fica no Hemisfério Norte (a que Portugal pertence) e o outro no Hemisfério Sul (onde agora me encontro). Participar em encontro de futebol neste estádio fará inveja, certamente, a qualquer coleccionador de eventos.

linha.jpg

linha do Equador coincide com a linha do meio-campo do Estádio Zerão, Macapá -Estado de Amapá,AP

As horas demoram a dobrar e nem a projecção de filmes (de fraca qualidade, diga-se) quebra a monotonia da viagem. A ansiedade da chegada toma conta dos passageiros. As passeatas pelos corredores são uma constante ora como forma de relaxamento ora de ida (e de vinda) ao quarto de banho ou banheiro se considerado em perspectiva brasileira. Já para mim e para a minha vizinha de ocasião, uma brasileira "médica dentista" nos Açores, a angústia da viagem continua a ser suavizada por troca de impressões de vez em quando.
De permeio, o serviço TAP ainda ofereceu bolachinhas ao lanche e o jantar foi constituído à base de ?detestável? massa alimentícia em formato de lacinhos cerimoniais. Esqueci-me de que não apreciava e até saboreei, pois o estômago há muito que reclamava. 
-Senhores passageiros dentro de momentos desceremos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, S. Paulo. Neste momento a temperatura exterior é de 25 graus. É favor colocar os cintos de segurança...
avisa a mesma voz melódica da partida, mas em tom francamente mais agradável.
A aterragem não tarda. Somos informados que trespassamos o Trópico de Capricórnio, o paralelo terrestre de grau 23,5 e que atravessa a cidade de S. Paulo. Espio pela pequena janela e o primeiro contacto com a enorme urbe é a visão "cá em baixo" de monumentais amontoados de centenas, certamente milhares, de casas em tons de barro e que mais tarde constatei tratar-se das célebres favelas onde a condição digna de vida humana prima pela ausência e a violência e o crime são uma constante. A aeronave perde altitude rapidamente e o organismo acusa o efeito sentindo um baque. O silêncio na cabina volta a ser sepulcral. Os rodados do trem de aterragem tocam o solo e, relinchando, os motores efectuam a inversão.
Os tradicionais aplausos de chegada a bom porto fazem-se ouvir.
Já é noite quando após uma hora de cumprimento das formalidades habituais recebo uma rosa vermelha de boas vindas.
Ansioso, dirijo-me ao orelhão mais próximo: 
-Filha... cheguei!

capa_orelhao.jpg


Triplo Orelhão

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publicado às 10:48

Azevedo, José

por neves, aj, em 30.07.04

Homem emáquina

... em sintonia perfeita!

Em singela homenagem Voz do Seven regista abrilhante campanha de José Azevedo no Tour de France 2004.Azevedo além de contribuir deforma decisiva para a vitória de Armstrong teve ainda classe para alcançar aquinta posição na Geral Individual. Pela categoria e raça demonstradas, pelacapacidade de reunir os nossos emigrantes à sua volta, Azevedo catapultou o país aos gloriosostempos do campeão Joaquim Agostinho. Acertadamente é já considerado uma nova bandeira da lusitanidade e como forma de erguê-la ainda mais alto,finaliza-se com um pequeno álbum de fotos buscadas no sítio da US Postal.
(emnota de rodapé gostaria de dizer o quão lamento não ter encontrado maisnotícias sobre o nosso ciclista do momento e se o acaso levar José Azevedo a ler estasminhas notaspois aqui fica o pedido de que crie algo sobre si próprio nas ondas dociberespaço. Ele merece e nós também!)

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publicado às 09:39

Maldita gripe

por neves, aj, em 30.07.04

Malditagripe

constipação ou lá o queseja... eum homem, debilitado e todo partido, maldiz mesmo da sua sorte.
Mas, até se resigna, pois seja aqui ou ali,a norte ou a sul do Equador é costume da maleita marcar sempre a sua presençazinha anual emais não resta que aguentá-la e tentar mandá-la embora o mais cedopossível.
Convenhamos que, por outro lado, um tipo até chega ao despudor de aconsiderar, à maleita, bem vinda. É que os carinhos em nós são redobrados, perguntam-nos logo pela manhã se estamos melhorzinhos,se desejamos isto ou aquilo e até temos tempo (e pachorra) para fazer o que nem é costume. Uma delas é encharcarmo-nos em televisão. De comando na mão, bem abafadose espichados no sofá lá vamos percorrendo os canais televisivos à procura dealgo que nos agrade. O que nem sempre acontece. Há alturas que se tem mesmo de dar razão aos quepregam que quanto maior é a oferta pior é a qualidade... é o filme em reprise que já visionámos enevezes, é (de novo) o jogo do dia anterior com a agravante de que não nos toca nem deperto, são as novelas... enfim, é o talk show que discutetudo menos temas com interesse cultural ou social, antes sim escalpelizando e roendo comoautêntico ratinho a triste vida de cada um. Com a ausência daRTPinternacional no "pacote" que me é servido pela operadora decomunicações que serve a zona onde resido, outro remédio não tenho que comer o que aparece. Come-se detudo, pois então... e não manda o povoque para curar a gripe também nos devemos abifar?
Bem, não sejamosmaldizentes baratos, pois também há momentos bons. Principalmente aquelesoferecidos pelos canais (brasileiros e internacionais) que se dedicamexclusivamente ao conhecimento. Ah e quanto aos telejornais... há detudo como em todo o mundo com algumas estações televisivas a abusar na exploração do crime,fazendo derramar aindamais sangue do que o derramado no acto. E tudo isto porque a preocupação única éter ibope, expressãoque junta as iniciais de instituto de opinião pública e estatística e que poraqui virou vocábulopara definir índice de audiência.
E com este papo sobre TVs e maleitas parece que estáexplicada a razão de ter deixado o Voz do Seven um pouco aoabandono. É que, meus senhores e minhas senhoras, nestas alturas de fraquezanem vontade dá para nos sentarmos numa cadeira e com aquele peso que se carrega acima dos olhos, aúltima das coisas que nos poderá apetecer será olhar para um brilhante ecrã decomputador a dois palmos da testa. Justifico-me, porquequem me lê merece-o e por outro lado salvo a pele perante o meu amigo Castrinex,ex-feroz crítico dos meus escritos. Saliento o ex, pois agora está defel extirpado e o veneno foi-se. Deve estar mansinho que nem cordeiro, afinalcordeiro que nunca deixou de ser.
Voltando à minha gripe ou lá o quetenha sido.
Graças a ela pude, assim, acompanhar passo a passo e durante as 4 horas deemissão diária que a TV 5 francesa ofertava, a epopeia do "nosso"José Azevedo no Tour de France. O ciclista português passeou toda a sua classepelas estradas gaulesas e fez-nos recordar o saudoso campeão JoaquimAgostinho. Para além de ter cumprido o objectivo a que se propunha, contribuir para a histórica sextavitória do americano Lance Armstrong, Azevedo conseguiu a honrosa quintaposição na Classificação Geral da mais consagrada das provas do ciclismomundial em estrada. Merece assim destaque no Voz doSeven logo que a boa disposição impere no reino da imaginação.
Outranotícia que irá merecer destaque, não só pelo... destaque que teve naimprensa brasileira falada e escrita,  será a consagração do"nosso" Eusébio na hollyodesca Calçada da Fama do Estádio doMaracanã no Rio de Janeiro.
Já em fecho de emissão registe-se a presença deum actor português numa novela da TV Globo que passa no chamado horário nobre.Não sei se já se passeia por terras lusas, mas em Senhora do Destino, o actorNuno Melo interpreta Constantino, o último dos emigrantes portugueses para oBrasil, como se auto-intitula. Partiu em busca de herança de um tio, mas pareceque de vigarice em vigarice nada lhe restou. Tem (agora) a profissão de taxista e devez em quando faz uns bicos, os nossos biscates, para amealhar (mais) unscobres. Como não poderia deixar de ser, só e emterra estranha, apaixonou-se perigosamente por Rita, uma mulher gostosona de tez bem morena,que possui dois pecados: o alcoolismo e o companheiro que, emboraencarcerado na prisão da cidade, a domina por completo.
Parece trama interessante, mas com as devidas desculpasjá vou adiantando que não serei eu que vosrelatarei o final.
Até mais!

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publicado às 07:40

O Tempo

por neves, aj, em 29.07.04
... sempre a tempo!

O Tempo...

... por falhade melhor tema!(Acontece a todos)
Há ocasiões em que a vontade deescrever não falta, mas a mente dissipa-se. Talvez por culpa do Euro 2004.Talvez mais por "culpa" da bela carreira da Nossa Selecção que, aliado ao facto de eu estar longe me parece ainda mais grandiosa, mais gloriosa e me enche ainda maisde alegria por o nome de Portugal ser falado amiúde nos jornais e televisões brasileiros.
O Voz do Seven sabe que a vida, a escrita, não é, nem pode ser só futebol.O seu espírito luta em busca de (outro) tema, pega nesta ou naquela ideia, maso produto final mais não parece que
uma construção anárquicade frases. E assim mais não lhe resta, por o desejo ser grande e por sentir obrigaçãoperante quem o lê, que vaguear ao sabor das ondas. A verdade é que, embora ainda sem título neste preciso momento, opresente texto cresce e apesar da pobreza das frases já vai no terceiro parágrafo. É um pouco à semelhança do que nos acontece em viagem. O queinteressa é passar o tempo e então metemos conversa com o parceiro ocasional,fala-se disto, daquilo e daqueloutro... e às páginas tantas mais não nos resta quefalar do... tempo.
O tempo... pois... “nove horas da manhã e já está cá umcalor...”.
Poderia redigir  avisando-vos dos perigos da exposição prolongadaao sol nas praias de Mira ou Figueira (as mais próximas e só durante ofim-de-semana que pelos vistos a vida continua a não estar para grandes folias)e de que o protector solar fortemente anunciado na TV pela beldadeesculturalmente bronzeada é capaz de não ser o mais indicado para a delicadapele escondida durante nove meses (questiono-me constantemente e não obtenhoresposta por que raio o ser humano tem esta mania de tingir a pele de melaninadurante o período estival; será uma tentativa de regresso às origens vistoque ao que tudo indica o Homem teria aparecido no Oriente Médio ou será apenasuma questão de agradar às moçoilas ou moçoilos?).
Poderia também escrever aconselhando-vos a cumprirem as indicações dasassociações de protecção aos animais de que não devem abandonar o gatinhoou o cachorrinho durante o período de férias ou que tentem divertir-se o maisque possam nas romarias que abundam por esta altura esquecendo assim pormomentos as agruras da vida.
Pois, mas nem disso apetece falar. Nem do tempo.Talvez uma das razões é por não estarmos em sintonia climática.
É umaverdade que estamos no mesmo planeta, mas “essa coisa” da inclinação do eixo terrestreimaginário faz com que durante o movimento de translação daTerra à volta do Sol os raios solares incidam com amplitude diferente emcada um dos dois hemisférios de onde resulta que nesta altura por aí o Verãoseja rei e por aqui no Hemisfério Sul governe o Inverno. Inverno que por esteslados é bem suave, diga-se. Um autêntico paraíso se comparado com as geadasou as gélidas chuvadas beirãs a que estava habituado, mas tem dias de ventobem frio que até me fazem sentir um pouco “em casa”. Convém salientar queao contrário do que uma grande maioria pensa nem tudo são rosas por esteBrasil, por esta imensa massa territorial que se estende desde o Equador atépara além do Trópico de Capricórnio, pois até é comum nevar nas serraniasdo estado de Rio Grande do Sul, lá mais p'ra baixo do citado paralelo terrestreque curiosamente  “sobrevoa” acidade de S. Paulo.
Mas, seja Inverno ou Verão quem não pára de bailar é S.João e seus quejandos, S. António e S. Pedro. Não imaginava eu que por estasbandas estes três santos populares fossem tão festejados. É um mês de total reinação nas mais variadas regiões,cada qual com a sua forma peculiar de comemorar dependente das influênciastrazidas pelos povos migrantes. Poderão os ritmos no Nordeste serdiferentes dos do Sul e Sudeste ou mesmo da Amazónia, mas as danças em honra aos santos estão semprepresentes, assim como a fogueira e o foguetório. Merecerá especial referênciapela grandiosidade e pelo cariz popular, a festa, o auto do Bumba-meu-boi,tradição que vem do século XVIII e que tem uma relação cultural bastanteíntima com a história da escravidão. Uma das regiões onde aquela festividadeatingirá os pontos mais altos será no estado do Maranhão, que tem por capital SãoLuís, mas por todo o norte e nordeste brasileiro o Bumba-meu-boi estápresente.
Bastante enraizadas por todo o Brasil, as Festas Juninas devemo seu nome ao mês em que se realizam e a sua origem perde-se nos temposcoloniais sendo comumente objecto de estudo antropológico. Na cidade que me acolheu,o Arraiá da AssociaçãoPortuguesa de Desportos, a Lusa, é considerado dos melhores da urbe e o quemais se aproxima dos nossos arraiais. O ambiente é bem popular... cordões deluzes, bandeirinhas e balões ornamentam o recinto. É usual os participantes nestas festividades vestirem-se de caipira, termo que identifica a personagem rural, do "campo" e que eu me atrevo a assemelhar ao nosso"campónio". Assim as mulheres usamvestidos feitos de tecido que julgo ser chita e eles vestem tradicional camisa-xadrez ena cabeça o caracterizador e inconfundível chapéu. Das danças que podem ser apreciadas algumas foram novidade para mimem tais ambientes como a quadrilha que tem origem na contredance françaisee consta de diversasevoluções em pares sendo aberta pelo casal de noivos. Já nãoforam novidade o folclore apresentado pelo rancho daassociação nem as barracas de diversões e as típicas “comes ebebes” bem portuguesas com sardinha assada, bacalhau, caldo verde e vinhoportuguês.
Mas, como não há belasem senão, o manjerico não estava presente. Mesmo com a ausência doaromático ex-líbris são-joanino a imaginação ditou em quadra:
Na noite de S. João
Fuieu ao bailarico
Ela cativou meu coração
Euofereci-lhe um manjerico!


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publicado às 11:17

Origens

por neves, aj, em 25.07.04

Origens [a ti filha]

Chupando o polegar
 sossegada estava eu
 nos braços de Morfeu,
 quando...
 cirúrgico punhal
 me fez acordar
 e me pôs a pensar
 que teria eu feito de mal
 p'ra do meu lar
 me quererem sacar.
 E não contentes com tal
 zás...
 no cu nadegal
 palmada fenomenal
 p'ra líquido expulsar
 e ar inspirar!
 Organismo que sou
 já fui feto e embrião;

antes...mórula
na altura da nidação;
e no início... ovo
fruto da união
chamada fecundação
d'um óvulo feminista
e d'um espermatozóide machão!
E foi assim que...
cinco após as onze
numa manhã um pouco fria
passei pelo trauma primeiro
da minha vida,
vi a luz do dia
papá e mamã olhei
e comigo murmurei:
- Eis-me... Bom dia?!

Dezembro/94
Seven

 

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publicado às 10:16

Camões, Luís Vaz

por neves, aj, em 24.07.04

... a vida, a obra, o dia... .

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Neste breve texto (quepecou pela tardia publicação devido a "problemas técnicos")não é minha pretensão, por manifesta mas compreensível falta depreparação,  dissertar sobre Luís Vaz de Camões que será sem sombra dedúvidas a maior das figuras da Literatura Portuguesa ou pelo menos a quelevará mais longe o nome de Portugal. Sendo assim remeto-vos para as páginasdo Instituto que tem o nome do poeta onde podereis conhecer melhor as venturas edesventuras da sua vida aventureira ou a sua vastíssima obra que vai bem alémd' Os Lusíadas onde Canta o peito ilustre Lusitano. Eporque por estas bandas se comemora o Dia dos Namorados (12 de Junho), não meescuso a transcrever-vos, dosseus Sonetos, a forma bela e contraditória de Camões cantar o Amor.

Amor é fogo que arde sem sever;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Pela grandeza da sua obrae pela projecção dada à Língua Portuguesa, o Poeta é considerado como umdos símbolos da Nação. Já nos tempos da monarquia, por enaltecer o Portugal grandioso econquistador, foi elevado a essa condição, mas foi durantea vigência do Estado Novo que o 10 de Junho, dia da sua morte, foiinstitucionalizado como o Dia de Portugal.
Oliveira Salazar, na inauguração do EstádioNacional em 1944, denomina então aquela data como o Dia da Raça que em plena guerracolonial é aproveitada para condecorar em cerimónias tristes esombrias, os mortos (na pessoa de pais, esposas e filhos) ou os feridos por actos de bravura em combate. Hoje o 10 de Junhoé denominado de
Dia de Camões, de Portugale das Comunidades Portuguesas... feliz designação, diga-se depassagem.
Em nota de rodapé registe-se que no Brasil, em 10 de Junho écomemorado o Dia da Artilharia, o Dia da Língua Portuguesa e... o Dia da Raça,que por mais pesquisa que tenha feito não consegui (por enquanto) explicaçãoplausível para a coincidência desta última denominação em tal data, mas uma coisaserá certa: nada terá aver com a infeliz e já citada alocução do meu conterrâneo e Presidentedo Conselho de então, em que a ideia defendida(à boa maneira hitleriana) era o orgulho de uma raça que se cria deascendência comum
.

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publicado às 09:20

Álbuns de Fotos

por neves, aj, em 19.07.04

Os visitantes do Vozdo Seven já se aperceberam, certamente, que os Álbuns de Fotos nãoestão a corresponder ao que inicialmente se propunha. Por causas desconhecidas(as limitações informáticas são evidentes) era pedida uma password.Para tentar resolver a situação criou-se um álbum aberto ao público queenglobará outros pequenos álbuns. Foi o remedeio possível.
Faz-se opresente aviso para informar  que os álbuns Cartazes sui generis e Imagensdivertidas (no item Momentos de Relaxe) foram remodelados e (pensa-se) quefuncionam em pleno. Aproveita-se então para vos solicitar informação em casonegativo.
Igualmente o problema com o álbum as.com que se encontra noDossier Euro 2004 foi solucionado (assim como o dos álbuns Ouro Preto, Arte Corporal e Pensamentos, só faltando reconstruir os Álbuns de Fotos nos Brasões de São Paulo e de S Comba Dão).
Registe-se ainda que ao "entrarem"no álbum vos aparecerá uma única imagem e para observar todas elas faça-se ohabitual clicando em next ou previous, conforme for o desejo deavançar ou retroceder. Também é facultado ao visitante retroceder (clicandoem back logo por cima da imagem) para a visão global do álbum e"dar movimento" em slideshow. Clicando em VozdoSeven (a azul)terão acesso aos álbuns já editados. Para ver a imagem emtamanho normal basta um clique sobre a "miniatura" e resta dizer que se deve ignorar a "caixa" da password.
Finalizandoem onda patriótica chamaria ainda a atenção que poderão acompanhar o"percurso" do ciclista José Azevedo no Tour de France e embreve vos darei informações sobre o calendário olímpico da SelecçãoNacional de Futebol.
Reconhecido pela compreensão

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publicado às 22:09

Icemos a Bandeira..

por neves, aj, em 19.07.04

Le Tour

Allez Azevedo... allez!

O espírito de lutador, de verdadeiro companheiro deequipa e de grande ciclista está bem patente em José Azevedo. Com orgulhoiço a Bandeira Nacional Portuguesa ao ver através da TV 5 francesa aperformance  do agora ciclista da US Postal. Autêntico"moiro", a sua preocupação é "partir" o pelotão montanhaacima em favor do seu companheiro, o campeoníssimo Lance Amstrong que luta pormais um título na Volta a França em Bicicleta... que a acontecer seráo sexto e baterá assim o recorde dos (também) grandescampeões das anteriores edições do Tour de France. Para o "nosso Zé" que fará parte da equipa portuguesa presente nos Jogos Olímpicos de Atenas um forte "Allez... allez"!

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publicado às 08:47

Desporto

por neves, aj, em 18.07.04

Talvez por ultimamente o Voz do Seven se ter virado quase emexclusividade para o Desporto, mais propriamente para o Futebol, impõem-se duaspalavras justificativas. Não é intenção, de maneira alguma, o Voz doSeven desviar-se da linha a que se propôs que é revelar o que "lhevai na alma", dando a conhecer aos santacombadenses São Paulo e  "algumas coisitas"deste enorme Brasil e ao mesmo tempo divulgar a Santa CombaDão natal.
Por várias razões (dar um arranjinho ao blog, algumaindisponibilidade e quiçá alguma falta de inspiração, etc...) os textos nãotêm surgido e vai-nos valendo "santo futebol". Mas impunha-se da parte deste sítio umadedicação especial ao Euro 2004, cujo dossier, como podem constatar, está mais completo com álbuns de fotos sobre a competição. E como também se imporá umacompanhamento mais personalizado à campanha dos nossos Sub-23 (com inclusãoou não de 3 atletas com idade superior e cuja convocatória será tornadapública em 21 de Julho) nos Jogos Olímpicos de Atenas. O Voz do Seven jáestá a tratar disso, o que nem se tornará trabalhoso aproveitando o esqueletodo Euro 2004 e substituir o nome das selecções dospaíses participantes.
Continuando...Continuando em matéria de Desporto, especificandomelhor... de Futebol, fica aqui a informação que será aberta uma secção na"coluna dos links" (à esquerda no Voz do Seven) dedicada a este item.Nela será colocada uma "ligação" para os resultados eclassificações da Superliga do Futebol Português, cujo sorteio para a épocade 2004/2005 será realizado hoje na Figueira da Foz. É de registar que esta épocatraz alterações. Acentuadas, diga-se. Assim, no final da época, descerão 4equipas da Superliga (1ª divisão) à Liga de Honra e desta antiga segunda divisãosubirão apenas 2 clubes à Superliga visto que na próxima época de 2005/06 asduas divisões do futebol profissional só comportarão 16 equipas cada.Atenção aos mais desprevenidos (clubes e adeptos) e só espero que a minha Briosase cuide a tempo.

(refira-se que as bolinhas da sorte do sorteio realizado há momentos determinaram a visita do Benfica a Coimbra logo na 3ª Jornada da primeira volta. Com uma segunda volta de esperança a Académica de Coimbra terminará o campeonato no Estádio do Dragão)
Como não poderia deixar de ser, os Pinguins serãoacompanhados e deixo-vos já com uma ligação ao calendário de jogos da 3ªDivisão – Série C, com início a 29 de Agosto, que busquei em portal daBeira Interior e que achei deveras interessante. Em pequeno parêntesis diga-se que não ficaria nada mal ao site da nossa Autarquia de Santa Comba Dão fazer um pequeno acompanhamento ao nosso Desporto santacombadense. Mas adiante. E adiante-se que já foirealizado o sorteio da 1ª eliminatória da Taça de Portugal e o DesportivoSantacombadense receberá, em 5 de Setembro no Municipal de Santa Comba Dão, o recém-promovidoà terceira nacional e nosso bem conhecido Castro Daire. Com um simplesclique na ligação à AF Viseu, o visitante também estará dentro do"nosso" futebol regional nas várias categorias e vem a talhe defoice perguntar se esta época os Pinguins terão equipa de Juniores.Tornar-se-á imperioso participar no respectivo campeonato, porque estes rapazespara além de serem o fomento e o fermento da equipa principal terão agora uma oportunidademaior de disputarem um Nacional da categoria visto que a Federação Portuguesade Futebol criou uma Segunda Divisão de Juniores a nível nacional.
Em questão de divulgação deesportes deste país onde agora me encontro torna-seobrigatório a inclusão de uma ligação ao Brasileirão, o CampeonatoNacional Brasileiro da 1ª Divisão (Série A) e a partir daqui poderão tambémficar dentro do que se passa na Série B, a Segundona, onde milita (paratristeza da comunidade portuguesa de São Paulo) a Associação Portuguesa deDesportos – a Lusa.
Uma ligação aos Jogos Olímpicos será feita e outra aosjornais desportivos quer portugueses, quer estrangeiros. Mais ligaçõescertamente não faltarão num futuro próximo como a da Volta a Portugal emBicicleta.
Até lá!

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