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Crime (quase) perfeito

por neves, aj, em 31.01.05

Em atitude louca, Voz do Seven veste a pele de Inspector A. Vara no Tojo e entrana ficção policial cómica aproveitando piada magistral que lhe chegou às mãos... 

Crime (quase) perfeito
por Insp.A.Vara no Tojo

O telefone toca uma, duas, três vezes... são3:25 horas daquele madrugada chuvosa de Inverno. Ensonado (o deslindar de um crime só lhetinha permitido deitar-se há menos de duas horas) e maldizendo da suasorte consegue finalmente pegar no aparelho que não se livrou do habitualmergulho na  coçada carpete alcatifada que cobre o chão do exíguo quartoonde reside. Sabedor que iria ter (mais) trabalho entre mãos (aquele número detelefone só estava ao alcance dos colegas da Esquadra/Delegacia) o InspectorGabardines  resmunga um quase imperceptível "qué que é?"
– O Presidente da Câmara/Prefeito foi assassinado, berram-lhe do outro lado da linha.
Raios, remoeu indignado e estupefacto onosso homem, no Dia de Natal? Nem um presidente gosta de ser assassinado neste dia.
Com passagem meteórica pela casa debanho/banheiro para tirar uns montículos de remela e esvaziar a bexiga, põe atrabalhar o motor do seu bê-ele-eme-ene a cair aos pedaços e arranca emaltos roncos em direcção ao local do crime, sabendo de antemão que os vizinhoslhe farão (mais uma vez) reclamação por lhes ter oferecido mais uma noite maldormida.
Com um punhal espetado na nuca, o corpo doedil estava sentado e debruçado na mesa da cozinha da enorme mansão. A caraestava literalmente enfiada num tacho ou panela, o que levou imediatamente onosso inspector a  conduzir o seu raciocínio para crime passionalpraticado por qualquer adversário político enciumado por não poder eletambém comer do tacho, mas também de imediato colocouna mente inúmeras outras hipóteses, pois omais natural de quem leva uma cacetada na nuca é que a cabeça caia para afrente e por acaso naquele momento o tacho até pode estar à sua frente.
O médico legista segredou-lhe que o crimedeveria ter sido cometido ao "dobrar do dia", portanto durante aúltima hora do dia anterior e a primeira do dia em que estavam, véspera deNatal. O que até vinha de encontro ao que testemunhara a vizinha da frente,qual mulher do soalheiro que gostava de espiar tudo e todos, e que vira a vítimachegar no seu automóvel exactamente às 23 horas e 47 minutos. Mas o queintrigava o nosso inspector era a quantidade de ossos de ave de grande porteespalhados pelo tampo da mesa.

Pela hora-crime que lhetransmitiram era muito pouco provável que a vítima se tenha deliciado com tamanhoassado e a autópsia de certeza que confirmaria sua teoria, portando teria sido o assassino que se enfartazou...pensando bem, o assassino ou os assassinos porque isto de comer um peru inteironão é obra para qualquer um. Coçando a cabeça com os usuais dois dedosda mão direita (o mindinho limpa-cera e o anelar que nunca viu anel), acto que intrigava as gentes ao seu redor, não se sabendo se o fazia em busca de inspiração ou se era acometido de repentino ataque de caspa sempre nestas ocasiões, Gabardines cogitava estudando a estratégia a usar que passariainevitavelmente pela imediata busca pelasredondezas ao homem-glutão de peru assado. Nisto, a um metro de si, estacionou joveme envergonhado polícia,imberbe ainda, dizendo-lhe timidamente (nem todos tinham a coragem de se chegarperto do grande investigador quando ele estava fumegando pelos cabelos) que avizinha, a bisbilhoteira, tinha visto o assassino a sair da moradia e até foraela que telefonara à Polícia intrigada por tão raro costume àquela hora na casa davítima... bisbilhotices, pois então.
– Mas... mas... vocês têm o caso resolvidoe tiram-me da cama às três da manhã? – vocifera o nosso homemperdendo até a sua habitual compostura.
– É que... é que... gagueja o jovem polícia.
–Fala, homem de Deus, fala...
– É que... temos dois suspeitos senhorinspector. Chamámos o senhor, porque temos dois irmãos, gémeos, exactamente iguais, com o mesmo peso ealtura também e até se vestem da mesma forma... casaco/terno azul, calçacinza e até chapéus iguais... estão ali naquela outra sala.
Fungando, Inspector Gabardines mira os dois suspeitos,olha-os de alto a baixa e ordena: prendam os dois!
Apesar de nenhum dos doisconfessar o crime (umem defesa da sua culpa e o outro por solidariedade fraternal) o que juridicamente até nem dava base para algum ser constituído arguido, o juiz de plantão concordou com a decisão doinspector e decretou aprisão preventiva dos irmãos, que foram encarcerados na própria Esquadra daPolícia. Apesar de estarem na prisão, os suspeitos eram (muito) bemalimentados tendo até direito, já que se estava em época natalícia, a umasboas postas de bacalhau cozido e a umas refinadas rabanadas... e na virada doano até lhes saiu em sorte uma tacinha de champanhe acompanhando umas fatias deBolo-Rei e de Panetone.
Quinze dias depois, o inspector Gabardines constatou, na sua visita diária aos prisioneiros, queum dos gémeos tinha engordado p'ra burro... até a roupa lhe tinha deixado de servir, enquantoque o outro mantinha o mesmo peso, os 72 quilos com que entrou na prisão. Apósprolongada chupada no charuto apagado e inevitável coçada na cabeça o nossohomem expeliu mais uma das suas célebres baforadas:
– Libertem o gordo, ele é inocente.Quem matou foi o outro.

Em que se teria baseado o nosso inspectorGabardines para deslindar o crime?

Enviem os vossos palpites e na próximasemana terão a resposta. Quem acertar terá direito a uma assinatura grátis doVoz do Seven durante um ano.

 

Inspector A. Vara no Tojo não é mais que umahomenagem ao grande Inspector Artur Varatojo que encantou a minhaadolescência com os desafios "à descoberta do criminoso " oraem  programa televisivo, de que já nem sei o nome, ora mais tarde emespaços jornalísticos e livros. Acreditem que tais desafios são perfeitosconstrutores do raciocínio, como podereis constatar entrando no seu siteoficial clicando sobre a foto abaixo.

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publicado às 13:58

À pesca!

por neves, aj, em 29.01.05

Todos gostamos de pescar... seja o que for...e nem que seja no prato. Esse aí parece que tentou pescar a atenção dumqualquer presidente... Voz do Seven aproveita a onda e serve-se dele como iscotentando pescar subscritores para o seu espaço (e não custa nada... é sócolocar o e-mail e enviar). É a chamada lei da pesca, lei que paradoxalmente nemsempre tem regras e então damos-lhe o nome de lei da selva... mas aqui, a nossalei é outra e por estarmos a falar de pesca lembrei-me que há uns anosatrás...

Há vinte anos talvez... ainda o fruto da minhaexistência era aí do tamanho de uma avelã, também tive a maniazita de ir àpesca. Note-se que este ir à pesca nada tem a ver com apanhar peixe, poisfosse lá pela razão que fosse, desde a falta de técnica à impaciência deestar sempre a ver se a isca ou o isco (no caso o sexo não deve interessar) ainda balouçava no anzol, o peixe andava semprearredio.
Os "culpados" desta minha afeição pela pesca foram dois dosmeus sobrinhos, eram eles (mais) jovens. Um deles até tinha por costume no diaúltimo da semana, pernoitar  na  minha casa do Outeirinho e demanhãzinha lá íamos felizes da vida apanhar o Caminho da Ribeira ou doMatadouro que nem sei se já foi engolido pelas silvas... espero que não.
AFranca era o destino e ainda o Sol estava a despontar já as canas de pescaestavam armadas com os anzóis na ponta da linha e tudo... trabalho este nadafácil para mim já que a tal impaciência tornava-me um inábil na matéria eesta arte de empatar anzol é mesmo arte... era assunto para o outro parceiro,como já disse, o filho mais velho do meu irmão mais velho.
A manhã corriamesmo bem. Os pulmões eram menos fumigados, a "bucha das 10" ou a"bóia", como por aqui se diz,  era devorada com apetite e porvezes, um distraído lá em baixo punha os beiços onde não devia e zás...lixava-se e engrandecia o ego de quem cá estava fora.
Triste sina a de umpeixe que desde logo começa com o nome pomposo que damos a este passatempo: PescaDesportiva... convenhamos que  para a boga, carpa ou bordalo, barbo ourobalo, a pesca será tudo menos um desporto.
Uma outra coisa que me pergunto ése as regras do condicionamento funcionam com estes animais. Duranteséculos, milénios, foi sempre a mesma coisa e não deveriam saber eles, ospeixinhos, que quando os primeiros raios da aurora penetram na água logoaparece  minhoca ou bola de pão, asticô ou morcão, como se diz lá pelo Douro interior,dançando em trapézio armadilhado para os sacar fora do seu habitat? Seráburrice, instinto de começar outra cadeia evolutiva, quiçá mais perfeita oumero desejo de apanhar um pouco de sol? Se é este ultimo o seu desejo, bem, o únicobronzeado que vão ganhar é o do estrugido na frigideira. 
Animados ou não com a pescaria, quando o Solatingia o pino era hora de zarpar... era hora de manjar. E com a recordação dosodores do entrecosto a assar no carvão (ó carvão, que saudades) por aqui mefico, frisando que o presente texto não retrata saudade, antes sim comemoraalegremente, fruto do gozo sentido na sua escrita, o Dia da Saudade...
e em antecipação aodia, 30 de Janeiro, Voz do Seven envia-vos cartão animado dentro de sobrescrito quedevereis abrir clicando duplamente sobre ele.

 

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publicado às 18:13

Lamento subscrição

por neves, aj, em 28.01.05
Voz do Seven

Voz do Seven lamenta por ir embora

Fica o agradecimento por ter estado na nossa companhia. Será sempre bem-vindo se reconsiderar em fazer nova subscrição... basta aceder o Voz do Seven e colocar o seu e-mail no espaço respectivo, ao fundo e do lado esquerdo da página principal.
Saudações.

Retornar ao Voz do Seven


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publicado às 09:35

Obrigado

por neves, aj, em 27.01.05
Voz do Seven

Bem-Vindo

Voz do Seven agradece a sua adesão à Lista de Endereços e dá-lhe as boas-vindas. Periodicamente irá receber notificação sobre novidades publicadas no Voz do Seven.

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publicado às 23:59

Nave Espacial?

por neves, aj, em 27.01.05

Não...claro que não. É bem terrestre. Embarque aqui na carruagem do prazer e clicando em cada um dos M naveguepelo universo da beleza e da cultura.

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publicado às 08:53

SP retribui

por neves, aj, em 26.01.05
Em dia chuvoso, São Paulo oferece-nos este maravilhoso quadro.

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publicado às 20:22

SP - 451 anos

por neves, aj, em 26.01.05

Ontem, 25 de Janeiro, a Cidade dos Mil Povos comemorou 451 anos. Tudo teriacomeçado nesse dia do ano de 1554...

 

Realmente, segundo reza a História, foi no dia 25 de Janeiro de 1554 que foi celebrada a primeira missa no planalto de "ares frios e temperados" chamado de Piratininga.Nesse local,os padres jesuítas Manoel da Nóbrega e José Anchieta fundaram um Colégio e de imediato se começaram aconstruir casas à sua volta. Até hoje e... não mais irá parar.
Mas, nesta singela homenagem à São Pauloactual, nãose  pretende fazer viagem no tempo porque a história do nascimento de SãoPaulo de Piratininga e suas fases de crescimento já há muito estádisponível no Voz do Seven em espaço próprio dedicado à megaurbe.
Hoje faz-se o rescaldo... da festa. É o possível que Voz doSeven pode oferecer visto que imponderáveis o impediram de fazer o que tinha emmente – dar no próprio dia 25 de Janeiro os parabéns à cidade de São Paulopelos seus 451 anos de vida.

O bolo oficial foi cortado pelo (novo) Prefeito José Serra e o Povão andou às voltas com os 451 metros de um outro bolo quepretende entrar para o Livro dos Recordes.
Como não poderia deixar de ser, houve dança e desfiles.
Opovo aglomerou na emblemática Avenida Paulista para assistir a umespectáculo de música e no Parque de Ibirapuera o colorido dos trajes de umcortejo de grupos folclóricos deu mais beleza às comemorações.

Falta dizer quehouve também uma corrida de automóveis no Circuito de Interlagos e, um desfilede moda, a São Paulo Fashion Week também era parte integrantedas iniciativas comemorativas.


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publicado às 11:46

São Vicente - a primeira

por neves, aj, em 22.01.05

Teria sido a 22 de Janeiro de 1532 que...

uma esquadra portuguesa ao serviço d'el-rei D. João III e comandada porMartim Afonso aportou a estas terras iniciando assim a colonização desta vasta massaterritorial chamada Brasil. Com a instalação dos órgãos administrativos foicriada a então Vila de São Vicente, a primeira cidade do Brasil, a CellulaMater da Nacionalidade Brasileira.
Como todas as histórias antigas também a história da fundação da cidadede São Vicente está envolta em mistério ou enigmas. Em todos os sítios poronde navegou, desde o oficial da Prefeitura aos mais variados de índole pessoal, Voz do Sevenencontrou sempre referência a três portugueses queteriam sido os primeiros habitantes estrangeiros destas terras. São eles um talde Cosme Fernandes, o Bacharel, um António Rodrigues e o afamado João Ramalhoque seria casado com a não menos notável índia Bartira filha do poderosocacique Tibiriçá. O engraçado da questão e o motivo porque estes trêshomens fazem parte desta e doutras histórias e ao que parece também da"outra" História é que eles teriam aqui desembarcado bem antes deCabral ter avistado Terras de Vera Cruz em 1500. Consta, para alguns, que os citados seriamtripulantes da armada de um Francisco de Almeida, que Voz do Seven pensa ser dofuturo primeiro Vice-Rei da Índia, e que teriam sido aqui deixados, pordegredo, no ano de 1493...
Mas não estamos aqui a tentar fazer história e sim para dar os parabéns à  cidade de São Vicente pelos seus 473 anos de existência como comunidade organizada. E para além das belas fotos do portal da Prefeitura que certamente já apreciastes, Voz do Seven deixa-vos mais fotos no

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<p align="justify"><font face="Verdana" color="#008000" size="4">Teria sido a <b>22 de Janeiro de 1532</b> que...</font></p> <center><table border="5" bordercolor="#C0C0C0" width="333" height="105" style="border-collapse: collapse" cellpadding="2"> <tr> <td> <img src="http://img.photobucket.com/albums/v136/seven2004/473anos.jpg" width="435" height="300"></td> </tr></table> </center><p align="justify"><font face="Verdana" color="#008000" size="4">uma esquadra portuguesa ao serviço d'el-rei D. João III e comandada porMartim Afonso aportou a estas terras iniciando assim a colonização desta vasta massaterritorial chamada Brasil. Com a instalação dos órgãos administrativos foicriada a então Vila de São Vicente, a primeira cidade do Brasil, a <i> CellulaMater da Nacionalidade Brasileira</i>.<br>Como todas as histórias antigas também a história da fundação da cidadede São Vicente está envolta em mistério ou enigmas. Em todos os sítios poronde navegou, desde o oficial da <a href="http://www.saovicente.sp.gov.br/" target="_blank"><font color="#808080">Prefeitura</font></a> aos mais variados de índole pessoal, Voz do Sevenencontrou sempre referência a três portugueses queteriam sido os primeiros habitantes estrangeiros destas terras. São eles um talde Cosme Fernandes, o Bacharel, um António Rodrigues e o afamado João Ramalhoque seria casado com a não menos notável índia <i> Bartira</i> filha do poderosocacique Tibiriçá. O engraçado da questão e o motivo porque estes trêshomens fazem parte desta e doutras histórias e ao que parece também da&quot;outra&quot; História é que eles teriam aqui desembarcado bem antes deCabral ter avistado Terras de Vera Cruz em 1500. Consta, para alguns, que os citados seriamtripulantes da armada de um Francisco de Almeida, que Voz do Seven pensa ser dofuturo primeiro Vice-Rei da Índia, e que teriam sido aqui deixados, pordegredo, no ano de 1493...<br>Mas não estamos aqui a tentar fazer história e sim para dar os parabéns à  cidade de São Vicente pelos seus 473 anos de existência como comunidade organizada. E para além das belas fotos do portal da Prefeitura que certamente já apreciastes, Voz do Seven deixa-vos mais fotos no <a href="http://www.saovicente.art.br/site/index.php?option=com_phocagallery&view=category&id=16:fotos-sao-vicente&Itemid=2" target"_blank"><font color="#808080">São Vicente fotografia e arte</font></a><font color="#008000">.</font></font></p><a name="saovicentefinal"></a>

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publicado às 10:19

Voz frágil

por neves, aj, em 21.01.05

(Pelo que constatámos, hoje 9 de Fevereiro de 2007, as trilhas sonoras saíram do ar... apesar de alheios ao problema, pedimos a vossa compreensão)

 

 

Há momentos na vida...


Momentos em que a voz embarga e o Voz (do Seven) fica sempalavras.
Dias atrás aconteceu um desses momentos e mesmo hoje quando volto ao sítio,a voz (de um pai) engasga e as mãos tremulam ao querer-vos contar que nesse diaeu andava em busca animada de músicas lusitanas não só para gáudio dos meustímpanos, mas também para vos proporcionar ambiente mais relaxante. A Cançãodo Mar, em instrumental, encantou-me e certamentevos estará a encantar também se tiverdes o som ligado. Elevei o pensamento e agradeci ao sítio ondeestava. Como se exige, desejei fazer agradecimento à autora do Cantinho da Meig@ por me ir permitir a colocação de tão agradável melodia no Voz do Seven. E naveguei...
as cores
... preto e dourado em conjugação perfeita
a música
(paraouvir as novas músicas torna-se obrigatório fechar ou "parar" a página principal do Vozdo Seven)
... e a couraça da masculinidade fragiliza. Ao som da música de fundo da página de índice os pêlos de meus braços encresparam e umarrepio percorreu o meu corpo quando os olhos se fixaram no item Minha Saudade, em claro sinal de temor pela razão de existência do Cantinhoda Meig@
Minha Saudade
... que pode um homem dizer? Que vai escrever este homem que,apesar de não ter tido o privilégio de no ventre trazer, também ama? Ama,porque é pai e um pai, contrariando certos conceitos sociaispreconcebidos, também ama e sofre de igual modo
O sítio
... é lindo.É romântico, tem cartões, mensagens, flores, poesia e música... passem porlá, p'lo Cantinho daMeig@.

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publicado às 18:32

DNA

por neves, aj, em 19.01.05

18/01/2005 - 20h36m


O efeito DNA
 

RIO - Para o bem ou para o mal, decifrar o enigma do DNA virou a cabeça dos carnavalesco. Como recriar... o choque, o assombro, o deslumbramento gerados pela impactante pirâmide humana do DNA, da Unidos da Tijuca, a alegoria-sensação do último carnaval?
Balé? Pantomimas? Esculturas humanas? Piruetas e acrobacias? Teatro? Circo? Tudo isso - e mais um pouco. É assim, misturando e experimentando, que as escolas, de A a Z, vão tentar alcançar neste ano a alquimia que criou a alegoria-viva da Tijuca em 2004.
Um trigal "humano", balançando ao vento, na Porto da Pedra; uma arquibancada da Sapucaí, em plena pista da Sapucaí, na Caprichosos; a Intrépida Trupe no abre-alas da Grande Rio; uma plataforma de petróleo no mar da Vila. E não pára aí.
A estrutura do DNA alegórico era radical: o carro era as 127 pessoas. Sozinha, a estrutura do carro talvez nem faça sentido, ou não emocione. O elemento humano é que dá vida a ela. Assim, o que se vê não é apenas uma coreografia tradicional, em cima de um carro tradicional. Os componentes - não dá para chamar exatamente de sambistas, se não sambam ou cantam o samba - são quase esculturas, quase estruturas, quase cenas-grafias (ok, ok, menos, menos, caros repórteres!).
  Na Tijuca, claro, a experiência DNA vai ser multiplicada. Mas não é uma clonagem, mera reprodução. Serão pelo menos quatro carros alegóricos com concepções que partem do que foi realizado no ano passado mas pretendem ir adiante. Além do abre-alas - uma estrutura metálica descrita como impressionante por quem viu -, há um carro inspirado em Drácula e seu castelo, outro imaginando o Planeta dos Macacos, e mais um que seria Alice e o País das Maravilhas. Só no abre-alas, serão cerca de 250 componentes (o dobro do carro do DNA), ensaiados exaustivamente e metodicamente.
Em entrevista ao site O Batuque.com, o carnavalesco Paulo Barros explicou assim a criação desse novo sonho de criação:
- Meu abre-alas deste ano não tem desenho, porque foi criado sem desenho. Ele surgiu da idéia e discutimos aqui no barracão e começamos a fazer o carro. Não tem planta e não teve desenho até hoje, por isso você pode produzir sem projetar, isso vem da imaginação.
Fala-se em quase 500 pessoas no total em cima dos carros coreografados da Tijuca.
Os principais ensaios ocorrem no barracão, onde estão as alegorias (mas acontecem também no Clube dos Portuários, na Avenida Francisco Bicalho, com componentes sentados ordenadamente, na posição em que estarão nos carros). Mas como estrutura e componentes formarão um só corpo vivo na Sapucaí, não é possível realizar os ensaios separadamente. É preciso treinar o tempo de subida de todo esse contingente nos carros, acertar a posição de cada um deles nas estruturas, analisar a sincronia de movimentos de cada um e do grupo todo com o samba cantado...
É quase uma segunda escola de samba dentro da primeira. A operação para botar esses carros-vivos na Sapucaí é complexa. Horas antes do desfile os grupos precisam estar reunidos num mesmo local, onde serão maquiados e caracterizados. Segundo estimativas, quase 900 componentes - 400 que desfilarão no chão - vão receber maquiagem especial na quadra do Portuários, onde será, digamos assim, a pré-concentração.
Além do abre-alas, o setor que promete arrepiar a Sapucaí é o que ilustra os versos do samba "Quando se abrem as portas do medo / Bruxas, vampiros, fantasmas da vida". Um grupo representará mortos-vivos, lembrando a coreografia de "Thriller", de Michael Jackson.
Essa influência do Carro da Criação - nome oficial da alegoria do DNA - sobre outras escolas pode ser indireta. Pode não inspirar necessariamente uma estrutura semelhante, tão abstrata e gráfica, mas alimentar a invenção de elementos alegóricos surpresas, de impacto.
  A Caprichosos terá dois carros-vivos: um, o ''Concentração'', representará o viaduto São Sebastião, que passa sobre a Presidente Vargas, paralelamente ao Sambódromo. O viaduto é um inferno anual na vida de metade dos carnavalescos, obrigados a armar as escolas do lado do edifício Balança Mas Não Cai e, portanto, a passar com seus carros alegóricos parcialmente demontados sob o viaduto, pouco antes de entrar na avenida. A performance do ''Concentração'', prometem, simulará a implosão do viaduto. Será?! Para o carnavalesco Chico Spinosa, trata-se de retomar a irreverência, o espírito alegre e debochado da Caprichosos.

O outro carro, "Arquibancada", é uma estrutura que recriará em plena pista de desfile uma arquibancada do Sambódromo. Nela estarão 320 foliões, que sambarão, pularão, baterão palmas (tudo ensaiado; cada movimento é sincronizado com um trecho do samba). Até uma "ola" eles farão. Quem estiver nas arquibancadas de verdade vai se sentir como diante de um espelho, vendo uma arquibancada de "mentirinha" passar na sua frente. No ensaio técnico da Caprichosos, da última sexta-feira, o grupo se apresentou como uma ala comum, mas executou a coreografia do dia do desfile.
A Porto da Pedra poderá ter o carro alegórico que rivalizará em invenção e impacto com o abre-alas da Tijuca. É o segundo carro, o do Boi Ápis ("Eh, Boi Ápis / Lá no Egito, festa de Ísis..."), onde estará um enorme trigal. Centro e vinte componentes da escola "interpretarão" (se é que essa palavra cabe) esse trigal. Eles serão ao mesmo tempo elemento cenográfico e composição coreográfica.
Coreografias e encenações não foram inventadas no ano passado, claro. Desde a década de 60, as escolas vão e voltam, o pêndulo balança entre a defesa apaixonada do samba espontâneo, livre, e o desejo de reinventar a festa com o passo marcado, a dança e o teatro. O Salgueiro de Chica da Silva foi isso, com seu histórico minueto. Rosa Magalhães cria, sempre que pode, pequenas cenas de teatro sobre alguns de seus carros. Em 93, a Portela botou um casal, vestido de noivos, em cima da alegoria que representava o bolo de casamento. De longe, pareciam duas esculturas. De repente, eles se moviam! Era gente de verdade. Essa paixão que nos divide - samba ou coreografia? - então não é nova. Mas o carro do DNA a reacendeu. Qual o limite?!
- Um desfile com cinco ou seis alegorias assim pode ficar repetitivo e até comprometer o quesito alegoria e adereços - analisou Ricardo Fernandes, diretor geral de carnaval da Porto da Pedra, que preferiu buscar um equilíbrio, com concepções diferentes para cada alegoria do próximo desfile.
O carro de Baco ("Eh, Deus Baco / Bebe sem mágoa / Você pensa que esse vinho é água..."), por exemplo, terá seis grandes tóneis, com seis casais pisando uvas como se produzissem vinho. É uma solução mais tradicional. Outro carro, o do Entrudo, será teatralizado, numa grande brincadeira de carnaval com o público. A idéia é tentar interagir com quem estiver em arquibancadas, frisas e camarotes.
Na Mangueira, três carros alegóricos terão coreografias, entre eles o abre-alas, segundo informou o carnavalesco Max Lopes. Todos os participantes são bailarinos, somando aproximadamente 100 pessoas. O ensaios, afirmou, acontecem em uma academia. Mas ele não disse quando, como, onde ou quem ensaia. A Mangueira é a escola dos mistérios insondáveis de 2005. Mais do que a Tijuca, que ensaia seus carros-vivos no barracão, evidentemente, em segredo.

Mas não é só em alegorias que a Estação Primeira vai trocar o samba pelo balé. Segundo informa a escola, a coreógrafa Regina Sauer - responsável pelo ''Mar Vermelho'', apresentado no enredo ''Os Dez Mandamentos'' - ensaia 360 pessoas, que vão se exibir ora como uma única grande ala, ora como sete alas independentes coloridas. Elas vão representar a ''Energia Vital'', e encerrarão o desfile da escola.

No ensaio técnico do último domingo, na Sapucaí, o grupo executou a complexa coreografia (ou parte dela, nunca se sabe ao certo). A palavra grupo, em vez de ala, talvez cause algum estranhamento. Mas ela parece mais correta porque os fundamentos daquilo que o povo do samba chama de ala - o canto do samba, a dança livre e apaixonada, e a espontaneidade - não são visto ali. No domingo, o grupo "Energia Vital" evoluía animadíssimo, parte deles com guarda-chuvas abertos, outro com leques cor-de-rosa, num visual muito interessante. Mas muitos não cantavam o samba, marcavam os passos. 1, 2, 3, 4.... 1, 2, 3, 4... vira para direita, 1, 2, 3, 4.... É uma ala?!
Mas é certo! O impacto do que ensaiam pode superar o "Mar Vermelho" (e talvez o do DNA), num espetáculo coreográfico (se funcionar) e estético bem carnavalesco, mas longe do samba no pé: lembra um bloco com marcação rígida: para um lado, para outro; para frente, para trás; todos juntos, só os da direita; todos juntos, só os da esquerda. A execução no ensaio técnico causou alguma tensão - além de um buraco na pista. Um diretor de hamornia chegou a reclamar alto:
- Se não estava totalmente ensaiado não era para fazer!
No que ouviu a resposta:
- O Max (Lopes, carnavalesco) pediu.
Pensam que acabou? Não, né!
A Grande Rio vai botar acrobatas da Intrépida Trupe no abre-alas, chamado "Mãe Terra". Não é a primeira vez que eles participam de um desfile, com suas piruetas, seus saltos mortais. Eles já foram vistos, em anos anteriores, na Mocidade. Se há espaço nas escolas para o balé e para o teatro, por que não para o circo?! A dúvida é o que farão.
Na Portela, cinco carros serão coreografados, entre eles o abre-alas, segundo o carnavalesco Amarildo de Melo. Por conta do enredo de cunho social (as Metas do Milênio, da ONU), a única regra na escola é que metade dos integrantes dos carros têm que ser da comunidade.
- Para bailarinos e atores é muito simples entender esse trabalho. Para o pessoal da comunidade, isto tem um outro sentido, um sentido mais social. O objetivo é integrar - acrescentou Amarildo.
Nem todos os componentes dos carros formarão esculturas vivas, coreografadas; alguns serão personagens que ajudarão a ilustrar o enredo. Os grupos, que começaram a ensaiar uma vez por semana em novembro, agora treinam quase todos os dias.
A Vila Isabel promete encenações em todos os seus carros alegóricos, com destaque para a Plataforma de Petróleo, construída no barracão como apoio de engenheiros, e que levará operários durante o desfile. Mas há grande expectativa em torno do carro que representa o Navio Negreiro, no qual será apresentada uma dramática encenação.
Com tanta coreografia, a pergunta: e o samba?
Cadê?!

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