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Foi há 4 anos...

por neves, aj, em 26.07.06

A partida aconteceu há 4anos (tantos quantos já leva a minha permanência por terras brasileiras), mas eu aqui falo daquela que, de modo drástico, chamamos de partida ou viagem derradeira.Materialmente até sabemos que é, todavia, e tentando manter o próprio equilíbrio, a mente humana criou mecanismossábios demodo a suavizar essa ausência física e permanente e muitos de nós, mortais viventes,acreditam queessa ida será apenas o findar da nossa vida terrena e o começar de outra...que assim seja, consoante a vontade, a esperança ou fé de cada um.
Quanto a mim, bem, a minha mente diz-me que a partida é na realidade uma ida embora após termos cumprido a nossa "obrigação" terrena, é essa viagem sem retorno que a lei da vida (ou da sobrevivência da espécie humana) determina que seja cumprida, bastando-me acreditar no que mais desejo que é perpetuar as memórias... em constante aprendizagem, aprendo como enfrentá-las e a cantá-las emoração a meu jeito de modo a libertá-las do esquecimento, esseesquecimento a que Camões chama deLei da Morte.

Contudo, devo confessar que ando a passar por momento parco de ideias e devo confessar também que tive de me socorrer da transcrição de um poema, que um dia li e não esqueci, para melhor homenagear meu pai, Zé Neves, neste dia de 26 de Julho, dia em que no ano de 2002 aconteceu o que esperávamos, numa tarde de Sexta-feira que eu achava pouco provável, como já vos falei. Daautoria do admirável, citadono Voz, poeta brasileiro Mario Quintana (completaria 100 anos no próximodia 30 de Julho) o poema Espelho poderá vir bem a propósito se as asas da(minha) imaginação souberem pegar-lhe.

Espelho

Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...) 
Parece meu velho pai - que já morreu! (...)
Nosso olhar duro interroga:
"O que fizeste de mim?" Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga... Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste...

 
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Então que fique registado que apesar de nunca perceber de parecenças e de não saber se saio ao pai ou à mãe (com verdade vosdigo que tal nem me preocupa):
- quando me miro no Espelho reparo afinal que cada vez mais os genes demeu pai estão me invadindo Lentamente, pêlo a pêlo (de cabelo).Acreditai queme divirto com a situação e que até sinto orgulho da careca, porque sei eu bem quenada tem a ver com as águas ou com o clima. Mas, tal como nas palavras deQuintana, e como isso (a fuga do cabelo)não bastasse vejo ainda no Espelho a teimosia do menino e os planos que seforam, e também reparo no sorriso dos olhos (que um dia também eu vi)quiçá de orgulho (que não defino se triste ou alegre) pelas palavras que o Sevencolocava no jornal.

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publicado às 22:37




  


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