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Sr. Zé Pires (foto)

por neves, aj, em 17.11.06
um clique leva a ampliação

[a prece foi ouvida, ou lida, melhor dizendo]

Concentrado, com um Português Suave, talvez, fumegando entre dedos, o mestre repousa em rocha à beira do rio... a indispensável boina que cobre os cabelos grisalhos protege também os seus olhos de lince fixos na correnteza das águas onde mergulhou a isca. A cana, essa certamente  repousa em forcalha qualquer de amieiro e o mais ténue dos movimentos do mais esperto dos barbos não escapará à sensibilidade de sua perna direita... seria Inverno, talvez, a atender p'la samarra vestida e de certeza, certezinha, que era algures nas margens do Dão.
 

Antes de mais,umas considerações... como prova testemunhal do simbolismo representado p'loSenhor Zé Pires, quero contar-vos caros amigos leitores e leitoras, que como segerou um movimento na minha Santa Comba natal à volta do texto publicadohá uns dias... e posso jurar-vos de pé bem firme, porque como bem sabeis, nãosão estes meros 8 mil quilómetros atlânticos que vão impedir as ondas da rede das redes de chegarem até mim.
No entantofaltava uma foto, a foto do sr. Zé Pires que, para além de me embelezar otexto, vos descreveria a sua pessoa melhor que as minhas mil palavras. Tal comoo exímio pescador, lancei o isco e fui feliz, aliás todos vamos ficar maisfelizes ao reler o
textoanterior, porque oamigo Zé Augusto presenteou-nos com uma foto espectacular de seu tio-avô.
Em cartaelectrónica e após os tradicionais cumprimentos e agradecimentos, o ZéAugusto, recorda-me que a velhinha foto foi tirada por meu irmão Assis ese a citação aqui é feita não é por motivos de exultação ao sangue, antessim como prova de gratidão por ele ter tornado possível este post. Emprosa fluida e agradável, a merecer convite para se juntar ao Voz do Seven, o chefeZé (interrompo para enviar aquele abraço ao chefe Lemos) relata-nosainda na sua mensagem algumas passagens com seu tio dignas de serem publicadas eassim
, caro Zé Augusto,com o devido respeito...
"... falando do ZéPires... lembro com saudade muitas e muitas vezes, foi realmente a pessoa que mais me marcou a infância.Fui seu companheiro de quarto durante muitos anos, aluno atento na arte da pesca, damas e xadrez, seu "perdigueiro" em muitas saídas de caça, recordo-o no esplendordas suas barbas brancas, no dedilhar a viola sentado na beira da cama e de cigarro ao canto da boca ou no contemplar tranquilo das águas do Rio Dão esperando que algum barbopicasse..."

O Zé finalizacom o melhor dos parágrafos, talvez aquele que na verdade me escapou no textoque redigi...

"... aquele homem bom viveu a vida que sempre quis viver, com dificuldades às vezes,incompreendido outras, mas sempre livre, sempre ele próprio."

Mais nãodigo...

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publicado às 16:36

P'ra morrer...

por neves, aj, em 17.11.06

basta estarvivo... é bem verdade e assim canta a sabedoria popular, quiçá numa tentativade atenuar as terríveis interrogações de mortes que tantas vezes nosparecem  inexplicáveis.

P'ra viver...bom, aqui já não podemos ser tão textuais  e dizer simplesmente quebasta não estar morto, porque sabemos nós, e como bem sabemos apesar degostarmos de fugir à discussão, que o coração pode bater e os pulmõesventilarem e afinal o rei dos animais, o verdadeiro rei, supremo pela suaracionalidade, não passa de um vegetal cuja concepção de vida écompletamente diferente daquela a que nos propusemos, nós seres humanos, quandoviemos para este mundo... outros temas p'ra outras alturas...

P'ra viver...quanto a mim... olhem, eu hoje tive a constatação que p'ra viver ou p'lo menospara evitar que a morte chegue mais cedo é importante atrasarmo-nos... parecementira, caros amigos, mas hoje vou defender com unhas e dentes os atrasados.

Antes de maisserá importante dizer que toda esta lenga-lenga literária está aqui a vir apropósito, porque hoje, Sexta-feira, 17, eu e a minha Maria (oh como eu adorodizer isto aqui em terras de Vera Cruz) tivemos que ir ao Banco pagar duascontinhas (o sorriso irónico fica para comigo)... o IPTU (a predial urbana) eaquela outra que nos apresenta a soma do número de impulsos gastos por essaodiosa maravilha construída em primeira mão (e não inventada) pelo senhorBell... maravilhosajá que permite que a minha voz atravesse o Atlântico num instantinho, mas nãodeixo de a odiar com todas as minhas forças no mês imediatamente a seguir.

Falava eu dosatrasados... é... acontece que hoje, logo hoje, ela, a minha Maria, arrumou-se,trocou-se, em suma, aprontou-se para sair mais cedo do que eu (calma aí que omotivo de eu me atrasar não se prende, de jeito nenhum, com essa modernice demetronãoseiquê). O motivo foi bem simples... estava às voltas com esta velhacarcaça que me permite comunicar com vocês, lendo as mensagens recebidas epreparando futuras entradas. Bom, faltariam aí uns 15 minutos (o quarto de horaluso) para as 10 horas da manhã, curiosamente as 10h é a hora de abertura dosBancos, quando, num ápice e ao som daquela musiquinha de fundo tocada por quemespera, me coloquei sob a água do chuveiro (quase fria que a manhã jáescaldava) e não teria ainda passado meia-hora quando nós os dois jáescalávamos a Rua Pereira Leite que, uns duzentos metros acima, nem tanto,desemboca na Rua Heitor Penteado onde se localiza a agência do Banco do Brasilque procurávamos.

O tempo quedemorámos não o posso determinar, mas é sempre bom lembrar que somosobrigados a caminhar devagar visto que para agravar as dificuldades sentidas porminha companheira, fruto da tal quebradura, existe a indecência das calçadasou passeios se se pode chamar de passeios para pedestres uma faixa de terrenoinclinado (verdadeiramente em rampa) construído unicamente com o propósito deo senhor automobilista colocar a máquina o mais rápido possível na garagem desua casa.

Se o tempo quedemorámos não o sei, o que posso é afirmar que logo que chegámos à HeitorPenteado (o Banco estaria a uns 100 metros se tanto) um barulho ensurdecedor desirenes ecoava nos ares... passou uma ambulância de resgate e logo de seguidaum carro de Polícia à frente de outra ambulância. "Houve coisagrossa", disse eu p'ra Maria e logo de seguida acrescentei "mesmo àfrente do Banco"... não imaginava eu que ao passar p'lo barbeiro que devez em quando me apara os pêlos da cara (mais brancos, mas ainda cá andam) eos que crescem sobre as orelhas (no centro da cabeça já existe pista deaviação) tomo conhecimento que... "o Banco do Brasil foi assaltado... ehouve tiroteio...".

Post-scriptum- Muito a sério... vim a saber que houve doismortos econtrariamente ao que me tinha dito o barbeiro, os dois que foram baleadosmortalmente eram vigilantes do Banco, homens que cumprem o seu dever,protegendo-nos, e que sempre nos transmitem uma certa tranquilidade quando nosdeslocamos a estes locais... para eles singela homenagem bem sentida.

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publicado às 14:56




  


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