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Outeirinho, o berço

por neves, aj, em 21.01.08

Tanta volta que a Terra deu e eu sem te escrever ditosa Santa Comba, mas hoje regresso em força não pela quantidade de escritos que te vou dedicar antes sim por divulgar em homenagem um dos teus mais belos locais que vejo alindado e limpo. Que sintas tanto prazer em ler e admirar como eu tive em construir.

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Teria mui provavelmente apenas três ou quatro dias quando eu, o Tó-Zé filho da Rosita, passei a ser mais um dos residentes do Outeirinho. No entanto será importante frisar que foi bem antes que eu comecei a fazer parte desta pequena comunidade. Para mim foi desde o instante em que o espermatozóide gingão se uniu a um óvulo de minha mãe transformando-o em ovo que começou logo a dividir-se, em multiplicação celular, por aí fora a caminho do organismo.
Com naturalidade e durante meses o ventre de minha mãe foi crescendo e apesar de não ser visto nem escutado passei a ser conhecido lá na rua como o bebé da Rosita que iria nascer lá para Novembro não se sabendo porém nesses tempos de antanho em que as ecografias desmancha-prazeres eram pura miragem como me iriam chamar, se António ou José ou se Rosa como minha mãe, provavelmente Margarida em homenagem a minha avó ou quem sabe Emília como minha madrinha: é que o desejo de “sair menina” era tão grande que na volta teriam dado mais atenção ao estudo de um nome feminino. Compreensível, afinal lá por casa minha mãe já andava bem entretida com três pares de calças e outros tantos cadilhos. Ter-se-iam feito apostas, talvez e até colocado uma agulha na palma da mão de minha mãe à espera que rodasse. Rodaria umas quantas vezes para menina outras não para menino. Nada me consta dos resultados estatísticos, sei é que pelo sim pelo não minha mãe evitou costurar predominantemente numa das cores, rosa e azul, e esperar pelo produto final que a Natureza, que não roda pela vontade das pessoas, se encarregou de construir como varão e então lá tiveram de se socorrer do nome de meu vizinho, irmão de minha madrinha, e que muito provavelmente até seria o meu futuro padrinho não fora o facto de se encontrar ausente por terras de África.
A Rua (do Outeirinho) era extremamente calma na altura e nela em liberdade cresci e brinquei, jogava a bola e andava de triciclo, era acarinhado por todos, feliz, mas também foi nela que vi o vermelho do sangue nos arranhões e esfoladelas. Digamos que a rua foi o meu jardim-escola. Contudo, no final da rua havia o "jardim proibido", o largo, que mal protegido por muro de alguns cinquenta centímetros de altura, se tanto, era o "rebenta coração" das nossas mães. Estas se porventura perdiam o filhote de vista esvoaçavam espavoridas de mediato para o dito largo podendo, no entanto, o malandreco estar escondido atrás de uma porta em casa da vizinha, surdo e mudo bem entretido a comer umas bolachitas. Verdade. Palavra de glutão.
Mas alto aí que não éramos invasores de casa alheia e sim traquinas ou talvez um pouquinho desobedientes apenas sendo importante lembrar que estávamos em tempos em que as portas da vizinhança se cerravam unicamente à noite e os filhos da vizinha eram considerados filhos também.
Por isto e por muito mais o Outeirinho é sangue que me corre nas veias. Impossível esquecê-lo e obrigatório recordá-lo, homenageando-o principalmente quando chegam até nós fotografias tão maravilhosas como as que o amigo JVicente colocou no álbum dedicado à nossa cidade de Santa Comba Dão e que vai sendo construído com o pensamento em nós, nós os santacombadenses ausentes.
Todas as palavras do léxico ainda serão poucas para te agradecer caro Vicente e convicto que a nossa amizade o permite tomei a liberdade de pescar algumas dessas fotos e levá-las para aquário dedicado exclusivamente ao Largo, ao Miradouro ou Mirante, que aqui chamo de OUTEIRINHO - O MIRANTE e que espero ser frequentemente oxigenado por cliques dos nossos visitantes.

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publicado às 16:53




  


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