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Uma por dia 9

por neves, aj, em 10.02.08

... a Estação.

(e com o bichinho a roer-nos as entranhas não nos limitámos a publicar as fotos antigas da Estação de Santa Comba e de alguns trechos da Linha: metemo-nos a falar de comboios e até recordámos o Chelas. Como durante a pesquisa encontrámos um vídeo da Estação na actualidade, não deixámos de lhe fazer ligação)</font>

Por nenhum motivo em particular, parece-nos, fomos acometidos de vontade em viajar. Diremos que de forma inexplicável e também inesperada já que nem tempo tivemos de emalar a trouxa. Certamente que se lembram que na etapa anterior ficámos no coração da então Vila, ao lado da Câmara Municipal no Largo do Município, e para recomeçar a saga nada seria mais natural como percorrer parte da hoje apelidada Alexandre Herculano e em desvio oportuno pela N. Srª da Ascensão, a rua do Cova Funda, chegar ao Jardim mesmo ao lado da Igreja Matriz, zona importante do burgo e fortemente fotografada quer nos dias de hoje quer nos de antanho... e verdade seja dita que no nosso arquivo possuímos alguns belos exemplares daqueles tempos já idos.

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Mas, certamente para não cansar os nossos leitores com imagens sistemáticas do casario santacombadense, a nossa mente como que por instinto partiu em busca de novas paisagens. Novas como quem diz visto que elas são bem antigas, antes sim outras paisagens. Recuando alegremente à adolescência a memória resolveu então descer em direcção ao Rio e cremos que pela antiga Via Cova, apesar do emaranhado das imagens não lhe permitirem reconstruir o percurso nas melhores condições. Esteve para ficar por aí, pelo Dão dos mergulhos e das pescarias, mas num repente optou subir por aquela antiga calçada da resineira e da fábrica de sabão (o odor é inesquecível) aportando então à Estação de Caminhos de Ferro de Santa Comba Dão, zona que na altura era designada por Santa Comba Dão-Gare e que não sabemos se ainda se mantém.
É sabido que pior que ir a Roma e não ver o Papa é, sem dúvida, estar numa Estação e não falar de comboios (esclareça-se que este comboio lusitano se refere ao trem brasileiro). Em breve resenha lembramos que o Caminho de Ferro, nascido na Inglaterra no alvorecer do século XIX, foi o motor de arranque do desenvolvimento de inúmeras sociedades e ainda hoje é transporte deveras querido, talvez o mais carismático deles, pleno de histórias, e que continua transportando milhões e milhões de pessoas (e toneladas de mercadoria). Em Portugal, a data de 28 de Outubro de 1856 é o marco do nascimento deste transporte revolucionário que chegou a ligar quase todo o país. A nossa cidade de Santa Comba Dão não ficou a ver navios e passou a fazer parte dessa rede em 3 de Agosto de 1882, dia que assinala a inauguração oficial da Linha da Beira Alta. Esta, como nos diziam na Escola, ia da Figueira da Foz à Guarda com ligação a Vilar Formoso, mas hoje na verdade já não começa naquela que foi considerada a rainha das praias portuguesas e sim na Pampilhosa (ponto de encontro com a Linha do Norte que vai de Lisboa ao Porto). Depois percorre umas duas centenas de quilómetros até Vilar Formoso e une-se com a ferrovia espanhola. Estamos assim perante uma via internacional que nos anos dourados da emigração levava milhares de nossos compatriotas de semblante carregado até à Gare de Austerlitz em Paris, mas que em Agosto do outro ano os trazia alegres e risonhos carregados de malas e sacos e os distribuía por estações e apeadeiros semeados ao longo da linha. Em pequeno parêntesis mais do que necessário lembremos (e homenageemos) a mais célebre máquina fotográfica do mundo, o garrafão de cinco litros mais conhecido por palhinhas, que acompanhava o emigrante e que se para casa vinha vazio era depois recarregado com bagaço ou tinto caseirinho de forma a "matar a saudade" lá na estranja.

Bom, como de costume alargámo-nos na prosa, afinal só queríamos chamar a atenção dos leitores informando que colocámos mais algumas fotos no álbum SANTA COMBA DÃO - FOTOS ANTIGAS, mas quem fez do comboio ou trem o seu transporte durante um período da vida jamais o pode esquecer e quando nele fala até se perde. Olhará para ele sempre com carinho, como nós, memorizando para todo o sempre a sequência de estações e apeadeiros (pontos de paragem de menor importância) ao longo do percurso assim como os túneis e pontes. Recordará inúmeras histórias recheadas de peripécias, desde a fuga ao "pica" por viajar sem bilhete aos almoços madrugadores de presunto e broa de milho oferecido por homens e mulheres que viajavam desde as serranias da Estrela à consulta médica na cidade do Mondego, sem esquecer, claro, as muitas amizades que se conseguiam algumas delas carregadas de romantismo e aventura à mistura.

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publicado às 17:39




  


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