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A bela adormecida

por neves, aj, em 27.03.08

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Se não amasse tanto a Língua talvez me atrevesse a colocar título tanto ou mais apelativo e tão charmoso quanto Paris by night que já encontrei por aí na rede, mas prefiro assim e ficar de bem com a consciência, ao mesmo tempo que não incomodo o sono tranquilo de Camões e Pessoa nem mesmo o de Aleixo na apresentação deste embalo que aqui vos deixo. Ele, o conchego, não é mais que uma apresentação de slides, PowerPoint, onde reuni as imagens possíveis da ditosa Santa Comba fotografada durante a noite. A variedade de fotos não é grande, admito, e sei perfeitamente que a mãe-terra merecia divulgação mais apropriada, mas acreditai ó gentes desse lado que coloquei todas as imagens que avistei.
Sabeis uma coisa? Fico triste em ver que se contam pelos dedos de uma única mão os santacombadenses que divulgam Santa Comba por imagens, mas muito mais triste ainda fico, verdadeiramente desiludido, por constatar que o sítio oficial, da Câmara Municipal, não nos oferece fotografias de divulgação. Entre um emaranhado de ligações (deveria estar bem visível, bem ao alcance do mais inábil nestas coisas de navegação) consegui chegar à
fototeca municipal, mas a partir daqui as ligações morrem. Claro que estas falhas nas ligações acontecem no mais completo dos portais e em vez de fazer juízos críticos por comparação com o anterior portal resolvi escrever mail a avisar do problema pedindo quase encarecidamente que me respondessem... até hoje nada de nada.

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Claro que darei a mão à palmatória, aliás as duas, se por acaso o problema técnico estiver ausente da construção do portal e for por aqui na recepção, pedindo já desculpas em antecipação por este desabafo/protesto que surgiu nem tanto pela anomalia em si, mas pelo silêncio, avisando, contudo, que ele é politicamente imaculado... verdade meus caros amigos e amigas, acreditai, porque a esta distância e com essa montanha de água a separar-nos digo-vos com muita sinceridade que depressa aprendi a borrifar-me para as questiúnculas político-partidárias que andam por aí. Se as partes envolvidas se dignarem aceitar um conselho então aqui vai ele: lutem de mãos dadas em discussão profícua livre de interesses pessoais e de partidos por uma Santa Comba Dão melhor em constante progresso e cada vez mais bela e arranjadinha.
Bom, mas como diz o poema, existe sempre alguém que diz não. Não às faltas ou falhas e diz sim ao amor à terra e à amizade aos santacombadenses ausentes. Tive o cuidado de lá, na gracinha que construí com o pensamento único na divulgação da minha nossa terra, revelar a minha gratidão, mas não é exagero se aqui endereçar novamente os agradecimentos a Ant. Maria Matos,JVicente e Foto Flash pela amabilidade em terem colocado online as fotos nocturnas que possibilitaram a construção do álbum SANTA COMBA DÃO À NOITE.

Resta esperançar que a sua observação e apreciação vos dê, pelo menos, tanta satisfação quanta a que tive na sua elaboração.

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publicado às 09:22

Uma por dia 17

por neves, aj, em 20.03.08

... os moinhos, o caneiro.

O postal fala-nos em Praia na legenda, mas assente-se que não estamos no Verão. De jeito nenhum. É verdade que dois valentões se apresentam em calção de banho (apenas observáveis em foto ampliada no álbum) mas a correnteza e o volume de água a passar por cima das rochas do caneiro indicam-nos que a época balnear ainda está longe e os doisabusados, destemidamente empoleirados nas pedras dos moinhos, devem estar a curtir um dia de Sol de Abril. Talvez, Maio.

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Por outro lado vemos que os moinhos, essa aparente amálgama de pedras sobrepostas com três portas de onde brota água, ainda não foram montados.
Vida de moleiro não era fácil, não: antes das primeiras cheias do Rio, lá por Setembro, Outubro o mais tardar, tratava de desmontar tábua por tábua o moinho que lhe permitiu ganhar o pão durante o Verão e quando as águas baixavam era então altura de limpar tudo e fazer consertos, colocar rodízio e mós e ajeitar as pedras, levantar as paredes e pôr o telhado. Este moinho no Dão era como que a sua residência oficial de Verão onde passava grande parte do dia e da noite, muitas das vezes, já que não é de agora o aparecimento do "amigo do alheio" e por outro lado a época estival era altura de maiores encomendas. Sabemo-lo bem. É que esta vida de moleiro enfarinhado vivida entre mós e pás de rodízios, entre sacas de grão de milho e trigo etaleigas de farinha, não nos é alheia de todo. Dela também fizemos parte na nossa infância e adolescência embora não como operário e sim como auxiliar, antes acompanhante, de um primo que hoje, curiosamente ou talvez não, é industrial de panificação e que ainda conserva em funcionamento uma destas oficinas ancestrais fazedoras da melhor farinha. 
Os moinhos e o caneiro, este afinal uma correnteza de pedras artisticamente colocadas a "travar" as águas e que permite a passagem para a outra margem, funcionavam como uma fronteira. Para cá, para baixo ou jusante, era o Vento e os demais poços que já falámos. Era também o rebuliço e o divertimento, principalmente aos Domingos, o único dia de folga semanal no antigamente. Lá para cima, para montante dos moinhos, era como que outro mundo. Por caminho escavado entre rochas que até consegue ser perceptível no lado esquerdo da foto, mas melhor observável no  álbum SANTA COMBA DÃO - FOTOS ANTIGAS, alcançava-se zona muito mais tranquila que durante os dias da semana vivia praticamente deserta, embora, soubemo-lo mais tarde quando já bem  espigadote, fosse ambiente mais do que propício a encontros e trocas de olhares entre pares e que, curiosamente, anos após até deram o seu fruto. Não só o nosso, diga-se de passagem, mas nesta crónica preferimos recuar mais e sentirmo-nos ainda criança, deixar talvez para outra ocasião esses tempos da adolescência (belos e impossíveis de apagar) e antes lembrar que aos Domingos este local acima do caneiro se enchia de famílias. É verdade caros jovens de agora, os santacombadenses de então também se divertiam e a mais apetecível das recreações seria, sem dúvida, ir "passar o dia" no Rio. A família Neves não era excepção. Embora não indo ao Rio tantas vezes quantas as desejadas por este que vos tenta relatar de modo preciso as lembranças que lhe invadem a mente, os Neves do Outeirinho de vez em quando (ou seja um Domingo ou outro) lá partiam de armas e bagagens, literalmente, até às margens do Dão. O local escolhido era sempre ou quase sempre este acima dos moinhos, mas até lá chegar e assentar arraiais a família Neves passava por uma verdadeira maratona com a matriarca a andar numa autêntica roda viva. Logo de manhã, ainda cedo, era o finalizar de emalar a trouxa já alinhavada de véspera e que dava a ideia de irmos mudar de residência: eram as almofadas e mantas para nos estendermos sobre a areia, os calções de banho e toalhas, e provavelmente uma bola de borracha, eram alguidares e panelas, a grelha para assar as sardinhas e as respectivas, as batatas que seriam cozidas com a pele (fardadas), os pimentos que seriam assados nas brasas juntamente com a sardinha, os tomates e os pepinos para a salada, o azeite e o vinagre e as cebolas, os pratos e os garfos, a broa de milho, o garrafão de vinho e as garrafas de água e o inevitável melão que antes de "armarmos a tenda" mergulhavam de imediato na água do rio para refrescarem para o almoço. Se se acrescentar que todos os tarecos tinham de ser levados às costas em percurso de mais de um quilómetro já podem ver, caros amigos, que a ida ao Rio era um verdadeiro inferno principalmente para minha mãe. "Fico doente" desabafava ela quando no final do dia chegávamos em casa. Ah e já nos esquecíamos de dizer que quando a maralha estava toda junta éramos quatro varões e um pai (a gataria ficava em casa pelo quintal) e, dignos de registo, ainda haviam os esquecimentos da praxe: talvez um garfo ou uma faca, quem sabe um prato.
E por aqui nos ficamos, com estas recordações limpas e saudáveis livres de nostalgia daqueles tempos em que o Rio era o Dão e as memórias não estavam submersas por essaimensidão de água que agora vedes.

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publicado às 10:00

Dia do Pai

por neves, aj, em 19.03.08

Image hosted by Photobucket.comAté parece que quando se chega a Pai a lembrança do Dia do Pai como filho esmorece e mais afrouxa se se estiver na condição de órfão. A agravar esta lassidão o Atlântico que nos separa fabricou duas datas bem distintas para a efeméride, por aqui é o segundo Domingo de Agosto, e se não fora a nossa própria memória o dia amanhecia como um igual aos demais já que a evocação nos habituais meios informativos esteve, logicamente, ausente. Daí, talvez, este zero de vontade em colocar palavras ou flores no Voz a lembrar a data.
São José foi falado no telejornal do almoço, afinal é o seu dia em todo o mundo católico, mas nem isso me despertou o desejo de escrevinhar algo. O que nem seria lá muito difícil, convenhamos, talvez dizer que neste dia costumava passar pela Alfaiataria para cumprimentar o Zé Neves, meu pai, que era costume (penso que ainda será) os "Zés" da minha terra se juntarem em almoço de confraternização e que antigamente a celebração do dia como Dia do Pai, por aqui Dia dos Pais, quase que passava desapercebida por ainda não fazer parte da agenda dos fazedores de mercados.

Até parecia que o dia ia ficar em branco já que a vontade de escrever fosse o que fosse estava como que congelada, mas eu sabia que de um momento para o outro tudo se alteraria. Trim... num repente, tão desejado como já esperado, a campainha do telefone fez-me sorrir de orelha a orelha e quando ouvi a voz dacoisinha tão bonitinha do pai convenci-me então e finalmente que o 19 que tinha marcado na folha de Março assinalava na verdade o Dia do Pai.

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publicado às 15:08

Mais um Neves

por neves, aj, em 17.03.08

Ontem Domingo chegou-me, via e-mail, uma agradável comunicação: que da árvore dos Neves tinha brotado um novo rebento. Filho de sobrinho será então sobrinho-neto e devo considerar-me como tio-avô, um avô colateral que espera com calma, a bastante e necessária, para sê-lo por linha directa. Ora deixa cá ver então... puxando pela calculadora acrescento mais um aos sete que já tenho e fico com oito. Maravilha. Só faltaria acrescentar "estou velho" mas está claro que não estou, estou sim, contente.
Parabéns aos jovens pais, meus sobrinhos, que desejo extensivos aos avós não só aos deste lado, mas também aos maternos residentes nas belas margens do Douro.
Para o Henrique, o recém chegado, desejos de uma vida bem risonha e que um dia destes nos possamos conhecer.
Até lá.

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publicado às 13:36

Uma por dia 16

por neves, aj, em 15.03.08

... a praia, a praia fluvial.
Quem tinha Dão não necessitava do Atlântico: desde jovens, os filhos de Santa Comba usufruíam do privilégio de gozar a calmaria estival das suas águas  onde cedo aprendiam a nadar e a divertirem-se em animadas brincadeiras.

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É certo que os espaços arenosos eram limitados, bastante, e os grãos de areia muito mais volumosos, grossos, desafiavam os pés mais sensíveis. É também verdade que estava ausente a (maravilhosa) sensação de impulsão dada elas ondas do mar, mas sobrava sombra, por exemplo, oferecida por frondosos salgueiros estrategicamente colocados à beira-rio onde sonecas eram tiradas e merendas saboreadas. Os penedos em laje, onde se secavam os corpos molhados e que também funcionavam como prancha para acrobáticos mergulhos, eram outra regalia ímpar. Uma das grandes vantagens das tardes de veraneio no Rio era que nenhum miúdo se perdia da vista de seus parentes ou amigos e não era necessário nadador-salvador empoleirado am cadeira: a vigilância era feita pelos olhos atentos e amigos dos mais velhos. Depois, estes, os mais velhos, cedo ensinavam os caçulas na arte da natação e sem aulas particulares de experientes professores aprendia-se a sobreviver. A tranquilidade e a harmonia reinavam.

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No entanto, cada vez que me era concedida a permissão de ida ao Rio ouvia um rol de recomendações. Mas antes, para obter essa concessão eu percorria uma verdadeiraVia Sacra, pior que preenchimento de formulário do IRS (apenas IR pelo Brasil). Começava por minha mãe a quem tinha de enumerar as "testemunhas abonatórias" de uma ida tranquila. Se a matriarca dizia não, era não e acabava-se a "discussão" acompanhada de choro e resmunguice, claro. Se porventura minha mãe até entendia que eu iria em boas mãos, tinha no entanto de passar pelo crivo das (boas) vontades de meu pai. Mais difícil, claro. Quando ouvia que "isso é com a tua mãe" corria logo em direcção a casa para preparar a toalha e os calções de banho: a ida ao Rio Dão seria um facto. Só se tornava necessário, nesses tempos que telefone era luxo só de alguns, levar a mãe à fala da pessoa responsável pela minha protecção.
Provavelmente em luta entre a felicidade de saber que eu me iria divertir e a inquietação que a minha ida ao Rio fora da sua alçada sempre lhe causava, minha mãe lá ia preparando a merenda para saciar o (meu) apetite voraz que uma tarde de diversão provoca. Claro que cada sandes (a moderna sanduíche) de omelete, de bacalhau frito ou de marmelada era intervalada de recomendações e a promessa de obedecer a quem estava a responsabilizar-se por mim. Já na rua ouvia de minha mãe a última das recomendações: que a água não tinha cabelos para eu me poder agarrar. Nunca me saiu da cabeça e ainda hoje a emprego. 
Isto passar-se-ia, talvez, até aos meus 13/14 anos. Não sei precisar. Depois, provavelmente pelo testemunho de que eu já saberia nadar, comecei a ter permissão de ir sozinho. Sempre com as recomendações atrás. Poderá parecer o contrário, mas sempre as levei a sério e respeitei sempre a água: tive sempre em mente que a água não tinha cabelos.

Fugindo destas recordações já que o tempo e o espaço no Voz nos falta (por tantas e tão boas que elas são) vamos à foto que hoje por acaso até são duas.
A primeira mostra-nos Um Trecho do Rio Dão: a mais célebre das curvas do Rio local do maior ajuntamento de pessoal na estação mais quente do ano. A referida fotografia retrata-nos, sem dúvida, um Dão ainda longe do Verão: o nível das águas está alto e os bancos de areia pouco extensos. É uma panorâmica e pouco mais haverá a dissertar. Já a segunda nos dá a visão do Dão em pleno Estio: atente-se no lençol ou cobertor estendido a secar no areal que é prova provada que o rio não era só diversão, mas também enorme tanque onde no Verão se lavavam as pesadas roupas de Inverno, e atente-se também nessa correnteza de pedras em primeiro plano, local de tão saborosas brincadeiras dos mais miúdos. No entanto, o título da fotografia merece um grande reparo: é que não estamos no Poço do Vento. De jeito nenhum. Ele situa-se (ou situava-se) mais acima, mais a montante.
Mas da rectificação e das memórias debruçar-nos-emos mais pormenorizadamente no nosso álbum SANTA COMBA DÃO - FOTOS ANTIGAS.

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publicado às 03:49

A Minha Terra... Santa Comba Dão

por neves, aj, em 07.03.08

http://www.santacombadao.nireblog.com/

Nasceu mais um blogue, porque divulgar é preciso.

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Exactamente no dia 3 deste mês de Março, a imensidão maternal da blogosfera brindou-nos com mais um blogue defensor dos interesses santacombadenses e que recebeu a explícita denominação de A Minha Terra... Santa Comba Dão. O seu principal objectivo é a "divulgação da nossa linda cidade", como nos citou a jovem mãe do projecto em comunicação via mail onde ainda nos solicitava permissão para se socorrer de um ou outro escrito ou mesmo imagem publicados aqui no Voz do Seven.
Seria desnecessário pedir, mas assim o entendeu a estimada conterrânea que se assina como marinamarques. Virá a propósito lembrar aos detractores fundamentalistas que apesar da selvajaria que impera pelas ondas da internet a ética e o bom relacionamento entre colegas não são palavras vãs. É verdade que cuidados e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, mas não podemos ver em cada nome, pseudónimo ou nickname um vilão ou bandido.
Claro que a permissão foi concedida e Voz do Seven coloca-se à inteira disposição do A Minha Terra... Santa Comba Dão que agora, caros leitores, necessita também da vossa colaboração para ter pernas para andar: uma visitinha assinada com uma palavra de ânimo é o maior dos elixires, palavra de bloguista ou blogueiro (e, embora pelos cabelos, lá nos vamos adaptando à nova linguagem).

Como mais velhos nestas andanças cumpre-nos dar as boas vindas ao (blogue)A Minha Terra... Santa Comba Dão lembrando que na respectiva coluna da página principal de cada um dos modelos do Voz já se encontra uma ligação (link) que leva a ele.
Antes de finalizarmos impõe-se ainda enviar mares de felicitações e rios de inspiração à jovem Marina criadora do blogue, uma santacombadense natural de Vila Pouca (São Joaninho) residente na Invicta cidade do Porto e que faz parte do nosso círculo de amizade na comunidade do hi5. Aliás, foi de um álbum  alojado na sua página que tirámos afotografia que embeleza esta entrada.

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publicado às 04:53

Uma por dia 15

por neves, aj, em 06.03.08

... a Ponte sobre o Dão.
Aqui, não restarão dúvidas que estamos perante postal mais recente que o anterior. A perspectiva é também outra sendo notória a intenção do fotógrafo em focar (focalizar) a encosta sobranceira ao Dão e a Capela do Senhor da Ponte no extremo direito da ponte e da imagem.

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No cimo do pequeno outeiro, afinal um outeirinho, sobressai a imponência da Igreja Matriz. Ladeando o templo sobressaem igualmente uma construção residencial do lado esquerdo que se deve considerar respeitável dada a sua notoriedade e do lado direito uma árvore de grande porte.
A centralização da nossa escrita nestes três pontos da linha do horizonte não é por mero acaso visto que em fotomontagem que preparámos e da qual damos abaixo uma amostra reduzida poderemos fazer uma comparação da evolução do aspecto desde estes tempos de antanho à actualidade. Importante de referir que junto à Capela desembocava via de comunicação dos tempos da romanização, a Via Cova, que ligava o burgo de Santa Comba Dão (início junto da árvore) ao Rio Dão. Saliente-se que embora tenhamos empregue os pretéritos dos verbos a Via Cova ainda existe, só que perdida entre matagal.

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Sabemos que não seria necessário, mas lembramos os estimados leitores que ambas as fotos já fazem parte do nosso álbum SANTA COMBA DÃO - FOTOS ANTIGAS onde constam igualmente mais pormenores que nos afloraram à mente.

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publicado às 12:17

Uma por dia 14

por neves, aj, em 01.03.08

... A Ponte sobre o Dão.
Conta-nos a Memória que "foi esta ponte cortada em Setembro de 1810 pela invasão do exercito francês commandado por Massena foram reedificadas as suas ruínas e de novo feitas estas cortinas dos lados e a estrada e calçada da parte do sul mediante o paternal desvelo do excelso imperador e rei o senhor D. João VI em 1825  e gastaram-se 3.898$055 anno domini MDCCCXXV" [fonte]
E, antes de nos debruçarmos sobre a Ponte, a nossa memória leva-nos já de imediato às Invasões Francesas, mais propriamente à terceira e última comandada pelo marechal Massena que na Serra do Buçaco constatou o quão difícil seria tomar o pequeno rectângulo à beira-mar plantado. O calendário marcava o dia 27 de Setembro de 1810 e as tropas luso-britânicas ou anglo-lusas se preferirem infligiram pesada e (quase) definitiva derrota aos exércitos napoleónicos naquela que ficou conhecida como a Batalha do Buçaco.
No entanto, enquanto os bravos lusos comandados pelos generais ingleses se batiam em defesa da Pátria, sua Alteza Real o Príncipe Regente, em substituição de sua mãe incapacitada por loucura, e  sua corte (se preferirem corja) estavam a banhos pelo Rio de Janeiro. Aquele que viria a ser D. João VI tinha fugido em Novembro de 1807 dias antes das tropas de Junot (1ª invasão) entrarem na capital Lisboa. Aportou a terras brasileiras, Salvador da Bahia, em Janeiro de 1808 e em Março montou arraiais na então capital Rio de Janeiro donde sairia, cremos que em contrariedade, só em 1821. Como vedes, separam-nos destes acontecimentos exactamente 200 anos que estão a ter honras comemorativas por aqui por terras brasileiras, mas muito em particular, como se depreende e compreende, pelo Rio de Janeiro.
Já com a Ponte no pensamento damos ainda uma última vista de olhos às palavras redigidas na Memória, trazida agora para local onde escapa à submersão das águas da Aguieira, e reparamos que a reconstrução da Ponte sobre o Dão foi feita no ano de 1825 durante o reinado de D. João VI que aqui é chamado de imperador e rei, não sendo especificados os nomes dos reinos que possuía em título. Poderá parecer estranho o que acabámos de dizer, mas será importante recuar no tempo e recordar que após o falecimento de sua mãe em 1816, D. João VI foi aclamado (ainda no Rio de Janeiro, lembramos) Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, título que curiosamente não consta  da inscrição na Memória muito possivelmente por seu filho Pedro (futuro D. Pedro IV) ter já proclamado unilateralmente a Independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822, o ano imediato ao regresso de D. João VI a Portugal. Registe-se que foi no ano anterior à sua morte ocorrida em 1826, que D. João VI reconheceu o Brasil como Estado Independente.

A Ponte, finalmente...
À velha ponte de nada valeu memória tão rica. O progresso implacável não se compadeceu da História que as suas pedras guardavam (e guardam, note-se bem) e num Inverno já distante aí há quase quatro décadas afogou-a sem apelo nem agravo sem sequer lhe agradecer pelos serviços prestados em simples mas merecida homenagem de despedida, fazendo-a pura e simplesmente desaparecer em lenta agonia, centímetro por centímetro, até à submersão total. Vale-lhe agora a ela e aos seus admiradores a compreensão da Mãe-Natureza que todos os anos lhe permite emergir, não totalmente é certo, mas aos pedaços: um pouco em Estios ditos normais e consideravelmente quando se instala um período de seca mais longo.

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Não pensem no entanto os mais novos que a velha ponte que de vez em quando aparece ao cimo das águas qual submarino em busca de vida retemperadora foi sempre assim com aquele aspecto sóbrio de pedras graníticas sabiamente trabalhadas. Antes de ser velha ponte ela foi ainda mais velhinha, mesmo após a reconstrução joanina que focámos na primeira parte desta nossa crónica que já vai longa, mas ainda está curta para muito do que deveria ser dito.
Debrucemo-nos então e finalmente na foto que publicamos acima e que deve ser das mais antigas que circulam nas gavetas das recordações santacombadenses. Repare-se que nesta altura a velhinha ponte já está com necessidade de nova reforma que acontecerá lá por alturas dos anos 30 ou 40 do século passado e se não somos precisos é porque a memória, a nossa memória, não conseguiu fixar os dizeres do painel de azulejos aposto numa das paredes da Capela do Senhor da Ponte.
Sobre a foto pouco mais haverá a dizer para além de que é bem antiga e que merece uma apreciação mais detalhada no nosso álbum SANTA COMBA DÃO - FOTOS ANTIGAS onde já se encontra e assim os estimados leitores poderem admirar, mais uma vez, a extremosa dedicação dada à pesca por nossos antepassados.

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publicado às 06:55




  


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