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Uma por dia 14

por neves, aj, em 01.03.08

... A Ponte sobre o Dão.
Conta-nos a Memória que "foi esta ponte cortada em Setembro de 1810 pela invasão do exercito francês commandado por Massena foram reedificadas as suas ruínas e de novo feitas estas cortinas dos lados e a estrada e calçada da parte do sul mediante o paternal desvelo do excelso imperador e rei o senhor D. João VI em 1825  e gastaram-se 3.898$055 anno domini MDCCCXXV" [fonte]
E, antes de nos debruçarmos sobre a Ponte, a nossa memória leva-nos já de imediato às Invasões Francesas, mais propriamente à terceira e última comandada pelo marechal Massena que na Serra do Buçaco constatou o quão difícil seria tomar o pequeno rectângulo à beira-mar plantado. O calendário marcava o dia 27 de Setembro de 1810 e as tropas luso-britânicas ou anglo-lusas se preferirem infligiram pesada e (quase) definitiva derrota aos exércitos napoleónicos naquela que ficou conhecida como a Batalha do Buçaco.
No entanto, enquanto os bravos lusos comandados pelos generais ingleses se batiam em defesa da Pátria, sua Alteza Real o Príncipe Regente, em substituição de sua mãe incapacitada por loucura, e  sua corte (se preferirem corja) estavam a banhos pelo Rio de Janeiro. Aquele que viria a ser D. João VI tinha fugido em Novembro de 1807 dias antes das tropas de Junot (1ª invasão) entrarem na capital Lisboa. Aportou a terras brasileiras, Salvador da Bahia, em Janeiro de 1808 e em Março montou arraiais na então capital Rio de Janeiro donde sairia, cremos que em contrariedade, só em 1821. Como vedes, separam-nos destes acontecimentos exactamente 200 anos que estão a ter honras comemorativas por aqui por terras brasileiras, mas muito em particular, como se depreende e compreende, pelo Rio de Janeiro.
Já com a Ponte no pensamento damos ainda uma última vista de olhos às palavras redigidas na Memória, trazida agora para local onde escapa à submersão das águas da Aguieira, e reparamos que a reconstrução da Ponte sobre o Dão foi feita no ano de 1825 durante o reinado de D. João VI que aqui é chamado de imperador e rei, não sendo especificados os nomes dos reinos que possuía em título. Poderá parecer estranho o que acabámos de dizer, mas será importante recuar no tempo e recordar que após o falecimento de sua mãe em 1816, D. João VI foi aclamado (ainda no Rio de Janeiro, lembramos) Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, título que curiosamente não consta  da inscrição na Memória muito possivelmente por seu filho Pedro (futuro D. Pedro IV) ter já proclamado unilateralmente a Independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822, o ano imediato ao regresso de D. João VI a Portugal. Registe-se que foi no ano anterior à sua morte ocorrida em 1826, que D. João VI reconheceu o Brasil como Estado Independente.

A Ponte, finalmente...
À velha ponte de nada valeu memória tão rica. O progresso implacável não se compadeceu da História que as suas pedras guardavam (e guardam, note-se bem) e num Inverno já distante aí há quase quatro décadas afogou-a sem apelo nem agravo sem sequer lhe agradecer pelos serviços prestados em simples mas merecida homenagem de despedida, fazendo-a pura e simplesmente desaparecer em lenta agonia, centímetro por centímetro, até à submersão total. Vale-lhe agora a ela e aos seus admiradores a compreensão da Mãe-Natureza que todos os anos lhe permite emergir, não totalmente é certo, mas aos pedaços: um pouco em Estios ditos normais e consideravelmente quando se instala um período de seca mais longo.

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Não pensem no entanto os mais novos que a velha ponte que de vez em quando aparece ao cimo das águas qual submarino em busca de vida retemperadora foi sempre assim com aquele aspecto sóbrio de pedras graníticas sabiamente trabalhadas. Antes de ser velha ponte ela foi ainda mais velhinha, mesmo após a reconstrução joanina que focámos na primeira parte desta nossa crónica que já vai longa, mas ainda está curta para muito do que deveria ser dito.
Debrucemo-nos então e finalmente na foto que publicamos acima e que deve ser das mais antigas que circulam nas gavetas das recordações santacombadenses. Repare-se que nesta altura a velhinha ponte já está com necessidade de nova reforma que acontecerá lá por alturas dos anos 30 ou 40 do século passado e se não somos precisos é porque a memória, a nossa memória, não conseguiu fixar os dizeres do painel de azulejos aposto numa das paredes da Capela do Senhor da Ponte.
Sobre a foto pouco mais haverá a dizer para além de que é bem antiga e que merece uma apreciação mais detalhada no nosso álbum SANTA COMBA DÃO - FOTOS ANTIGAS onde já se encontra e assim os estimados leitores poderem admirar, mais uma vez, a extremosa dedicação dada à pesca por nossos antepassados.

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publicado às 06:55




  


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