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... culpa da foto.

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(que Camões nos perdoe o abuso e os leitores o estado de espírito)</font>

A foto, belíssima, é da autoria de Miguel Claro e vimo-la no Blogue da Embaixada que ao que parece resolveu mudar um pouco o visual. Fez bem, o blogue. Mudança é sempre sinal de movimento e movimento dá-nos sempre a sensação de p'ra frente, de evolução. Assim como alternância, por vezes tão necessária para justificar uma democracia. Nem sempre barbeado nem sempre barbudo, como diz o outro. É. Há uns dias essa ideia, a de mudar de visual tal como o blogue, veio-nos à mona. É que já lá vai mais de uma dezena de anos que vemos ao espelho sempre este mesmo rosto escondido entre pêlos, agora de maioria grisalha já que os anos vão passando, e pensámos que não seria mau de todo fazer uma limpeza. Pensámos sim, mas por aí nos ficámos.
É que por ordem expressa da Maria parece que ainda não vai ser desta que o sol brasileiro nos vai tostar a pele do rosto. Será que ela terá receio do que possa encontrar por baixo da pelugem? Bom, afinal de contas sempre assim nos conheceu e jamais nos viu de cara ao léu. Mas c'um raio, apesar de nunca comungarmos das ideias de Narciso nem sermos manientos pela beleza pessoal achamos que a Natureza não nos deu assim umas fuças de assustar um comboio ou trem. É certo que o sucesso na adolescência imberbe era fracote, mas isso não se devia, pensamos, à carita e sim à falta de lábia e de auto-confiança (culpa dos temores da idade) que, afinal, acabaram por chegar depois e vieram bem a tempo, diga-se de passagem.
A foto leva-nos precisamente a esse tempo inocente, ao tempo do menino e moço de rosto lavado sem preocupação de giletes e cortes na cara que um belo dia desceu pela primeira vez à capital, e por culpa das recordações é que trouxemos a citada para cá. A Ponte, então Salazar e hoje 25 de Abril, teria 4 anos e nós 15. Conhecemo-nos assim nessa altura. Estávamos em Dezembro e ainda guardamos na memória a temperatura amena, mais amena que na nossa Beira claro, que encontrámos em Santa Apolónia a estação de comboio fim de linha onde a tia estava à espera, à nossa espera, sendo que nossa se refere a nós à trindade residente no Outeirinho da ditosa Santa Comba Dão e formada pelo casal Neves e pelo filho caçula, este eu que vos escreve mas que nesta crónica resolveu optar pela narração na primeira pessoa do plural.
A foto atraiu-nos pelas luzes e pelo que nos parece madrugada, recordando-nos aquele amanhecer na varanda do cais de Alcântara onde  ladeados e enleados pela imponente Ponte testemunhámos o atracar do paquete Niassa (ou Uíge, talvez) se se pode apelidar de paquete um navio que transporta umas três mil vidas e apresenta feijão frade em cardápio de Ceia de Natal... assim o teriam entendido suas altíssimas patentes como justo prémio pelas férias forçadas lá pelos Cus de Judas de África. Tudo era novidade para nós: o rio de águas calmas e largas que nos parecia maior que um mar, uma ponte alta e enorme que se perdia no horizonte da outra banda, as manobras a encostar ao cais de um barco gigante com comprimento maior que a rua onde vivíamos e depois aquela nunca vista multidão de homens que nos pareciam moscas de início e foram crescendo crescendo até nos dar a falsa ideia que os conhecíamos, mas afinal eram todos iguais de verde farda tingidos. Animou-nos um pouco o espírito e dissipou-nos a dúvida de que seria procurar agulha em palheiro a placa dizendo Santa Comba Dão que o Zé Neves, o patriarca da trindade, transportou para Lisboa e no meio de tanto braço ao alto e de milhares de mãos a acenar lá nos convenceram que aquele era o irmão que tínhamos visto partir dois anos antes rumo a uma guerra pelo Bem da Nação mas que na realidade era por outros interesses incompreendidos pelo comum Zé Povinho... que permanecia calado não por natureza mas por decreto governamental.
A foto não retrata mas aconteceu, já o céu estava bem claro nas imediações do cais. O tiro de partida (ou de chegada a bom porto) foi dado e a maralha aprisionada em ansiedade naquela enorme caixa flutuante durante mais de duas semanas deu asas à alegria e correu para junto de seus familiares. Esmagados uns contra os outros riam e choravam em abraços contidos durante longos vinte e tal meses pela felicidade de os jovens militares terem regressado. Até ao meu regresso, não se cansavam eles de avisar em mensagens? E regressados sãos e escorreitos como todos tinham rogado à senhora de não sei quantos em breve seria hora de lhe ir pagar em peregrinação.
A foto traz-nos assim à memória aquele amanhecer sob a Ponte, àquele raiar de dia em felicidade e contentamento (após vinte e seis meses de angustiante espera) difíceis de descrever pela mente do miúdo de então e que hoje lhe chamamos apenas de leda madrugada, é certo que por culpa de Camões mas também do soneto porque a tristeza anda associada: é que quando o miúdo  retornou à varanda do cais de Alcântara viu desembarcar dezenas e dezenas, mais de uma centena na contagem inocente da criança, de urnas nuas de Bandeira não lhe sendo difícil adivinhar que guardavam dentro de si corpos hirtos de homens que antes tinham embarcado como jovens enérgicos carregados de sonhos e que agora despidos de vida jamais poderiam pagar as promessas feitas à tal senhora de não sei quantos.

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publicado às 20:32

Portugal na ONU

por neves, aj, em 26.09.08

CLICARIdos vão os tempos salazarengo-marcelistas em que nas Nações Unidas Portugal era constantemente criticado e vaiado por alimentar uma guerra colonial despropositada e desnecessária que apenas nos oferecia jovens mutilados ou corpos envoltos em bandeiras de chumbo para além da desonra e descrédito perante as democracias do mundo, na altura em forte mudança. Eram os tempos da solidão e do isolamentolusitanos, mas, atente-se bem, jamais de forma orgulhosa como nos era impingido em sermões de propaganda enganadora por voz seminarista.
Hoje Portugal é, orgulhosamente, recebido com honras. Escutado também. Membro activo e respeitado na ONU, Portugal deseja consolidar a sua posição na cena internacional e, pelas palavras do Presidente Cavaco Silva em discurso na Assembleia Geral como nos é referido pelo Blogue da Embaixada, lembrou a sua candidatura lançada em 2000 a membro não-permanente do Conselho de Segurança para o biénio 2011-2012, lugar que já ocupou em 1997-1998, diga-se de passagem.
Então, que os argumentos lusitanos sejam convincentes.

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publicado às 07:38




  


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