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O desassossego

por neves, aj, em 04.11.08

... que não é só da Maria, é meu também porque apesar de não me pertencer ou de não o sentir na pele tritura-me os neurónios o bastante para às vezes me tirar do sério.

PhotobucketEle, o desassossego, que afinal é uma ela, a prótese, já faz parte das nossas vidas, da minha e da minha Maria. Não a chamámos nem ela teve culpa de vir morar connosco, mas até lhe estamos gratos porque outra solução não havia. Fotografias tiradas após se instalar até nos revelaram que ela se tinha adaptado e a Maria a ela e tudo parecia estar nos trinques. Como deveis saber, é previsto nos cânones que passado um certo tempo, uns anos, há necessidade de reparar a dita cuja, a prótese, porque o desgaste ou desarticulação acontece, inevitavelmente ou quase isso. Afinal como em qualquer máquina e o organismo humano não é excepção à regra. No entanto, ela, a prótese, deveria aguentar-se em condições por muito mais tempo, mas mesmo por tal não ter acontecido também não a vou culpar. Verdade seja dita que não pretendo culpar quem quer que seja, nem a mim próprio por não sair à rua em protesto, mas a minha cabeça não consegue absolver os passeios (calçadas por aqui) por onde circulamos, passeios em rampa, algumas juro com mais de 30 graus, para suas excelências os residentes entrarem fácil e comodamente em casa com as suas voitures. Viva a burguesia e seu cómodo egoísmo e o pedestre, o peão, que se lixe, parece ser slogan por estas bandas. Não me chameis de "perseguidor de classes", de invejoso de bens materiais que outros possuam e eu não, mas tem lógica este meu raciocínio, porque sabe até o rei dos leigos que tão más condições obrigam o esqueleto do passante a fazer ginástica de compensação de modo a conseguir o equilíbrio e com o andar do calendário ligamentos e articulações vão sofrendo e "adoecendo". Assim, muito provavelmente teriam sido estas (as más condições de circulação oferecidas ao pedestre) umas das causas para que em menos de três anos a cabeça da entronizada prótese tivesse de ser substituída.
E a Maria lá está no Hospital das Clínicas, mais propriamente noIOT, Instituto de Ortopedia e Traumatologia, acho que agora mais fresca que alface embora sedenta para vir para casa (as saudades da nossa Piruças quatro patas são enormes) para daqui a um mês, provavelmente, começar a colocar à prova a recém colocada cabeça da prótese que, lembra-se, tenta afinal substituir a cabeça do fémur.
À laia de complemento deixo ligação a blogue temático onde os leitores mais curiosos poderão perceber como é feita a cirurgia de implantação de uma prótese no quadril [aqui quadril normal], afinal de que consta propriamente aArtroplastia do Quadril e não é despropositado esclarecer que esta imagem do RX não mostra as pernas da Maria, foi captada da internet, tanto que é prótese que apresenta o componente acetabular, o chapeuzinho, e a artroplastia da Maria feita há uns anos não foi total, foi parcial.
Sem muito entusiasmo no que redijo cheguei ao fim e claro que esta crónica em desabafo (falar dos "problemas" alivia-nos, dizem os entendidos) vai ficar incompleta, muito incompleta, porque não pretendo agora falar sobre o nosso "dia-a-dia" das andanças pelo IOT, nem gabar as boas condições de internamento e ainda nem elogiar o atendimento humano e carinhoso que somos alvo da parte dos profissionais da saúde (as respostas ou reacções menos boas não são relevantes para serem focadas e facilmente se esquecem sem ressentimentos porque as boas são enormes) e se faço a citação é apenas para lembrar a todos os que me possam ler que estamos perante um serviço público, completamente gratuito, o SUS, Sistema Único de Saúde... assim que o bom entendedor veja que nem tudo é mau como certos sectores o querem fazer parecer.
Já a fechar surge-me um dilema. Falar ou não falar eis a questão. Se não falo sou ingrato e se falo vou contra o modo de estar na vida do Dr. Carlos Luzo, que pauta pela discrição, não aceita os meus agradecimentos e está sempre, mas sempre, disponível para me aturar. Em toda esta questão da prótese da Maria o seu papel ultrapassa o do cirurgião, ele escuta como amigo, aconselha e está sempre disponível, faculta o telefone e nem congresso nem jantar em família o impedem de me ouvir se o desassossego nos atormenta. Sinceramente vos digo ainda que nas consultas rotineiras me sinto tão à vontade quanto estivesse no consultório dos meus amigos antigos companheiros de faculdade. Falamos do problema, discutimos o RX, falamos das rampas, da vida, do quotidiano e de futebol também, rimos e falamos sério, despedimo-nos em forte cumprimento... sabeis vós perceber a amizade com a pressão sentida num aperto de mão?
Bem haja doutor Carlos.

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publicado às 22:45




  


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