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São rosas, mãe

por neves, aj, em 06.11.08

... e embora fictícias, carregam amor de verdade... desabafo e necessidade de falar contigo, também...
PhotobucketPelo adiantado da hora (são oito da noite por aqui mas nem imagino quantas serão por aí pela eternidade) até parece que só agora me fui lembrar dos 87 anos que completarias hoje, dia 6 de Novembro. Ambos sabemos que não, porque desde que o conhecimento chegou a mim todo o meu aniversário de véspera está umbilicalmente ligado ao teu. Claro que ontem dia 5 não fugiu à regra e até me veio à memória que ainda combalida pelo parto, dobebé lindo e grande como fui carinhosamente agraciado em mensagem de felicitações e me deixou todo babado, foi no leito da maternidade que festejaste o teu aniversário de então, trinta e quatro anos. Eras ainda uma jovem embora de ventre bem amadurecido já que acabavas de colocar no mundo o quarto fruto. Carregada de fé terias talvez agradecido aos deuses este teu presente de aniversário que hoje te escreve e terias também idealizado mil e um sonhos, mas para azar de ambos tudo se desmoronou vinte anos depois: nem tua fé e preces nos valeram e cada um dos meus cinco de Novembro passou a trazer consigo em vez de alegria toneladas de nostalgia embrulhadas em revolta por não mais podermos festejar juntos o nosso "dia de anos".
Curiosamente, este ano festejei os meus 53 no teu dia, hoje afinal, porque a véspera foi deveras atarefada e nem houve tempo para me coçar já que foi também dia de trazer a doentinha para casa. O almoço foi bem especial, arroz de tomate com sardinha frita se bem que esta sardinha teve que viajar desde Peniche, lá na ocidental praia lusitana, para me satisfazer os desejos da gula patriota que não me larga e como sobremesa algo bem caseirinho que aprendi a fazer contigo: leite creme com uma cobertura estaladiça de açúcar queimado. Tá claro que o bolo não faltou, mas para pasmo de quem possa ler as velas foram colocadas numa metade de Bolo-Rei que estava guardada no congelador da geladeira e cuja parte inteira tinha voado até mim em finais de Outubro cuidadosa e carinhosamente acomodada entre a tripulação da TAP. Como não devo divulgar quem me fez tão doce e carinhosa oferta apenas vou dizer que é senhora nossa vizinha no Outeirinho e que viste crescer porque é filha de senhora tua amiga, minha também, que também já partiu e a quem eu gostaria de oferecer, pelo carinho e amizade que sempre me dispensou, uma destas rosas que te envio.

Bom, está na hora de acabar, mãe Rosa. Fiz o possível para te agradar neste dia de (teu) aniversário, mas a inspiração anda arredia. Idealizo, mas num repente as palavras evaporam-se da mente deste teu filho a quem poderão chamar de louco, no entanto antes sonhador e porque não, tão ficcionista como os demais que colocam os seus livros à venda nas prateleiras. Está tranquila que, como me pediste, não estou a derramar lágrimas, apenas sinto o habitual e indescritível aperto na garganta como quando me apercebo de injustiças e que agora deve ser mais por causa da grande frustração que me assola por não te ter mais por perto e não poderes ouvir a minha voz a chamar-te velhota.
Triste e ledo, envio aquela beijoca
Tó-Zé

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publicado às 20:00




  


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