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A minha sogra

por neves, aj, em 27.12.08

A minha sogra Zerita

(aprender até ao final da vida é a sina de um homem)

PhotobucketQuando em Outubro dei aqui os parabéns natalícios à mãe da mãe de minha filha, afinal à avó Zerita, não imaginava eu que o amigo Renato Santos Passos, nascido em Santos, São Paulo, Brasil e renascido por naturalização sanguínea paterna em Passos, Vinhais, Portugal, fosse meter colherada na minha escrita.  Sem papas na língua dizia-me em comentário o agora patrício que não tarda está de malas definitivamente aviadas para Trás-os-Montes onde deseja findar os seus dias: "Ó António: por que todo esse escrúpulo em dizer que quem faz anos é a tua sogra?!"
Verdade seja dita, pensei eu cá com os meus botões, que não teria pejo algum em chamar a Zerita de sogra com quem mantenho uma boa relação, talvez porque a considero como uma mãe (mãe que me faltou aos vinte anos) e ela talvez, não sei, me veja assim como um filho (filho que ela perdeu há mais de quarenta anos). Só que na minha maneira de ver eu entendi, ou entendia na altura, que não tinha esse direito de lhe chamar sogra porque afinal o meu casamento com a filha é dissoluto há anos e assim sendo ela teria passado a ser a ex-sogra, que por considerar designação deselegante (como ex-cônjuge) nunca usei e sempre preferi avó de minha filha.
Acontece que o recado do caro Santos Passos, que largou o Verão paulista e foi passar este Natal ao borralho transmontano, deixou-me com pulga atrás da orelha  e por mera curiosidade investiguei... então não quereis lá saber que pela legislação brasileira eu sou definitivamente genro da Zerita? É verdade. Vim então a saber que a tal designação, que chamei de deselegante, de ex-sogra não existe juridicamente aqui no Brasil (também não existe ex-sogro, ex-genro nem ex-nora) como podereis comprovar neste pequeno esclarecimento de doutora em leis sobre afinidade, que é afinal o vínculo que liga cada um dos cônjuges aos parentes do outro e que, curiosamente, não acaba com a dissolução do casamento (exceptuando-se a afinidade entre cunhados).
Sendo assim, o Santos Passos não estava de brincadeirinha, não e vistas as coisas pela perspectiva (brasileira) com que se formou como pessoa falava bem dentro da lei.
Bom, como diria o Joaquim Matoco, e do outro lado da banheira o que diria a Lei? Será que lá pelo pequeno rectângulo eu continuaria a ser genro? Em verdade vos digo caros amigos e amigas que foi busca mais difícil que procurar agulha em palheiro já que só me deparei com legislação. Sem mais paciência parei por aqui e creio que não estou a trocar agulha com prego ou outra coisa similar se vos levar até aos artigos nºs 1584 e 1585 do Direito da Família (Título I - Disposições Gerais) e afiançar que na verdade a Zerita é minha sogra. Creio assim que as duas legislações na matéria (lusa e brasileira) serão bem idênticas.
Isto realmente dá que pensar, caros leitores. Quer dizer então que a mulher com quem se casa pode não ser para toda a vida, mas a sogra... essa nunca nos vai largar, é para toda a vida!
Sendo assim, nem tudo é mau mesmo no que se desfaz, e apanhados os cacos dêem-se graças aos deuses por genro e sogra já não necessitarem de se preocupar com as pequenas conversas que às vezes têm ao telefone desejando tudo de bom um ao outro porque afinal são conversas bem dentro da lei.

Post-scriptum - que se atente que este texto não é mais que uma curiosa brincadeira e em parte digamos que como um esclarecimento já que a maioria dos mortais avessos a artigos e alíneas dos códigos deve desconhecer esta ligação eterna, ou quase, não sabendo eu, contudo, se uma primeira sogra o deixa de o ser com um segundo casamento em que o indivíduo ganha uma nova sogra. E a propósito que fique bem registado que de modo algum me esqueço que também tenho sogra deste lado do Atlântico, D. Clarice, embora já falecida e que conheci apenas durante uns meses porque a doença já a atormentava.

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publicado às 11:45

A primeira saída

por neves, aj, em 26.12.08

(aqui sinónimo de primeira actuação pública)

8 de Dezembro de 2008

CLICARA primeira vez é a primeira, ora. É de assinalar e de ficar escrita nos anais...
Porque é sabido que é marcante e ficará na memória para todo o sempre independentemente de ter sido maravilhosa ou traumática.
É igualmente sabido que num geral toda a primeira vez é antecedida de uma sintomatologia mui própria e que apesar de poder variar de pessoa para pessoa se apresenta quase sempre com nervoso miudinho, insónia e dores de barriga... acontece no primeira dia de Escola, no primeiro exame ou concurso, na primeira longa viagem, na estreia em equipa de futebol ou grupo coral. (é certo que em "primeiras vezes" que acontecem um pouco "acidentalmente" ou dum certo modo não completamente programadas, como com a primeira grande desilusão ou o primeiro beijo, a sintomatologia aparece depois e com reacções nem sempre previsíveis, mas desta crónica essas primeiras vezes não fazem parte)
E foi assim com as palavras acima no pensamento que esta crónica surgiu, onde para além de desejarmos dar os parabéns ao nosso jovem colaborador Rafael, verdadeiramente multifacetado quase homem de sete instrumentos, queremos que ele jamais esqueça esses momentos de véspera que certamente lhe tiraram o sono e o fizeram ajeitar o nó da gravata ene vezes com receio de lhe emudecer a garganta, para não falar das que se viu ao espelho e/ou perguntou à mãe se estava OK. [um clique na foto leva à ampliação]
É que, registe-se, o Rafael teve há dias o seu baptismo público, a sua primeira saída, como instrumentista da Filarmónica de Santa Comba Dão e Voz do Seven não poderia deixar de assinalar por escrito (afinal é um dos nossos) que foi neste dia 8 de Dezembro de 2008, dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal, que ele pela primeira vez vestiu a farda da Filarmónica e fez ouvir os acordes do seu clarinete na rectaguarda da emblemática Procissão que calcorreia em tradição, cremos que secular, as ruas da cidade.
Em complemento assinalem-se duas informações referentes à Filarmónica de Santa Comba Dão: a primeira é que na saída apontada a banda estreou um fardamento como nos diz em notícia publicada no semanário Defesa da Beira o nosso grande amigo senhor Carlos Ribeiro a quem enviamos aquele abraço, bem mais forte que o vigor da montanha atlântica que nos separa, e a segunda notícia é que a Filarmónica vai dar um Concerto de Natal na Casa da Cultura de Santa Comba Dão no próximo Domingo, dia 28 de Dezembro, pelas 15 horas (3 da tarde).

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publicado às 19:19

Tia Rosa

por neves, aj, em 18.12.08

... das Ferrarias

Santa Comba Dão, e o mundo, viram partir uma senhora de bem.
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Singela homenagem do Tó-Zé da Rosita do Outeirinho que tem bem presente a forma carinhosa com que a Tia Rosa o tratava, que não esquece e publicita os seus esmerados dotes culinários e que envia um abraço solidário ao Morais e toda a família.
(publicação transcrita do semanário Defesa da Beira)

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publicado às 11:13

Margarida Marcelino

por neves, aj, em 17.12.08

... minha avó!

(mesmo com o livro de todos os apontamentos lamentavelmente esquecido na santa terrinha, atrevo-me, porque fazer história é preciso, vincar as origens é necessário, livrar da Lei da Morte é imprescindível)

A avó Margarida foi a única dos quatros avós, que cada um tem direito, que conheci. Faleceu em 17 de Dezembro de há precisamente 48 anos, tinha eu apenas cinco. Ela contava 77 e era viúva há umas duas dezenas e meia de anos,
Carregando frustrante fardo de não ter tido o privilégio de conviver muito mais tempo com a minha avó, de não me lembrar de lhe chamar avozinha ou vó e de nem guardar em memória o contacto da sua pele enrugada e dos seus lábios ressequidos (que tão bem definem a mulher portuguesa castigada pelas agruras da vida) fico-me pela homenagem à (minha) recordação de mulher curvada completamente vestida de negro que em Novembro do ano em que completou 38 anos me ofereceu o presente mais belo e absolutamente necessário para que eu existisse: minha mãe.
Obrigado, vó.

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Margarida de Oliveira Marcelino

Nasceu a 25 de Abril de 1883 e faleceu a 17 de Dezembro de 1960 em  Santa Comba Dão
Filha de Luís Marcelino e Emília Soares
Casada com Elísio Alves Ferreira
Mãe de Ludovina, Glória, Conceição, Emília, Casimira e Maria Rosa

Já em 2005 o foquei, mas cada vez que recordo minha avó vem-me à memória que a consanguinidade que me une a minha filha vai mais além da percentagem legítima pertencente a um progenitor (muito provavelmente o motivo que a leva a apresentar evidentes e gostosas parecenças comigo) já que para além de minha avó ser bisavó de minha filha, claro, é ainda sua tia-bisavó, se o termo existe na realidade: isto porque minha avó era irmã de um bisavô de minha filha (do lado materno, claro), ou seja tia do avô materno e claro, tia-avó da mãe.
É, nem todos se podem vangloriar como este pai baboso e orgulhoso (saudoso também) de ter por quarta prima a filha mais adorável.

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publicado às 07:55

Ricardo Silva

por neves, aj, em 15.12.08

É designer e recebeu um prémio. Enviamos-lhe sinceros parabéns, claro. Com sinceridade, repetimos, sentimos um certo orgulho, porque afinal trata-se de um amigo e de um vencedor. Santacombadense, também. No entanto diga-se que neste texto nem nos debruçámos sobre o galardão. Outros valores mais alto se alevantaram na nossa cabeça. Vá lá saber-se porquê, mas as ondas da  inspiração levaram-nos a escrever sobre coisas e loisas da ditosa Santa Comba Dão de há uns anos, todas elas girando à volta do Ricardo e da amizade que entretanto surgiu entre nós.

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O Ricardo é nosso conterrâneo e amigo.
Como bem mais novo que nós (exactamente 20 anos de diferença, feitas as contas após o que lemos) não era do nosso círculo de convivência, como se compreende. Certamente que teríamos trocado as primeiras palavras quando ele trabalhava como pasteleiro no (café-pastelaria) Santo Estêvão e nós (ainda) residiríamos lá por cima, pelo Serrado, ou então íamos de visita à filha a braços com a separação dos pais. Já nem recordamos com exactidão. Do que nos lembramos bem é da imagem ruiva do Ricardo vestido de branco a aflorar à porta que dava acesso à sala onde secundava o patrão Zé Manel na confecção de saborosos pastéis de nata, garantidamente bem mais gostosos que os chamados de Belém... e se devorados quentinhos polvilhados com canela, nem vos contamos... verdadeiro manjar dos deuses ou pelo menos do santo mencionado, que tinha orago ali mesmo ao lado.
Saudades... sim, saudades não no tradicional significado do termo mas saudades desta gula à portuguesa.
Pacato, de bom trato social, o Ricardo sempre nos cumprimentava nem que fosse com simples aceno como quando vestido de cabedal passava por nós na sua potente moto. Afinal, a educação recebida vinha da parte de gente boa, respeitável no burgo, que nós conhecíamos bem e que vinha desde os avós João (Patife) e D. Zeca (Malhada), os mais exímios pescadores (sem cana, só com fio e anzol, claro) que conhecíamos dos tempos de ainda rapazote no Dão, o inebriante rio que o progresso transformou em lago artificial de água suja e parada. Quis ainda o acaso, ou se ele não existe que seja o decorrer da vida, que nós tivéssemos dado aulas em curso destinado a adultos onde uma das alunas era precisamente a mãe do Ricardo e outra, a sua tia. Fosse lá por quais linhas fossem, a verdade é que se criou uma certa empatia entre nós.
Entretanto o calendário deu voltas e reviravoltas e num ápice, após uma incursão de alguns anos pelas escolas a norte do distrito (de Viseu), vemo-nos nós de regresso à santa terrinha e encontramos o Ricardo, mais velho, claro, sentado numa cadeira de rodas por fatalidade acontecida algures na estrada mas jamais impeditiva de lhe tirar o bom humor, bem evidenciado quando nos cumprimentávamos: como corre a vida Ricardo?  Na maior, professor, tudo sobre rodas, e por contingências várias os nossos passos passaram a cruzar-se mais vezes, tendo então nascido, cimentado melhor dizendo, uma estreita amizade entre nós. Primeiro porque ele foi trabalhar para as Piscinas Municipais, onde costumávamos ir dar umas braçadas, depois quando se transferiu para o Espaço Internet onde o aperto de mão diário era uma constante já que nós éramos clientes assíduos.
Foi aqui neste inovador espaço que com ele conversámos bastante, horas, e aprendemos mais qualquer coisinha deste assunto de navegar pelas ondas da rede das redes. Foi ainda aqui, atente-se muito bem, que ele nos ofereceu duas verdadeiras obras de arte e de paciência que guardamos religiosamente no Voz do Seven: a nossa assinatura, habilidosamente adaptada das etiquetas do Neves Alfaiate e um estilizado sete com um floco de neve como símbolo do Seven. Eternamente agradecidos, sabe-o bem o amigo Ricardo, com quem ainda conversámos algumas vezes via internet (bate-papo) logo após termos atravessado o Atlântico e chegámos a trocar mensagens por e-mail.
O contacto esfumou-se, lamentavelmente, mas tal não é motivo de maneira alguma impeditivo de aqui trazermos à tona o amigo Ricardo Silva a quem reiteramos os parabéns pela proeza alcançada [notícia no Farol da Nossa Terra] e, acima de tudo, desejamos sucesso na vida profissional e tudo de bom na sua vida de cidadão comum, aproveitando para lhe pedir para nos contactar se ler esta nossa despretensiosa missiva e, ainda, agradecer-lhe por esta harmoniosa viagem até à nossa Beira.

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publicado às 16:44

Natal 2008

por neves, aj, em 13.12.08

A mesma Árvore.
Tão nua como nos anos anteriores porque continuamos a não encontrar razões para a vestir com o que mais desejamos para o mundo: pão, paz, amor, fraternidade, saúde, tolerância, equilíbrio... mas tal como nos anos anteriores continuamos a formular desejos e a cobri-la com as centelhas da esperança, porque o sonho não nos larga, pula e continua o seu avanço, à semelhança do poema, como a bola colorida nas mãos da criança.
E, independentemente da crença de cada um, aqui ficam os votos de uma Quadra Feliz, afinal as tradicionaisBoas Festas, para os nossos estimados amigos e amigas, leitores e leitoras, lembrando-vos que Natal é algo mais que Menino Jesus e Presépio, muito mais que Pai Natal ou Papai Noel, mais ainda que Bacalhau ou Peru e Bolo-Rei ou Panetone, e universalmente maior que os Presentes... Natal é amor, compreensão, paz, fraternidade, reunião, é, afinal, tudo o que um homem, de bem, quiser.

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publicado às 10:25

Em gestão corrente...

por neves, aj, em 08.12.08

... como o país...

(contrariando o pré-estabelecido desviámo-nos e centralizámos a atenção na Mãe-terra recordando vulto que deixou o seu nome ligado a ela, bastante diga-se de passagem, e que a nossa memória ainda recorda embora de forma fugaz)

CLICAR PARA AMPLIAREm gestão corrente... como o País... é título de blogue que, desta vez, não foi descoberto por mero acaso e até diremos que foi ele que veio ter connosco. Tudo porque o Em gestão corrente... se atreveu a falar da nossa ditosa santa terrinha e como é um blogue sapo.pt o título da entrada foi indicado na página dedicada ao Concelho de Santa Comba Dão do Sapo Local a qual, como é lógico, visitamos quase diariamente. A propósito diga-se que não só os títulos das entradas ou posts dos blogues sapo.pt são passíveis de publicitação na referida página já que, por exemplo, alguns dos títulos de Voz do Seven (que não está alojado no sapo.pt e sim no weblog.com.pt) também por lá vão constando. Bastou-nos fazer solicitação, embora posteriormente já tivéssemos feito o pedido de retirada (e mais do que uma vez apesar de nunca atendido) porque nos chateia seriamente não fazerem indicação de entradas mais ou menos críticas levando-nos até a pensar que a omissão não é por falha no sistema antes sim por acção do lápis azul da censura... mas adiante, seja lá à vontade deles, porque agora o que queremos é redigir em paz e harmonia sobre o Em gestão corrente... um bloque que afinal não nos é assim tão estranho já que está umbilicalmente ligado, passe o exagero, ao nosso torrão natal em que o elo principal é individualidade que, como dissemos no início, deixou o seu nome bem vincado na história da terra.
Saberão os conhecedores que a foto que publicamos, captada a partir do emblemático Largo do Rossio, é quadro da nossa Santa Comba Dão que nos dá uma amostra do casario antigo em granito bem típico da nossa Beira e cumpre-nos referir que a fotografia não é nossa e está aqui porque tivemos a ousadia de a trazer do referido Em gestão corrente..., de um dos três posts sobre Santa Comba que o mentor do blogue publicou até agora, mas que sabemos não ir parar por aqui.
Dizemo-lo com conhecimento de causa, porque, como não podia deixar de ser, tivemos que "meter a colherada" e tratámos de logo ao primeiro post trocar mensagens com o Dr. António Ventura, o autor, já que nos despertou interesse (e/ou curiosidade) a sua ligação à nossa santa terrinha que ele assim começa por apresentar:... foi lá que a minha mulher viveu, cresceu e se tornou mulher... meu cunhado Miguel sempre se manteve ligado a Sta Comba, lá construiu casa e lá faleceu, ainda novo, há cerca de dois meses...
Porque, claro, a primeira coisa que nos aflorou à mente foi interrogarmo-nos sobre as pessoas focadas. Quem seria esta família residente em outros tempos na nossa terra, que tinha brindado o nosso médico blogueiro com uma das filhas e cujo filho varão tinha regressado e falecido recentemente?  Apesar de por vezes ser coisa considerada proibida ou feia, não temos culpa de a curiosidade também nos atacar já que afinal somos mortais como todos, mas curiosamente quando tratávamos de em mail inventar palavras que não parecessem muito indelicadas disfarçando a bisbilhotice, fez-se luz e descobrimos. Recebemos a confirmação na resposta à nossa mensagem e após a leitura do terceiro post achamos que os santacombadenses mais velhos não terão dúvidas algumas em identificar o patriarca da família, cuja memória, ficámos a sabê-lo agora, repousa no cemitério da terra à qual tanto se entregou. Verdade seja dita que até os mais novos, mesmo os da idade do nosso mui jovem colaborador Rafael que, não esqueçamos, é também atleta d' O Pinguinzinho, não terão dificuldade alguma em saber o seu nome bastando concentrar-se na denominação do campo de jogos onde aquela formação desportiva actua: Estádio Dr. Estêvão de Faria. Se curiosos sobre a pessoa do Dr. Joaquim Ribeiro Estêvão de Faria, pois que procurem junto dos mais velhos, na Biblioteca Municipal Cónego Alves Mateus, junto a instituições como os Bombeiros e Pinguins e também na Câmara Municipal.
É... e em crónica onde queríamos apenas apresentar um blogue acabado de conhecer, a caneta desviou e focalizámo-nos na santa terrinha mas nem nos arrependemos por isso já que deste modo evocámos, embora de forma singela, um santacombadense que não necessitou de nascer em Santa Comba para o ser de pleno direito e que deixou o seu nome escrito nas ruas do burgo. Contudo, sentimo-nos como que na obrigação de pedir desculpa ao nosso colega do Em gestão corrente... tal como o País... por afinal não falarmos propriamente do espaço cultural e harmonioso que gere (onde a arte, nomeadamente a pintura, tem forte presença), mas temos a certeza que entenderá... porque, caros amigos e amigos, quando as raízes nos chamam tudo ou quase tudo à volta parece que se esfuma. Fica a ligação ou link. Com o tempo a esgotar-se, ainda uma chamada de atenção aos nossos leitores para maravilhoso álbum de fotos de Santa Comba ligado ao Em gestão corrente..., cremos que captadas pela objectiva sagaz do doutor e que, para estar sempre à mão, irá  (também) ter ligação junto a outros mais álbuns no item da ditosa Mãe-terra em cada um dos modelos do Voz.

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publicado às 05:08

Parabéns minha filha

por neves, aj, em 03.12.08

Salve o dia 3 de Dezembro de 1982, certamente o dia mais marcante na vida desta cabeça que mesmo dura (só às vezes) também ama e que pede compreensão à filha por em certas partes da crónica se armar em figurante.

PhotobucketBem te dizia eu filha ontem ao telefone, para ti já hoje afinal, que a crise também se instalou na pobre cabeça de teu pai e que não esperasses grandes floreados. É certo que fiz a habitual brincadeirinha (ora se não haveria de fazer) que, sei eu, te enche de alegria porque é uma forma de recuarmos, ambos, alegremente no tempo, aos tempos dos guelhanguelhans e das histórias da menina chata, mas em verdade te digo que a inspiração anda arredia. Pela primeira vez ao escrever para ti parece que estou a sentir-me tolhido de palavras, talvez de frases, já que quero falar mais sério (não te rias, ahahah) e refrear o desejo de viajar aos tempos da meninice, da tua, claro, para que não ajuízem, nem tu própria, que te continuo ainda a ver como o pequeno bombom, curiosamente retratado de forma irrepreensível na foto que publico, não achas?
Gostaste da surpresa? Falo da foto, claro. Nessa altura ainda não tinhas atingido a dezena de anos, andavas na Primária e se nela aparecem uns vincos não foi por andar por aí aos trambolhões antes por a ter trazido durante anos agarrada a mim, na carteira. Inconvenientes do tempo, afinal do uso ou envelhecimento que também nos atinge, mas que na tua idade, felizmente, ainda se chama amadurecimento e que não é mais que uma preparação para os muitos mais Dezembros que virão por aí e que desejo vividos em harmonia e em compreensão junto de quem tu por bem entenderes e, mais que tudo, amares.
Releio o que escrevo e confesso-te que tenho dificuldade em portar-me bem. Oscilo. Temo ser chamado Zé de contradições por não cumprir o que atrás prometi, porque nem imaginas a tentação que me assola para recuar no tempo. É que, sabes, apetecia-me tanto relatar o filme que passa agora pela minha mente, de contar a todo o mundo que quando te vi pela primeira vez estavas no pequeno berço ao lado da cama de tua mãe (in ronco ainda sob o efeito da anestesia) enfiada num babygrou ou macacão amarelo a dormir de papo pro ar e com a cabeça virada para o lado direito... é, ficas a saber mais uma, que foi a bochecha esquerda a primeira parte de ti que eu memorizei. Depois virei-me para as orelhas, curioso (e talvez temeroso) se a Natureza te tinha contemplado com a mesma prega mal talhada que transporto comigo e que herdei de minha mãe.
Esta do filme também te contei durante o telefonema de parabéns feito logo na entrada deste teu dia, aliás como é habitual, só que desta vez fui condescendente (sempre se evitam umas ciumeiras) e propositadamente deixei-me ultrapassar, mas sabemos nós que voz de pai chega sempre a tempo, é pontual e com oportunidade, ahahah, tanto que às tuas 11:05 horas exactas recebeste o segundo telefonema (esta glória é que ninguém ma tira). Contei-te eu que adorava possuir uns eléctrodos quaisquer que se ligassem aos meus neurónios para que as memorizações que por lá circulam se transformassem em imagens e assim testemunhares o quanto um pai se sente feliz num dia assim. Sabes o que te digo? Com o teu nascimento aprendi algo muito importante de que nunca me tinha dado conta: acho que cada um de nós é deveras egoísta quando festeja o aniversário de aparecimento no mundo. Só pensamos em nós e esquecemos o sofrimento da mãe e a angústia do pai, e a felicidade de ambos, note-se bem. Digo-te isto não para te roubar a cena, claro, é o teu dia e não o meu (bom, só um bocadinho meu), mas o que pretendo é que assimiles para que um dia possas transmitir aos teus... e em mais uma oscilação cá está o Zé do teu pai agora a ver-te de novo como mulher feita, bem adulta, de certo modo já preparado para um dia destes lhe pregares alguma partida que, em verdade se diga, ele jamais levará a mal e até ambiciona.
Beijoca e porta bem.
Pai

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publicado às 14:00




  


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