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Palavra do dia, grisu

por neves, aj, em 24.09.11

... ontem, a palavra do dia no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa foi o vocábulo grisu. De imediato milhentas recordações saíram da gaveta da minha memória.
A primeira dessas lembranças foi a mais séria de todas e está relacionada com a definição: a célebrelanterna de Davy, inventada no princípio do século XIX por Humphry Davy [cientista britânico] que com a colocação de uma simples rede metálica passou a proteger os mineiros das explosões de grisu, o que nos levava a idolatrar Davy e a considerá-lo um deus na verdadeira acepção da palavra porque afinal preocupava-se com os desprotegidos e pobres que trabalhavam arduamente nas profundezas da Terra. Claro que de imediato também me vieram à memória as aulas de Física do Dr. Rui [Rui Santos], talvez o mais fixe dos profes dos tempos de liceu, e as experiências feitas no laboratório com a chama de um Bico de Bunsen a trespassar uma rede metálica para comprovarmos a veracidade da tese de Davy: na realidade a chama não passava para o outro lado da rede. Diga-se que além da acção de protecção ante a explosão imediata, a lanterna de Davy tinha a peculiaridade de avisar da existência de grisu fazendo com que a chama mudasse de cor. Atente-se ainda que o "princípio da lanterna de Davy" ainda hoje é usado nas minas e até no transporte da "chama olímpica".

grisu
(francês grisou)
s.m.
[Minas] Mistura gasosa de metano e ar que existe nas minas de carvão e pode produzir explosões.
Confrontar: griso.

... contudo a mais importante das recordações [e que motivou a presente entrada] era a definição que nós alunos dos 4º ou 5º anos do liceu do Colégio Academus na ditosa Mãe-terra de Santa Comba Dão dávamos à palavra: para nós [miúdos de 14-15 anos] grisu eram os copianços ou cábulas [por cá por terras tupiniquins chamar-se-ão colas] que cada um de nós fazia [sem distinção] para nos auxiliar a memória nos testes escritos que na altura eram chamados depontos se a memória não me falha. Copiar era uma verdadeira arte e as técnicas de copianço [também chamados de auxiliares de memória] eram variadíssimas. Alguns tinham por hábito escrever nos braços e as meninas também nas pernas, mas qualquer professor que se quisesse chatear descobria a tramóia facilmente. Acho que a técnica mais apurada seria em papel: pequenos recortes de papel escritos com letra miudinha dobrados em harmónio, por exemplo, de modo que o polegar pudesse desfolhar a cábula escondida na palma da mão contrária à que segurava a esferográfica. Contudo havia os abusadores cujos copianços pareciam actas de reunião de professores, como aquela menina que por motivos óbvios vou manter no anominato e que chegava ao ponto de fazer cópias dos copianços ou seja se o profe a apanhasse e a despisse de cábulas ela imediatamente punha em acção o plano D, de duplicado. Virá a propósito lembrar que ascarteiras de fósforos eram também um óptimo meio onde rabiscar uns apontamentos nomeadamente em exames, já que, inexplicavelmente à luz da actualidade, era permitido fumar nos exames nacionais do curso complementar, o antigo 7º ano do liceu  [hoje será o 12º ano], mas não se julgue que foi "liberdade" conquistada em Abril, porque isto passava-se ainda em tempos de ditadura.

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publicado às 10:34




  


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