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Tragédia em São Paulo

por neves, aj, em 27.07.12

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... mais de uma centena dos 302 barracos existentes na favela Humaitá [Vila Leopoldina, zona oeste] foram destruídos por violento incêndio que deflagrou às primeiras horas da madrugada [3:45 horas] desta Sexta-feira 27, deixando desabrigados à volta de 410 moradores. Não há vítimas a lamentar. Noticia o portal uol que as famílias serão inscritas nos planos de ajuda habitacional, coordenados pela Secretaria de Ajuda Social, além de receberem alimentos, cobertores e colchões. A Defesa Civil, de acordo com o coronel Jair Paca, também está providenciando um local para abrigar temporariamente os desabrigados... assim seja, que não seja apenas blá, blá.

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publicado às 16:50

"Bola Cheia" para Merkel

por neves, aj, em 27.07.12

 


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... porque se apresentou com a mesma indumentária na mesma cerimória separada por quatro anos [Festival de Bayreuth, festival de óperas de Richard Wagner], uns chamaram-lhe "gafe de celebridade" outros manifestação pública de simplicidade e economia. Comungamos da segunda opinião e deveria ser exemplo a seguir pelas personalidades mundiais: cai sempre bem, principalmente em tempos de crise, o mínimo de ostentação. E, afinal, meus caros amigos e amigas, se levou o mesmo acompanhante porque não levar o mesmo vestido? Desta vez, elogiamos Merkel.

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publicado às 14:17

Zé Neves, 10 anos após

por neves, aj, em 26.07.12

 

Hoje, 26, completam-se 10 anos do falecimento de meu pai Zé Neves, curiosamente tantos anos quantos eu levo de vida neste lado da banheira atlântica.

Meio sorumbático por ter que novamente evocar a morte [este mês de Julho é terrível] estive a falar cá para com os meus botões de que é meio mórbido recordarmos aqueles dias tristes que nos deixam mais vazios de vida e amputados das raízes que nos prendem ao mundo real, e que quantos mais anos somarmos a essa recordação mais se torna evidente de que a nossa idade avança a passos largos e de que um dia seremos nós os recordados.  Sei que a linha da existência está assim costurada e sei que nada posso fazer, mas nestes dias sinto-me assim, meio macambúzio e uma espécie de letargia me ataca, fico pobre de ideias e tenho imensa dificuldade em alinhavar as palavras.

Está feito o registo.

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publicado às 13:19

Londres 2012, inauguração vergonhosa

por neves, aj, em 26.07.12

... a cerimónia de abertura está marcada para Sexta-feira, 27, mas a Olimpíada de Londres teve hoje, Quarta-feira 25, a sua inauguração com a realização da primeira ronda do torneio de futebol feminino.

Vimos via TV o seleccionado do Brasil levar de vencida a selecção de Camarões por um concludente 5-0, mas não é propriamente de resultados ou de análise dos jogos disputados que esta entrada vos quer falar, antes da vergonhosa actuação do "comité organizador" dos Jogos na apresentação do desafio entre as selecções da Colômbia e da Coreia do Norte que terminou com a vitória das coreanas por 2-0. Chamaram-lhe gafe e a organização pediu desculpas [que foram aceites], mas é difícil acreditar que não tenha sido proposital a troca da bandeira de uma das nações presentes [curiosamente uma nação fortemente odiada pelo "mundo ocidental"], atendendo que estamos perante prova que é considerada a competição-rainha do desporto do Planeta e que dispõe de uma eternidade de tempo [anos] para  afinar as agulhas. Inconcebível.

Orgulham-se os ingleses de que completaram as obras com antecedência e etecetera e tal e todo o mundo espera [esperava] uma organização impecável, contudo logo no primeiro dia cometeram um erro clamoroso e primário ao hastearem no Estádio a  bandeira da Coreia do Sul ao invés da bandeira da  Coreia do Norte e, como se não bastasse, fizeram a apresentação individual das jogadoras norte-coreanas no painel electrónico do estádio acompanhadas do símbolo sul-coreano, troca esta que provocou de imediato um incidente diplomático [lembremo-nos que as duas nações irmãs se encontram tecnicamente em guerra e estão divididas pela fronteira mais fortificada do mundo] e fez atrasar o início do encontro por ameaça de não entrada em campo da selecção ofendida. Apelidem de especulação ou não, mas a cimentar a tese de que o engano terá sido manobra, lemos que já em 66, no célebre Mundial de Futebol disputado em terras britânicas que nos deu até hoje o lugar mais alto no pódio [3º lugar], os britânicos fizeram de tudo e mais alguma coisa para impedir que a bandeira da Coreia do Norte fosse hasteada em solo britânico e que até cogitaram não conceder visto aos comunistas do oriente.

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publicado às 04:04

Dente 38

por neves, aj, em 25.07.12

... não vos assusteis com o número [levando em conta que nos é dito na Escola que a dentição completa de um homem adulto é de "apenas"  32 dentes] porque ele refere-se à notação dentária atribuída pela Federação Dentária Internacional. Trinta e oito é a identificação do dente a que me refiro: o algarismo 3 indica que o dente pertence ao quadrante inferior esquerdo [a metade esquerda do maxilar inferior] e o algarismo 8 indica que é um molar, o terceiro molar. Ou seja, o dente 38 é a mó lá do fundo, conhecido como "dente do siso" e que o Povo diz sinal de juízo, porque os dentes do siso só se desenvolvem [são quatro] quando o homem está já a caminho da idade adulta.

Eu hoje vou falar-vos do meu dente 38, o terrível, que durante o pretérito fim-de-semana me chateou de tal ordem que me levou, ontem, Segunda-feira, à urgência médica. Mas antes de vos narrar a minha epopeia torna-se necessário fazer um pequeno preâmbulo para vos lembrar que, conforme vos disse aquando de uma urgência, ando em tratamento dentário na Clínica Odontológica da Faculdade de Odontologia da USP-Universidade de São Paulo. Podendo parecer como tal, atente-se que não me sinto como cobaia, afinal trata-se apenas de uma troca de serviços: eu recebo tratamento gratuito e os futuros médicos e médicas dentistas têm a minha boca e dentes à disposição para se aperfeiçoarem nas técnicas. Sem receio, entrego-me. Afinal, lembrai-vos que nem o mais cotado e celebrizado profissional nasceu ensinado e, claro, necessitou de "matéria viva" para se qualificar. Não seria necessário, mas diga-se que toda a conduta dos futuros dentistas [que são chamados de doutores] é feita com supervisão de um profissional qualificado [que é chamado de professor] e se é verdade que nem sempre a "coisa" corre como gostaríamos que corresse, tem de haver compreensão e tolerância um pouco à semelhança de quando consentimos que o aprendiz de barbeiro/cabeleireiro nos toque: pequeno corte ao escanhoar ou tesourada a mais no cabelo podem acontecer. Será ainda interessante de referir que a idealização do presente texto me trouxe à memória a questão da apetência do ser humano em trocar a esquerda pela direita [ou vice-versa], por distracção ou burrice, sendo que em Medicina a troca pode tornar-se grave, muito grave, bastando para isso lembrarmo-nos dos casos em que o cirurgião opera a mão ou o pé errado. Claro que a culpa incidirá imediatamente sobre quem actua [cirurgião no caso], mas quem redige no prontuário ou processo do doente também não poderá estar isento. Afinal de quem será a culpa? Certamente dos dois ou de toda a equipa. Feito por distracção ou ignorância [apesar de que me recuso a admitir tamanha calamidade] pode muito bem outrem encontrar esquerdo escrito na ficha do paciente, quando deveria constar direito, ou, também, 38 quando deveria constar 48, e se esse outro profissional que veio depois acredita piamente no colega anterior e, casmurro, não leva em consideração as palavras de defesa do doente, o erro médico pode acontecer. Mas, atenção, ontem, Segunda-feira, na urgência da Clínica Odontológica da USP,  não foi propriamente um erro o que aconteceu comigo, não fui propriamente lesado, só que a cena dá para nos levar à reflexão. O que se passou dará talvez para fazer entender como a redacção errada de um simples numeral [não me pergunteis se por distracção se por burrice] pode levar a uma discussão comprometedora para o bom relacionamento entre médico e doente tão necessário para que o tratamento tenha sucesso. No caso do dente 38 valeu [valeu-me] a doutora aluna, porque a "prof" como que nos meio-abandonou à nossa sorte, mas, diga-se em abono da verdade, que depois da tormenta chegou-se a bom porto.

Quando fui chamado para ser aliviado das dores que me apoquentavam, fui recebido pela professora a qual após rápido interrogatório à minha pessoa [o que o traz por cá e etcetera], observação da boca e consulta à minha ficha de registo de passagens anteriores pela urgência, mandou funcionária fazer um Rx aos dois dentes onde eu tinha a sensação de dor e "ao 38", porque no seu entender a dor irradiava de lá visto que os tais dentes que me transmitiam a sensação de dor não podiam fazer doer: estavam mortos [já tinham passado por tratamento de canal durante as minhas consultas na casa]. Confirmado o diagnóstico, ordenou à aluna dentista que tomasse conta do 38 e elucidou-a dizendo que o dito já tinha passado por dois "curativos ao canal" ou seja tratamento de urgência feito unicamente para retirar a polpa dentária atacada de infecção. Diga-se que esta polpa encontra-se no canal dentário, é a vida do dente e formada por vasos sanguíneos e [famigerados] nervos que, quando o dente adoece, nos levam a dor ao cérebro. Não, não, professora, nunca tive problemas neste dente, atalhei eu logo de imediato, e seguiu-se diálogo nervoso. Você esteve cá na urgência em Maio por duas vezes para tratar este dente. Estive, a uma Quarta e a uma Sexta, não me lembro dos dias, mas para tratar este dente aqui, e levei o indicador à face para indicar o dente do lado oposto, do lado direito. Você está equivocado, no registo consta 38 e eu sei bem qual é o 38, atalhou de modo brusco como parecendo ofendida no seu saber. E, fazendo careta de sabichona, mandou a aluna começar. Senti como me estivessem a passar um certificado de asno ou, pior, de louco. Eu não estou maluco professora, vim cá para tratar o último molar do lado direito e não este que está agora doente, do lado esquerdo. Com um encolher de ombros, zarpou a resmungar [provavelmente ofendida com o atrevimento do paciente resmungão] e a minha doutora convidou-me a sentar. Sentei. Calado, mas lixado, afinal eu até precisava de ajuda. Acrescento que me senti constrangido e deu-me vontade de ir embora. Comece doutora, ouviu-se arrogantemente na sala. A simpática menina tratou de me esclarecer o que íamos fazer [o que ela ia fazer, mais propriamente] e logo surgiu o primeiro problema. Com a anestesia. Demorava a actuar. Mudou-se de anestésico e de local de administração, mas quando a broca começou a função, ó meus amigos, carago, e não me leveis a mal por dizer carago, carago. Dor insuportável. A doutora apelou à "prof", mas ela lá longe do alto do seu pedestal de mestre sabe tudo disse qualquer coisa como que já se tinham usado todas as técnicas e não sei que mais. Em suma, quis dizer, na minha maneira de ver, qualquer coisa como continua com a furadeira e o gajo que aguente. É só mais um bocadinho até chegar à polpa sr. António, tentava animar-me a aluna. Fez-se luz. Num lampejo, perguntei  em voz bem audível: doutora, afinal se é o 38 que consta no meu registo a coroa já devia estar furada e pelos vistos está virgem [tal e qual]. Eu bem vi os seus olhos olharem na direcção da professora e acho que teria sido neste momento que a casmurra se convenceu que o doente não era louco e que o dente que o tinha levado à urgência em Maio tinha sido o dente do lado direito, o 48 segundo me esclareceram, e não o dente 38, tanto que, apesar de não me tocar, fez questão de aparecer junto a nós para visionar o trabalho da sua aluna e dar mais algumas indicações. Propositadamente ou não colocou bem ao alcance dos meus olhos a minha ficha onde, nos dois último registos, constava na verdade e de forma bem nítida o numeral 38. Estes olhos que a terra há-de comer [o fogo, se cumprirem a minha vontade] são testemunhas: 38.

Posteriormente, em casa via internet, tirei as dúvidas e fiquei a saber que esta professora sabia identificar o dente 38 e que a equipa que me tinha acudido naquele mês de Maio tinha-se equivocado. Redigiu dente 38 quando deveria ter escrito dente 48. Por distracção, por ignorância? Jamais o saberemos. Acrescente-se que por indicação da senhora professora  não fui encaminhado como habitualmente para as consultas da Clínica para tratarem do canal do 38, mas sim para a "Fundação" [FUNDECTO, creio, mas não imagino o que seja e nem sei o que me espera] onde o trabalho é feito por "estagiários com mais experiência", segundo me foi dito pela menina da recepção. Que seja, mas a lista de espera está em "meio-ano", segundo a mesma recepcionista. Antes de me vir embora, agradeci à doutorazita e pedi desculpa por qualquer coisita. Pra "prof" nem um olhar sequer.

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publicado às 00:03

Tour de France 2012

por neves, aj, em 22.07.12

... terminou hoje em Paris a edição 2012 da Volta a França em Bicicleta com vitória do britânico Bradley Wiggins.

É de registar que é a primeira vez na história da competição [desde 1903] que um ciclista além-Mancha, embora nascido em território belga,  vence a prova máxima do ciclismo em estrada. Wiggins foi 2º no Prólogo de Liège e manteve a posição até à 6ª etapa. Na 7ª vestiu a "camisola amarela" e, sem dar tréguas, não mais a largou. Venceu duas etapas [contra-relógios] e percorreu os 3488 Km, divididos em 20 etapas, em 87h 34m 47.

Dos 198 ciclistas que largaram em Liège, completaram a prova 153 [o último ficou a quase 4 horas do "camisola amarela"] e Rui Costa, vencedor da Volta à Suíça de 2012,  foi o português melhor classificado [18º da "geral" a 37m 03s]. O outro luso em prova, Sérgio Paulinho, classificou-se na 50ª posição a 1h 47m 14s do vencedor, mas foi destaque ao chegar em 6º lugar na 14ª etapa, etapa de montanha com uma contagem de 2ª categoria e duas contagens de primeira categoria.

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publicado às 22:29

Alfaiataria Neves [fotos]

por neves, aj, em 21.07.12

Lugares de Santa Comba Dão

Alfaiataria Neves [Largo do Balcão]
Fundada no início dos anos 40 do século XX [na Rua Santa Columba], mantém-se ainda em actividade

Ze_Neves ZeNeves-1
o fundador, Zé Neves, José Neves de Morais

HOMENAGEM NO VOZ DO SEVEN

alfaiates
ano de 1955 - Zé Neves [na máquina] e os três filhos mais velhos lá ao fundo -  foto Foto Ribeiro

Photobucket
Março 2011 - fotos Mário Rietsch
Photobucket

HOMENAGEM NO VOZ DO SEVEN

ze-2
o seguidor, Zé Manel, José Manuel Neves
alf
agora não há empregados, apenas amigos pra bater um papo
alf1

fotos Vitor Corveira

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publicado às 21:58

Obrigado senhor Luiz Inácio

por neves, aj, em 18.07.12

... na véspera a meteorologia tinha anunciado chuva, contudo, porque não chovia, saí de casa sem guarda-chuva tendo apenas como resguardo uma gabardina bege herdada do Zé da Silva meu sogro. Era Segunda-feira e a aurora ainda dormia a sono alto. Pra meu espanto o ónibus não se fez esperar e então reparei que ele era apenas meu: só eu como passageiro, o condutor e o cobrador. Trocámos saudações de bons-dias e, como fôssemos íntimos, entabulámos conversa sobre a ameaça de chuva e sobre o frio que se tem feito sentir em São Paulo. Falar do tempo continua a ser, em toda a parte do mundo, o melhor modo de se trocar palavras entre gente desconhecida e iniciar ou continuar uma conversa. Quando nada se tem a dizer, fala-se do tempo. Mas, no meu modo de pensar, a noite também ajuda na aproximação das pessoas. Apesar de me ter arredado continuo com a minha de que a noite é a  maior fazedora senão de amizades pelo menos de conhecimentos, contudo estou cônscio de que também de inúmeros problemas quando a personalidade está alterada.

Até à Estação de Metro de Vila Madalena não vi vivalma a caminhar pelas ruas e poucos automóveis se teriam cruzado connosco, a cidade parecia fantasma, mas sei que apenas estava adormecida. O buliço não tardaria. No cais de embarque não havia mais do que meia-dúzia de gatos-pingados e enquanto esperava pelo comboio/trem pensava cá com os meus botões da razão que teria levado a maquineta a chupar-me apenas R$ 1,21 [contra os habituais 1,60 reais] do Bilhete Único, o cartão que armazena os créditos de viagem previamente colocados e que permite desconto nas interligações. Vim posteriormente a saber [tinha que perguntar, ora] que viajar de metro/metrô fica mais barato se feito antes das 06:14 horas da manhã. No ónibus essa regalia não acontece, seguramente, porque tomei atento e vi que a maquineta absorveu os habituais 3 reais. O Bilhete Único é uma regalia posta em prática já após a minha travessia atlântica e dá para o Povão, especialmente aquele que vive na periferia e faz várias ligações entre transportes, poupar uns cobres: gastei R$ 4,21, mas atente-se que sem o Bilhete Único a viagem me ficaria em 6 reais e se antes tivesse apanhado/tomado outro ónibus não pagaria nada por isso. Sistema colocado por Marta Suplicy [PT] aquando Prefeita de São Paulo, de nada lhe valeu na reeleição: foi derrotada. Memória curta não é exclusividade deste ou daquele povo, está provado.

Eram exactamente 6:24 horas quando cheguei ao Hospital Brigadeiro cujas portas já estavam abertas, não propriamente ao atendimento [o expediente começa às 7 horas], mas para acolher os madrugadores que, como eu neste dia, desejam ser os primeiros da fila e/ou não gostam do buliço dos corredores hospitalares. Burrice minha. A primeira. Vim posteriormente a saber que o exame [USG] era à hora marcada na papeleta: 10 horas da manhã. Embrulha. O Hospital sito na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, que desagua na Av. Paulista e é célebre pela dureza oferecida aos atletas na parte final da Corrida de São Silvestre, é conhecido como o hospital dos transplantes, mas não quer dizer, necessariamente, que eu esteja a precisar de um transplante. Foi onde o "sistema" encontrou vaga e pronto. Virá a propósito contar que há sete anos fui encaminhado para o Hospital Emílio Ribas, conhecido como o hospital da AIDS, e o meu problema não se prendia propriamente com a famigerada doença da SIDA e sim porque o vírus do Herpes Zóster [doença popularmente conhecida como zona, cobrão, cobreiro] resolveu visitar-me e proporcionar-me as dores mais horríveis deste mundo.

A minha segunda burrice foi não ter aguentado na sala de espera [detesto sala de espera de hospitais ou consultórios, mui em especial as conversas] porque um paciente resolveu fazer gazeta e, ao que soube, a antipática funcionária chamou pelo meu nome. Toma, embrulha novamente. Ainda falei com ela, mas em vão. Insensível à minha treta de ida repentina ao banheiro/casa de banho, a mulher ainda mandou patada. Nada lhe disse, calei-me com as entranhas a remoerem. Propositadamente ou não, fez-me esperar mais e só após a chamada de outros dois pacientes é que se lembrou de mim. Quando passei por ela lancei-lhe um olhar fulminante carregado de raiva que se tivesse o poder de praga ainda ela a esta hora estaria sentada na privada/sanita. Deveria ter-se sentido já que após o exame quando chamou pelo Antônio para entregar o relatório/laudo nem olhou para mim. Levava outra dose de mau-olhado, mas na falta repeti-lhe que tinha tido uma "repentina volta de intestinos". Nada disse a múmia, contudo, não se vá julgar que a "coisa" correu mal, já que há sempre uma médica simpática e conversadora, perguntando e respondendo às minhas dúvidas, que nos põe à vontade e, diga-se a propósito, que até chegámos a falar de Portugal. Tenho orgulho no meu sotaque, como por aqui lhe chamam, bem identificador das minha raízes.

Quando saí em Vila Madalena, regressei a pé. Tinha que passar pelo açougue/talho e pela farmácia/drogaria. E foi aqui já perto da quitanda das drogas permitidas que as minhas tripas se revolveram novamente ao ver um vulto andrajoso agachado sobre sacos plásticos com lixo a devorar restos de melancia. Parei, claro. Toquei-lhe no ombro e um rosto inexpressivo coberto por uma barba espessa negra sem pêlo grisalho algum olhou para mim. Ofereci-lhe um sanduíche [masculino por cá] mas negou. Intrigado insisti, mas negou novamente e disse qualquer coisa que me pareceu relacionado com a sua entrada no bar. Nem me oferecendo a trazer-lhe a sandes até ele. Não e não. Avancei no meu caminho, mas um baque qualquer fez-me voltar e ofereci-lhe uma nota, com a condição [inútil, acho] de não a ir gastar em pinga [cachaça]. Maldito dinheiro, que até tem mais valor que comida mesmo para um esfomeado e faz abrir todas as portas. Sorrisos também, porque até as orelhas do desabrigado [os pertences que portava davam essa indicação] riram quando viu a nota azul de dois reais [a de um faleceu e um real já não dá para quase nada]. Obrigado Senhor Luiz Inácio foi a sua resposta. Pegou de imediato na trouxa e tratou de zarpar. Acelerei o passo perguntando-lhe o que queria dizer com aquela resposta mas o sorriso parece que lhe tinha comido a língua. Sorria apenas e dizia palavras imperceptíveis, enigmáticas. Desviou para rua fora da minha rota e eu fiquei a remoer o Obrigado Senhor Luiz Inácio. Até hoje de manhã.

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publicado às 15:06

Chupa Bradesco

por neves, aj, em 17.07.12

... hoje de manhã ao fazer limpeza à papelada despejada na "minha gaveta", senti-me feliz: consegui derrotar um Banco, Bradesco de seu nome, dando-lhe prejuízo. Parece anedótico, mas é verdade. Gastaram em papelada e cartões e nem três meses lá tivemos conta. Se não tiveram prejuízo pelo menos não terão esta teta para mamar. Dá gozo. Há uns meses, e porque imperativos previdenciários nos remeteram para o citado Banco,  fomos gentilmente convidados por simpática e bem falante funcionária a abrir conta no referido. Burrice. Três ou quatro dias depois chegou a primeira chatice: recebemos em casa dois cartões de crédito sendo que eu próprio tinha feito questão de informar que não queríamos cartão de crédito já que somos clientes do Santander e, pró uso que damos ao crédito, basta-nos esse.

bradesco

Problema resolvido com uns telefonemas. Dias depois a segunda chatice: sermos obrigados a deslocar-nos à agência bancária para resolver a questão da senha de acesso à conta bancária via internet, o que pode parecer irrelevante, mas que não é se levarmos em conta que vivo em cidade onde tudo fica longe de tudo e o Táxi é um transporte caro.  No final do primeiro mês, a terceira chatice: no extracto é lançado pagamento para manutenção de conta quando nos foi dito que não seria debitado. Rebentou a bomba. Colocámos  ponto final na questão, mas só após a garantia do encaminhamento previdenciário para a conta no Santander. Hoje foi hora de, de forma radical, nos despedirmos de toda a papelada que dizia respeito ao Bradesco. Bon voyage até ao aterro mais próximo.

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publicado às 16:20

Amigo Lau

por neves, aj, em 16.07.12

Rostos de Santa Comba Dão

Orlando de Jesus Gouveia [Lau da Ribeira]
22 Fevereiro 1955 - 20 Dezembro 2003

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publicado às 22:22

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