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D. Zeca

por neves, aj, em 23.06.10

[são as gentes simples de um Povo que dão vida às pequenas e grandes cidades... tenhamos a coragem de as enobrecer]

D. Zeca é uma pessoa muito querida para mim. Aliás como para a maioria da população da ditosa Mãe-terra, onde goza de elevada estima e bastante consideração. Devido então às premissas que apresento, julgo que não me será apontado qualquer laivo de desrespeito se a identificar como D. Zeca [Malhada], afinal como ela é [tão] conhecida na nossa Santa Comba Dão. Tenho que confessar que ao partir para a singela homenagem a esta querida [quase] nonagenária [completou 88 anos no passado dia 11 de Maio] deparou-se-me o problema de escolher a foto para a embelezar. Curiosamente, das três fotografias que o neto Ricardo, meu amigo, me colocou à disposição fui logo optar por uma em que parece que D. Zeca está de costas viradas para o mundo, mas é puro engano já que o seu mundo em grande parte da sua vida foi o rio... o saudoso Rio Dão.

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Por essa razão, pelo Rio e pelas milhentas recordações que lhe devem estar a aflorar à memória,  escolhi esta foto, mas as outras duas podem ser observadas com um simples clique aqui mesmo lembrando que todas elas foram captadas [pelo neto Ricardo] quando D. Zeca tinha 83 anos, precisamente no dia em que, segundo a legenda aposta pelo fotógrafo, a nossa homenageada bebeu Coca-Cola pela primeira vez. Digno de nota esta resistência de oito décadas à Coca-Cola, se me é permitida a brincadeira.
Se eu soubesse como "trabalhar" um programa de fotos que tenho por aqui, não tenhais dúvidas, caros amigos e amigas, que me colocava, a mim próprio, na outra margem. Desde criança, mesmo quando eu ainda não tinha autorização para rumar sozinho até às suas margens e ia com a senhora Maria [do Filê] a lavadeira lá de casa, que me lembro de ver D. Zeca, acompanhada pelo marido, o sempre bem disposto sr. João [Patife], de frente para as águas do Dão em observação mais que atenta aos quase imperceptíveis movimentos do finíssimo fio de pesca que, lembro-me, nós também chamávamos de "fio de coco". Eu ficava embevecido e [também] intrigado ao vê-los pescar, tirar peixe da água melhor dizendo, já que não usavam cana ou vara de pesca nem sequer uma bóia indicadora da "pica do peixe". Se calhar usariam uma velha rolha de cortiça, não sei.
Não será errado dizer que eu ganhava horas a ver o simpático casal na sua faina. Sim, ganhava, não perdia, não querendo isto dizer que aprendi e me tornei num exímio pescador [a paciência nunca foi o meu forte e talvez, quem sabe, as vibrações nervosas me atraiçoem], mas ganhei porque por exemplo hoje me sinto feliz, muito feliz  em poder recordar [sem saudosismo] aqueles tempos passados no maravilhoso Dão que, no entanto, acabaram no nefasto dia em que o progresso [o tão necessário e indispensável progresso, mas também ladrão de prazer e bem-estar] nos roubou o Rio [e a alma de criança] com a construção de uma enorme parede na zona da Foz do Dão, institucionalmente apelidada de Barragem da Aguieira.
Finalizo com o Rio em memória, desejando a D. Zeca mais uns aninhos de vida, vividos com saúde e muita alegria na companhia da sua simpática e acolhedora família à qual envio reconhecidos cumprimentos, porque a amizade nos une, e, aproveitando a carona, aquele abraço bem especial para o neto Ricardo que segue etiquetado com os respectivos agradecimentos por me ter facultado as fotos e assim permitido este momento tão agradável.

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publicado às 14:20


2 comentários

De mp a 25.06.2010 às 07:23

Caro Neves, com esta singela homenagem, recordaste-nos,a todos, as memórias de infância. O saudoso rio Dão,as gentes que o frequentavam, e os belos momentos lá passados. Também concordo contigo que com a barragem, perdemos uma parte da nossa cultura.
Um abraço.
MP

De MEvangelista a 25.06.2010 às 07:30

...Bem me lembro caro amigo...Um casal que alegremente aliava o tralho á pesca, o fio etava preso na perna enquanto lavava, e era ver tirar belos exemplares, fazendo inveja aos "profissionais", além da sua permanente vigilância sobre os mais afoitos que era o meu caso. ABRAÇO

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