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Santa Columba

por neves, aj, em 20.06.04

 
 

S.ta Columba e a Cidade...
Confesso que estava fora dos planos iniciar a Crónica coma alusão à Padroeira da Freguesia do Couto do Mosteiro e que, segundo consta,ofereceu o nome à nossa cidade. E faço-o porque a memória pode "pregar uma partida" e desde já e em antecipação apresento os meus agradecimentos à Junta do Couto pelo fornecimento de dados que tornam este escrito mais completo. Por outro lado é sempre óptimo rebuscar nas nossas origens... e reza a lenda (magnificamente retratada no painel de azulejos à entrada da Sala de Audiências do nosso Palácio da Justiça) que uma abadessa beneditina de seu nome Columba teria sido martirizada pelos árabes durante as suas incursões pela Ibéria.Santificada, o seu nome teria sido atribuído durante a cristianização da Península ao Castro de Borga, muito possivelmente a Vila de Barba dos nossos dias. A evolução linguística mudou o nome para Comba e o rio Om teria feito o resto.
Será que Santa Comba d'Om, hoje Santa Comba Dão, nasceu por aquelas bandas? Muito possível, se combinarmos os dados históricos com os menos exactos e levar também em atenção a devoção da freguesia do Couto a Santa Columba, cuja imagem exposta na Igreja Matriz sai em procissão solene no último Domingo de Dezembro.
O engraçado da questão é que passados mais de nove séculos esse (hipotético) berço é agora parte integrante da cidade de Santa Comba Dão, visto que para ser criada ela abraçou outras freguesias do concelho. Tendo em conta o que afirmei, retomo a teimosia de lembrar que, por exemplo, um vilabarbense ou um natural de Cagido são cidadãos de pleno direito da cidade de Santa Comba Dão.

As Ruas...
Mas, o objectivo desta Crónica é falar de ruas. Das ruas com o nome da Santa. E das duas que interessam começo pela que descobri nesta S. Paulo das mais de 90 mil ruas. Inicialmente não estranhei que por aqui também houvesse uma, afinal Santa Columba não é nossa propriedade e é, aliás, muito venerada por esse mundo fora com relevância na Irlanda e Escócia. O que realmente me intrigou foi o facto de a Rua Santa Columba ser paralela a uma outra que dá pelo nome de Rua Vizeu (tal e qual). Demasiada coincidência para um santacombadense curioso. Porém, a ida ao Arquivo Histórico da cidade de S. Paulo foi frustrante. Pouco me foi adiantado para além de que as ruas foram nomeadas em 1954 aquando do loteamento da zona,a Vila Olímpia e que, como já eu sabia, uma se referia à "Santa Mártir" enquanto que Viseu era nome de cidade, em Portugal e no estado da Bahia. Das razões do tal paralelismo não reza a História pelo simples facto de a denominação daquelas ruas ter sido feita por Decreto da Prefeitura (ou seja, para nós, a Câmara Municipal).
A rua, propriamente dita, não é grande.Direi mesmo que é pequena. É ladeada aí por uma dezena de residências, mas as moradias são belas e reveladoras de alguma abastança. Pareceu-me calma e o sossego só será perturbado pelo ruído do movimentado tráfego da vizinha Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, o grande impulsionador da criação da cidade de Brasília inaugurada em 1960 e hoje a capital federal do Brasil.
Já a nossa Santa Columba é bastante agitada.Todo o santacombadense o sabe. Nela encontram-se instaladas instituições indispensáveis à vida quotidiana como o Banco, a Caixa e os Correios. É também via de acesso à Igreja Matriz, ao Tribunal e Conservatórias e é parte integrante da EN 234 o que provoca, por vezes, os aborrecidos "engarrafamentos". Tendo a certeza que um dos extremos é o emblemático Balcão, já fico com dúvidas quanto ao outro: será o Largo Alves Mateus? Ou o término do Viaduto? Já um dia alertei que a Toponímia de Santa Comba deveria ser merecedora de mais atenção e volto a fazê-lo. Afinal faz parte da nossa História e a compilação em livro da origem dos nomes das ruas e praças da nossa cidade seria obra útil e proveitosa, podendo até a pesquisa ser feita pelos nossos jovens em (autêntica) ocupação dos seus tempos livres.
Em final de Crónica não posso deixar de parabenizar os CTT pela remodelação das suas instalações que, despidas do desmedido balcão, ficaram muito mais agradáveis e mais humanas. Crescer, modernizando com eficiência e humanização é necessário.
Só que... com a devida vénia pergunto se haveria mesmo necessidade da colocação daquele "caixotão vermelhaço"

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a agredir a fachada de um dos mais belos edifícios da nossa cidade. Sinceramente que ao olhar para tal bloco prismático até fico com a ideia de que, se colocado em rua qualquer, certamente viria a ser confundido como mais um "papelão" ou "vidrão". Teria sido estudada a hipótese da construção de um receptáculo de cartas mais digno e condizente com o prédio, por exemplo no local onde moram os apartados? Estes seriam mandados para lugar qualquer...não serão o engenho e a arte uma característica do nosso povo? Por outro lado seria um agradável e aceitável regresso ao passado onde a emblemática e badalada "pedra que diz CARTAS" retomaria o seu lugar.
Ainda com uma réstia de tempo e espaço, vou mais uma vez meter a foice em seara alheia.
E para falar sobre o elevador destinado às pessoas com dificuldades de locomoção. É certo e sabido que é dever da sociedade facultar acessos a todos os cidadãos e é verdade também que não deve existir discriminação quanto aos locais de acesso. No entanto coloco reticências sobre a frequência da utilização do elevador, perguntando-me quantas pessoas já o teriam "apanhado" para galgar aqueles três degraus. Como parece que de "arquitecto e de louco todos também teremos um pouco" aventuro se a colocação de uma rampa simples  a nascer um pouco antes [no primeiro arco por exemplo] não seria uma forma de resolver o "problema" e de minimizar a agressão ao granito.

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publicado às 18:42




  


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