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O Tempo

por neves, aj, em 29.07.04
... sempre a tempo!

O Tempo...

... por falhade melhor tema!(Acontece a todos)
Há ocasiões em que a vontade deescrever não falta, mas a mente dissipa-se. Talvez por culpa do Euro 2004.Talvez mais por "culpa" da bela carreira da Nossa Selecção que, aliado ao facto de eu estar longe me parece ainda mais grandiosa, mais gloriosa e me enche ainda maisde alegria por o nome de Portugal ser falado amiúde nos jornais e televisões brasileiros.
O Voz do Seven sabe que a vida, a escrita, não é, nem pode ser só futebol.O seu espírito luta em busca de (outro) tema, pega nesta ou naquela ideia, maso produto final mais não parece que
uma construção anárquicade frases. E assim mais não lhe resta, por o desejo ser grande e por sentir obrigaçãoperante quem o lê, que vaguear ao sabor das ondas. A verdade é que, embora ainda sem título neste preciso momento, opresente texto cresce e apesar da pobreza das frases já vai no terceiro parágrafo. É um pouco à semelhança do que nos acontece em viagem. O queinteressa é passar o tempo e então metemos conversa com o parceiro ocasional,fala-se disto, daquilo e daqueloutro... e às páginas tantas mais não nos resta quefalar do... tempo.
O tempo... pois... “nove horas da manhã e já está cá umcalor...”.
Poderia redigir  avisando-vos dos perigos da exposição prolongadaao sol nas praias de Mira ou Figueira (as mais próximas e só durante ofim-de-semana que pelos vistos a vida continua a não estar para grandes folias)e de que o protector solar fortemente anunciado na TV pela beldadeesculturalmente bronzeada é capaz de não ser o mais indicado para a delicadapele escondida durante nove meses (questiono-me constantemente e não obtenhoresposta por que raio o ser humano tem esta mania de tingir a pele de melaninadurante o período estival; será uma tentativa de regresso às origens vistoque ao que tudo indica o Homem teria aparecido no Oriente Médio ou será apenasuma questão de agradar às moçoilas ou moçoilos?).
Poderia também escrever aconselhando-vos a cumprirem as indicações dasassociações de protecção aos animais de que não devem abandonar o gatinhoou o cachorrinho durante o período de férias ou que tentem divertir-se o maisque possam nas romarias que abundam por esta altura esquecendo assim pormomentos as agruras da vida.
Pois, mas nem disso apetece falar. Nem do tempo.Talvez uma das razões é por não estarmos em sintonia climática.
É umaverdade que estamos no mesmo planeta, mas “essa coisa” da inclinação do eixo terrestreimaginário faz com que durante o movimento de translação daTerra à volta do Sol os raios solares incidam com amplitude diferente emcada um dos dois hemisférios de onde resulta que nesta altura por aí o Verãoseja rei e por aqui no Hemisfério Sul governe o Inverno. Inverno que por esteslados é bem suave, diga-se. Um autêntico paraíso se comparado com as geadasou as gélidas chuvadas beirãs a que estava habituado, mas tem dias de ventobem frio que até me fazem sentir um pouco “em casa”. Convém salientar queao contrário do que uma grande maioria pensa nem tudo são rosas por esteBrasil, por esta imensa massa territorial que se estende desde o Equador atépara além do Trópico de Capricórnio, pois até é comum nevar nas serraniasdo estado de Rio Grande do Sul, lá mais p'ra baixo do citado paralelo terrestreque curiosamente  “sobrevoa” acidade de S. Paulo.
Mas, seja Inverno ou Verão quem não pára de bailar é S.João e seus quejandos, S. António e S. Pedro. Não imaginava eu que por estasbandas estes três santos populares fossem tão festejados. É um mês de total reinação nas mais variadas regiões,cada qual com a sua forma peculiar de comemorar dependente das influênciastrazidas pelos povos migrantes. Poderão os ritmos no Nordeste serdiferentes dos do Sul e Sudeste ou mesmo da Amazónia, mas as danças em honra aos santos estão semprepresentes, assim como a fogueira e o foguetório. Merecerá especial referênciapela grandiosidade e pelo cariz popular, a festa, o auto do Bumba-meu-boi,tradição que vem do século XVIII e que tem uma relação cultural bastanteíntima com a história da escravidão. Uma das regiões onde aquela festividadeatingirá os pontos mais altos será no estado do Maranhão, que tem por capital SãoLuís, mas por todo o norte e nordeste brasileiro o Bumba-meu-boi estápresente.
Bastante enraizadas por todo o Brasil, as Festas Juninas devemo seu nome ao mês em que se realizam e a sua origem perde-se nos temposcoloniais sendo comumente objecto de estudo antropológico. Na cidade que me acolheu,o Arraiá da AssociaçãoPortuguesa de Desportos, a Lusa, é considerado dos melhores da urbe e o quemais se aproxima dos nossos arraiais. O ambiente é bem popular... cordões deluzes, bandeirinhas e balões ornamentam o recinto. É usual os participantes nestas festividades vestirem-se de caipira, termo que identifica a personagem rural, do "campo" e que eu me atrevo a assemelhar ao nosso"campónio". Assim as mulheres usamvestidos feitos de tecido que julgo ser chita e eles vestem tradicional camisa-xadrez ena cabeça o caracterizador e inconfundível chapéu. Das danças que podem ser apreciadas algumas foram novidade para mimem tais ambientes como a quadrilha que tem origem na contredance françaisee consta de diversasevoluções em pares sendo aberta pelo casal de noivos. Já nãoforam novidade o folclore apresentado pelo rancho daassociação nem as barracas de diversões e as típicas “comes ebebes” bem portuguesas com sardinha assada, bacalhau, caldo verde e vinhoportuguês.
Mas, como não há belasem senão, o manjerico não estava presente. Mesmo com a ausência doaromático ex-líbris são-joanino a imaginação ditou em quadra:
Na noite de S. João
Fuieu ao bailarico
Ela cativou meu coração
Euofereci-lhe um manjerico!


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publicado às 11:17




  


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