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Olimpíadas do Voz do Seven

por neves, aj, em 05.09.04
Com desejos de bom apetite...

Na Segunda-feira passada, 30 de Agosto,prometi-vos em ementa os Meus Olímpicos. Éverdade que tinha (quase) tudo preparado e até os ingredientes já estavam seleccionados, mas aborrecidosimponderáveis (que se poderão considerar normais tendo em conta a situaçãoem que me encontro e que já vos expliquei) determinaram que a feitura do pratofosse adiada.
Assim, quase oito dias depois, aqui estou eu nesta manhã deInverno com um sol de rachar que fará inveja a muitos dias de Estio por essemundo fora e com os olhos postos no pulsar do cursor que me aparece no ecrã docomputador parto em busco da inspiração na tentativa de dar o meu melhor no cozinhadoque idealizei e que daqui a instantes vos colocarei à mesa... porque, realmente isto daescrita é um tanto semelhante à confecção gastronómica. Com a vinda doapetite (talvez um tanto semelhante aos desejos das grávidas) idealiza-se opitéu e escolhem-se os ingredientes, quais alicerces do futuro texto.Vai-se misturando em lume brando, de preferência, e adjectivam-se assubstâncias aqui e ali evitando abusar dos condimentos, mas na verdade um textosem umas pontinhas maléficas de sal e pimenta não se podeconsiderar verdadeiramente um artigo de opinião ou, quiçá, de contestação .
Ah... jáme esquecia, prometi falar-vosdas Olimpíadas, dos recém-finados Jogos de Atenas e, como natural se torna,falar da participação portuguesa nos ditos. Mas, tal como na cozinha, durantea  confecção de algo mais sofisticado, também eu aqui estou com sériasdificuldades de levar o prato ao forno vindo a propósito dizer que parece queme meti num assado. É que pouco vi dos Jogos, leia-se da participação dosatletas portugueses, pois como devem compreender o meu tempo disponívelpassou de bastante a escasso e além disso os diversos canais detelevisão de que disponho por aqui (já expliquei que não capto aRTPinternacional) deram primazia, como é natural e intuitivo, às provas em queentravam os atletas brasileiros. Portanto não estarei muito à vontade paradesenvolver o tema e peço as minhas desculpas pela iguaria  não serservida com os devidos acompanhamentos, mas em atitude de completo desenrascançobusco ajuda no famosíssimo chef Vatel e remeto-vos para A Chama do Dragão do meu amigo Mário, que emprosa séria e elucidativa sintetiza a nossa participação em Atenas.
Mas, não se julgue que vou abandonar o barco,insisto e continuo remando contra todas as marés até atracar em bom porto.
Quanto ao Futebol, pois... não assisti àvitória sobre Marrocos, porque o jogo não foi transmitido em virtude de serDomingo e ter sido dada prioridade aos desafios do Brasileirão e mais não merestou que consolar-me com as gingas de Robinho, que parece que não ficoumuito afectado após o divórcio com seu amigo inseparável, o hoje portista Diego. Masvi... vi as duas vergonhosas derrotas da equipa que se deveria chamarSelecção Nacional Portuguesa e que quanto a mim não o foi, nem tanto pelaselecção dos atletas em si que isso é matéria que me ultrapassa, antes simpela falta de coesão, falta de raça e de disciplina dos elementos. Fazendo euquestão de ser ouvinte e defensor da juventude, por vezes dá-me cá umavontade de lhes "dar nas bentas p'ra trás" que nem imaginam. E a essegrupo excursionista que foi para Atenas chamo-lhes meninos mimados e maleducados sem dignidade para digerir derrotas e aos mais velhos, aos "acimade 23", que deveriam "tomar conta deles" nada lhes digo ou talvez lhes diga que figuras tristes fazem-se emcasa. Adiante que se faz tarde, sem deixar um alerta aos jovens que me possamler que não julguem que estou armado numa de cota, porque este problemade indisciplina nas selecções jovens já vem de longe. Torna-se imperioso actuar,pois um povo (que desembolsa os carcanhóis) não pode ficar envergonhado e malvisto com as atitudes de um qualquer grupelho de meninos da bola.

Descarregada a raiva e não me querendochatear mais, salto por cima do "silva das sapatilhas rotas" quenão conseguiu desculpa menos esfarrapada para justificar a sua inépcia emsaltar os obstáculos da prova dos três quilómetros.
Vamos à cereja, àscerejasem cima do bolo que chegam pela mão, pernas deveria eu dizer, dos nossos três heróis, SérgioPaulinho, Francis Obikwelu e Rui Silva. Realço otermo, porque não é todos os dias, leia-se Olimpíadas que um atleta consegueiçar a Bandeira Nacional Portuguesa nos degraus mais altos do Olimpo e por outro lado uma das coisas queestou a aprender (até ao final dos nossos dias sempre se vai aprendendoqualquer coisinha) é que não devemos esconder o nosso patriotismo. Exemploflagrante desta mostra de patriotismo é o que constato nesta Nação onde actualmenteresido e que venera os feitos dos seus filhos, (por vezes talvez de formaexagerada, penso eu de que...), mas isso é negócio que não me diz enão deve dizer respeito a um estranho em Pátria estranha. A talhe de foiceescrevo que já jurei a mim mesmo mandar estampar pequenas Bandeiras NacionaisPortuguesas na (meia) manga das minhas camisetas. Isso vos garanto que farei... e assim saberão que pelo Brasil, mais propriamente pelas ruas de São Paulo, alivai um "português sem vergonha de ser português" (mas isto é outrahistória, de muitas outras histórias que um dia vos contarei).
D' A Chama do Dragão roubei, assim, os medalhados

não me furtando, contudo, a eu próprio fazerpequeno álbum de fotos em homenagem simples ao bronze e às duas pratasconquistadas. Não poderia acabar esta participação portuguesa sem atribuir aMedalha de autêntico espírito olímpico à maratonista Ana Dias que na suaprimeira participação na prova teimou em chegar à linha de meta não seimportando  de ser a 62ª classificada. Gastou três horas, oito minutos eonze segundos para percorrer os quarenta e dois mil, cento e noventa e doismetros, mas não desistiu (ao contrário da consagrada Fernanda Ribeiro nos 10mil). Ainda uma palavra carinhosa para Naide Gomes, atleta que participouna difícil disciplina do Heptatlo. O resultado em Atenas da Vice-campeãeuropeia em pista coberta no Pentatlo (Viena 2002) e Campeã do Mundo (Budapeste 2004) na mesma especialidade ficou bem aquém dasexpectativas, mas nem por isso o Voz do Seven deixa de atribuir a medalha dasimpatia e da beleza a esta eclética desportista.


Ana Dias

Naide Gomes

Finalizo com um cheirinho aBrasil... e como não há tempo a perder, nem tampouco espaço nesta entrada quejá vai longa, remeto-vos para as páginas da Gazeta Esportiva onde podereissaber mais um pouco da participação dos atletas brasileiros na Olimpíada deAtenas 2004. Com naturalidade, a imprensa afirma que foi uma óptimaparticipação, mas cá para nós que ninguém nos ouve, talvez os resultadostivessem ficado um pouco aquém das expectativas ou então, essa mesma imprensa(nem sempre cautelosa) é que colocou, no início, a fasquia um pouco altademais. Não é assunto meu e o que desejo agora, neste momento, é deixar aquio meu tributo à grandiosa Daiane dos Santos. Faltam-me adjectivos para definira sua graciosidade, a sua simpatia, o seu sorriso seja em prova seja nodia-a-dia. Começando a sua carreira um pouco tarde (11 anos) foi descoberta, narua, por uma professora de Educação Física. Natural do Sul do Brasil, de um bairro pobre de Porto Alegre (Estado do Rio Grande do Sul) Daiane dos Santos não esquece e não esconde "de onde veio". Lutadora talentosa, conseguiu com perseverança vencer todos os obstáculos advindos à sua humilde condição social e à cor da sua pele. Não teme e em entrevistas denuncia o preconceito (ainda) existente. Conquistou o Brasil (primeira ginasta brasileiraa conquistar medalhas de ouro em campeonatos mundiais) e o mundo da ginástica,que em tributo à sua categoria já baptizou o salto duplo twist carpadocom o seu nome, Dos Santos. Talvez por estas e todas as outras razõesimplícitas, a pequena (1,45 metros, se não me engano) Daiane conquistou o meu apreço e, independentemente doseu resultado em Atenas (5° lugar no solo) deixo-vos com álbum defotos que de anárquico só tem a ordem em que as imagens foram colocadas.
Efalta falar da Medalha de Bronze que vale Ouro e que em operação de alquimia aorganização dos Jogos deveria mesmo transformar em ouro.

Li, já não seionde, que só mesmo um brasileiro aceitaria continuar a prova da Maratona apóssofrer autêntica placagem por desequilibrado irlandês que é ou foi padre eque tem apetência pelos locais de culto desportivo para protestar ou reivindicarnem sei o quê. Eu diria antes que, independentemente da sua nacionalidade, sóum homem com a têmpera deste atleta aceita resignadamente o que aconteceu. Ébom lembrar que Vanderlei Cordeiro de Limafoi trabalhador rural de sol a sol, alimentando-se apenas com o avio que levava de casa e que ingeria a frio (daí a designação dos"bóia fria") e certamente que essa dureza de vida contribuiu para aformação de um elevado espírito olímpico que lhe permitiu continuar a luta até ao final da prova. Pierre de Coubertin ficaria feliz. Por mais que se escreva, que se diga que o atleta estaria emquebra ou que o italiano vencedor estava em progressão nítida, a verdade éque fica sempre a ideia que a verdade desportiva foi escamoteada. Aqui fica,então, o meu protesto contra o que aconteceu e um"elevar bem alto"ao atleta que apesar de não ter ouvido os acordes do Grito doIpiranga ganhou certamente um assento ao lado de Zeus e Apolo.
Faço oremate final na (já longa, repito) crónica com um apelo a todos os jovens em busca deconsagração que coloquem os olhos neste grandioso exemplo dado por VanderleiLima que nem sequer protestou ante a injustiça de que foi alvo e entrou no estádiodo Olimpo irradiando tanta alegria como se tivesse sido o primeiro classificado,já que o verdadeiro vencedor era ele.

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publicado às 13:35




  


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