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Paraíso

por neves, aj, em 05.04.09

(nesta manhã que até nasceu bonita com temperatura bem amena, Sol radioso de Outono e sem vento, não dá para justificar a aparição de tamanha lufada crítica, mas lá reza a velha história: há razões que a própria razão desconhece)

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Nunca lá estivemos pelo Paraíso, mas acreditamos que o nascer do sol seja assim belo quanto este, despertando infindáveis desejos de uma visita.
Confrontado com tão belo quadro, pergunta-se o aguçado e curioso (cauteloso também) espírito que cada beirão transporta e solenemente cantado nos livros de Aquilino Ribeiro o que estará realmente para além dos montes, porque lá diz o Povo que não há bela sem senão e que muitas vezes as aparências iludem. E, sobretudo, que quando a esmola é grande o santo ou o pobre deve desconfiar. No entanto vai. Subido ao morro fica estarrecido, e aquele espírito arguto e desconfiado tem agora que admitir que o Inferno existe, existe camuflado atrás do Paraíso, logo ali ao lado da paradisíaca Baía de Guanabara, no meio dos carnavais e dos futebóis, enleado com o samba e vigiado por morros majestosos como o do Pão de Açúcar e do Corcovado onde no cimo deste último, curiosamente e em verdadeiro contra-senso, reina um Cristo monumental chamado de Redentor, mas que continua a não poder salvar quem quer que seja. Pergunta-se o entristecido (e temeroso) espírito beirão como é possível homens e mulheres viverem ali, em habitações precárias e no meio de constante fogo cruzado entre Polícia e marginais. Pergunta-se ainda, em completo desalento, que mundo é este oferecido às crianças obrigadas a enfrentar realidades que para as outras crianças só existem na ficção e socorrendo-se do sábio poeta popular lusitano António Aleixo (não sou esperto nem bruto/nem bem nem mal educado/sou simplesmente o produto/do meio em que fui criado) entende e compreende então o que leva muitas delas a seguir o (mau) caminho do crime, porque não acredita este espírito beirão (cada vez mais em revolta) que a violência e a agressividade vem nos genes e é sim absorvida do meio que nos cerca. De espírito em desconsolo desce aceleradamente o morro este beirão já meio arrependido de o ter subido...

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publicado às 10:38




  


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