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Zé Neves, 7 anos após

por neves, aj, em 26.07.09

PhotobucketÀ falta de ideias, meti ombros a uma reprodução da etiqueta com que meu pai assinava a obra feita. É certo que a minha obra ficou um pouco tosca, mas lá diz o povo que quem dá o que tem a mais não é obrigado e para mais, esta etiqueta, cujo original em tecido tenho aqui a meu lado, carrega consigo (e comigo) um enorme simbolismo: é que foi buscada da Alfaiataria precisamente na manhã de um dia que da parte da tarde, pelas 15 horas e picos, se transformou naquilo que uma vez chamei de data improvável de uma hora que era mais que provável. Tão improvável era para mim o dia que, com ideia de me deslocar à Casa de Repouso, estava a aparar os pêlos da barba na cadeira do barbeiro quando pessoa de estima, curiosamente com a mesma profissão de alfaiate, me deu a notícia do falecimento de meu pai. Vão lá 7 anos, o dia era precisamente este: 26 de Julho.
Nunca falei nisto publicamente, mas talvez por uma necessidade interna qualquer exteriorizo que sinceramente não me auto-recriminei por me ter atrasado, ainda por cima por um motivo tão fútil como o de tratar de uma barba desalinhada, e de não chegar antes da tal hora mais que provável que é marcada pelo relógio regressivo da doença e não pré-determinada pelo destino como defendem os crentes em um deus, este, aquele ou outro qualquer. Aconteceu, e pronto, atrasei-me ou então o relógio andou depressa demais, não sei.  No entanto, por vezes penso, ou os sonhos é que me trazem à lembrança, que eu deveria ter agido de modo diferente e que nos derradeiros momentos me deveria ter colado mais a meu pai, aliás como me tinha avisado um grande amigo para que a paz jamais me faltasse, deitar para trás a teimosia de não querer visitá-lo frequentemente na agora minha casa (e de meus irmãos) já antes herdada de meus avós maternos e de conseguir conter a revolta por me sentir impotente perante um corpo outrora forte e agora a definhar que me olhava de um modo mudo e fixo, incomodativo, duvidando eu se consciente já que ao toque de minha mão a resposta era nula (em verdade vos digo que estes critérios deveriam ser revistos se porventura a nossa passagem terrena é pré-estabelecida)... bom, não sei se vos incomodei caros amigos e amigas, mas acreditai que este escrito, embora íntimo, teve o condão de sossegar um pouco mais esta mente sempre em constante ebulição que nem a idade acalma e quando assim é não vejo obstáculo algum em que seja publicado.

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publicado às 11:06




  


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