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Autárquicas 2009, Sta Comba Dão

por neves, aj, em 06.10.09

Nada fácil escrever acerca das eleições na ditosa Santa Comba Dão. No entanto, aqui neste texto revelamos uma visão um pouco diferente da habitual, uma visão que parece que nós próprios desconhecíamos dentro de nós. Talvez por culpa do avançar da idade ou da montanha atlântica que nos separa, admitimos, mas também muito por culpa das guerrilhas partidárias que vamos lendo e que já nada nos dizem, aliás já nos cheiram mal. Talvez ainda porque cansámos ou então, o mais provável, por vermos agora a terra-Mãe segundo um outro prisma, de querer vê-la livre de polémicas e de querer o seu nome espalhado pelo que tem de bom e possa oferecer.
PhotobucketNão partimos para o apoio descarado, não porque temamos algo ou que estejamos em cima do muro à espera de cair para o lado vencedor como é prática dos oportunistas: reparai que estamos bem longe para nos encostarmos e, verdade seja dita, que se nunca nos encostámos também não vai ser agora. Preferimos só e apenas falar sobre aquilo que vamos encontrando pela web e apenas dar um ou outro remoque, sempre levezinho sem peso algum, porque se nos metemos em algo mais directo terão logo a tentação de nos acusarem de estar a meter o bedelho sem conhecermos a realidade actual. E é um facto que não conhecemos, toda a gente sabe e temos que admiti-lo. Por mais que tentemos acompanhar o que se passa, a verdade é que já lá vão 7 anos sem pisamos solo materno. Não vemos nem ouvimos e já muita água passou sob as pontes. Ademais nem votamos. Claro que temos o "nosso candidato", mas apenas podemos torcer, como por aqui se diz. Afinal longas amizades que vêm já desde criança em rua que pautou sempre pela boa vizinhança, não podem ser deitadas borda fora. E acreditamos nele e no futuro que quer oferecer a Santa Comba, porque é honesto e capaz, e temos a certeza que soube rodear-se de uma boa equipa já que Presidência é, deve ser, um trabalho colectivo. No entanto que todos os outros não interpretem mal as nossas palavras, já que não vamos deixar de acreditar no seu valor e nas suas (boas) intenções e jamais colocaríamos as suas honestidades em causa.
Mas, e doa a quem doer, o que na verdade gostaríamos de ver na nossa terra era mais diálogo em prol de Santa Comba e não as citadas guerrilhas que costumamos ler no Defesa da Beira, semanário que teima em chegar cá por obra e graça de um amigo amigalhaço que até adquiriu um "scanner" mais moderno para nos satisfazer o capricho de saber coisas e loisas da nossa terra-Mãe. É um paradoxo. Em tempos de altas tecnologias, em que criar um espaço na web, um simples blogue, é brincadeira de crianças e mais fácil e menos demorado que estar a comentar as últimas do burgo à mesa de café, nada expira para além das muralhas. Parece que Santa Comba Dão está fechada em si mesma. Ah, existe o portal da Câmara Municipal. É, mas, "tá na cara" que não se vai auto-criticar. Nem o prometido fórum foi criado e pomos dúvidas se as fotos de divulgação das nossas belezas já estão no ar [nunca mais lá fomos ver, cansámos].
O diálogo. Sabemos que não é fácil esse diálogo quando os gestos autárquicos têm de ter cunho político. Por determinação superior, talvez. Afinal umas eleições autárquicas podem ser barómetro. Lembremo-nos que foi após umas autárquicas que Guterres caiu. Depois a "distribuição do eleitorado" ainda dificulta mais essa troca de ideias já que, regra geral, quem ganha a Câmara, ganha também a Assembleia. A agravar a situação vem o famigerado "quatro três": o Zé Povinho deposita o voto e no final da contagem, regra geral, a lista vencedora fica com o presidente e mais três vereadores, dos quais dois com emprego, e os três derrotados (entre eles o ex-candidato a Presidente, se calhar) passam a ser uns pequenos peões que nas reuniões lutam como D. Quixote e só terão direito a algumas migalhas se a maioria estiver empanturrada. É como que "uma ditadura democrática", as ideias são impostas e admitidas porque são voz de uma maioria. Quero, posso e mando em democracia. Casos como o do "largo da praça", que temos atravessado na garganta, seria perfeitamente evitável se houvesse diálogo consensual (e bom senso) e menos política. Até parece que se governa apenas para alguns. Não se mediram bem as consequências. Talvez o eleitorado responda agora, quem sabe. Este seria um dos casos em que o Povo deveria ser (novamente) ouvido. Voto do Povo não pode ser cheque em branco. E tem sido. Confiamos nos eleitos, damos-lhes carta branca e vai daí fazem uma atrocidade que nos faz roer as entranhas porque afinal nós próprios, os eleitores, é que somos os verdadeiros culpados: votámos neles. Dizem-nos que isso do Povo continuar a participar na gestão de uma localidade é que é a "democracia participativa", ou lá que outro nome tenha, mas não sabemos se ela já é posta em prática. Deve ainda andar pelo papel. É dado ao Povo, mas o Povo não tem.

CANDIDATOS (cabeças de lista)

  Câmara Municipal Assembleia Municipal
BLOCO DE ESQUERDA Ricardo Silva Clara Alexandre
PARTIDO POPULAR António Almeida Soraia Nunes
COLIGAÇÃO DEMOCRÁTICA UNITÁRIA Alberto Andrade Bernardino Gonçalves
PARTIDO SOCIAL-DEMOCRÁTICO João Lourenço Salvador Massano Cardoso
PARTIDO SOCIALISTA Leonel Gouveia João Boto Martins

clicar em cada um dos símbolos para aceder ao respectivo portal/blogue

Somos ainda levados a acreditar que muitas das vezes os membros da lista derrotada, mas eleitos vereadores, desanimam substancialmente ao constatar que estão lutando ingloriamente e talvez assim se explique que nem sempre acatem as decisões do Povo no sufrágio e alguns preferem nem tomar posse. Quem sabe se um 3-1-3 muito bem afinado, com o "homem" da charneira a ser mais santacombadense e menos político, não seria mais benéfico para a cidade. Não nos venham dizer de que nestas circunstâncias é mais difícil levar adiante as ideias ou projectos, porque Sócrates não tem maioria absoluta e o país não vai parar. Obrigaria era a mais diálogo e negociação. Talvez menos presunção. Afinal, essa coisa de "apenas maioria relativa" é de certeza o melhor para Portugal já que era o desejo badalado da oposição ao governo e acreditamos que a intenção não era "botar abaixo" por simples capricho. Ou era? Talvez, então, também deva ser a opção para as Câmaras. Pelo menos para algumas. Quem sabe? Queiram ou não, chamem-nos loucos ou não, o que nenhuma mente democrática pode contrariar é que quantas mais vozes em discordância se sentarem à mesa, mais luz se pode fazer, desde que, atente-se bem, aquelas vozes tenham por objectivo único o progresso da terra e o bem estar das pessoas que acreditaram nelas, votando.

P.S. (de post-scriptum, atente-se) - Em rescaldo do que escrevemos e depois de ler e reler, somos obrigados a admitir que se estivéssemos fisicamente na santa terrinha certamente não pensaríamos desta forma. Admitimos que seríamos mais coerentes, sim coerentes porque aqui entrámos com contradições, e inevitavelmente seríamos mais partidários, o que não mais queremos ser, e até colocaríamos ao peito, mui provavelmente, o autocolante (adesivo por aqui), mas talvez por culpa da imensidão atlântica de que falámos ou da idade, ou porque cansámos, o que desejamos agora é deixar de ler e ouvir coisas ruins e ataques, antes obra feita, não por A ou B mas obra feita harmoniosamente por todos os santacombadenses, obviamente por intermédio dos seus legais representantes, os eleitos.

Lembramos que Domingo, 11 de Outubro, em votação que decorrerá das 7 às 19 horas, serão eleitos 7 membros para a Câmara Municipal e 30 para a Assembleia Municipal, sendo que 21 destes últimos são eleitos directmente e os outros 9 ocuparão o lugar por inerência do cargo de Presidente da respectiva Junta de Freguesia.

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publicado às 17:12




  


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