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Angústia

por neves, aj, em 26.11.09

Sinto-me angustiado, preocupado. Jamais imaginei que iria "sofrer" com as últimas de um cão, da minha Piruças 4patas. Ontem não escrevi nada, não coloquei sequer umas fotos que tinha escolhido. Porque não tive tempo. Primeiro, de manhã, tive que ir ao Posto de Saúde para pedir uma receita ao médico da minha Maria. Fizeram-se mal as contas e as cartelas de comprimidos que temos em casa não chegam até à  próxima visita ao doutor. Por norma tem que se marcar consulta. Não consegui. Só para o turno da tarde. Tive que lá voltar e então fui o 19º (por encaixe). Dali fui fazer a troca de uma lâmpada ao supermercado perto do PS. De manhã tinha aproveitado lá ir às compras e a citada lâmpada que tinha adquirido não se encaixava com a outra que já faz parte do candeeiro da sala. Afinal tive que ficar com a mesma porque não havia o mesmo modelo. Pormenor de somenos importância já que a diferença é mínima e os berloques do candeeiro disfarçam. Ademais como não recebemos visitas ninguém vai reparar. Só nós, nós os três, os dois humanos, de duas patas e a nossa Piruças 4patas. Que vejo mal de saúde, cada vez pior. Talvez por isso é que neste momento quando são exactamente 3:34 horas da manhã é que estou aqui a carregar nas teclas vigiando o seu sono. Agora menos agitado. Ontem à noite, por volta das dez ou onze horas notei que havia algo diferente com o animal: não se sustinha nas patas. "Chorava", como diz a minha Maria, gemia, digo eu, porque para mim os cães não choram. Entretanto enquanto escrevo vou trabalhando as tais fotos. Faço as duas coisas ao mesmo tempo. Bom, ao mesmo não, mas escrevo uma linhas numa página e viajo às outras. Inconstância provocada por falta de concentração. Por culpa do medo que me apoquenta, medo do desenlace que sei que vai acontecer mas que não queria que acontecesse. Não imaginava eu que os cachorros carregavam também uma cruz. Por um lado acredito que o animal não está a sofrer em dor, mas aperceber-se que perdeu a vista e que agora lhe faltam forças para se pôr em pé deve ser notado mesmo pela mais irracional das mentes. Quando concluo uma frase olho com receio para ela, para a minha Piruças, porque temo não a ver respirar. Está aqui à minha esquerda deitada de lado como criança e com os quartos traseiros tapados (por mim) com uma pequena manta fresquinha. Vi-a a tremer. Talvez eu querendo convencer-me que treme devido a frio apesar do calor que eu sinto mesmo com o circulador de ar ligado embora na velocidade mínima para não acordar a vizinhança. A propósito, ontem, depois de passar pelo supermercado para fazer a troca que não fiz, fui às Casas Bahia. Lembram-se de vos ter falado da rachadura? É, armaram-se em filete e não queriam fazer a troca nas devidas condições. Aliás, a Loja Virtual (onde comprei) sim, só que a Loja Física, não. Na Quinta-feira passada, vejam o desplante, veio cá um funcionário para levar o aparelho "rachado" para depois trazer o novo.Tá bem, Alberto. Daqui não sai aparelho nenhum enquanto não vier o novo. Em conversa com a Loja Virtual abdiquei da troca. Disse-lhes que queria ficar com a rachadura para me lembrar ad aeternum das Casas Bahia. Joguei com as palavras para lhes fazer ver que não me iria esquecer de lhes fazer publicidade. Não senhor António, o senhor não pode ficar com um produto danificado. Faça favor de ir à Loja Física porque houve um mal entendido. Como o mais fervoroso dos fundamentalistas disse: não vou e não vou. Voltou à carga: mas, senhor... Atalhei logo, ó amigo, se o senhor nunca tinha ouvido falar da casmurrice de um beirão, hoje conheceu. Não vou à loja, não sou funcionário das Casas Bahia. Já lá fui uma vez. Vocês erraram de novo. Vocês já lá têm os duzentos palhaços (foi pago por parcelamento com cartão de crédito) como tal cumpram a vossa parte. E abdiquei do novo, afinal a rachadura não incomoda nada, o aparelho trabalha na perfeição. Curiosamente enquanto ontem andava por lá pela cidade, o gerente da Loja Física telefonou cá para casa. A solicitar para eu lá ir. Que "necessitava" de resolver a situação. Raios, quando a esmola é grande... Bom, mas como nem de amuos nem de arrelias deve viver um homem retornei o contacto e ficou combinado eu passar por lá, talvez pelas duas, duas e meia da tarde. Eram 14:20, estava lá. Diz o meu amigo Domingos que amarelei (expressei que neste contexto significará  que "me cortei", que não mantive a minha opinião, por medo ou retaliações), mas não. Ficou acordado que hoje Quinta-feira da parte da tarde tenho cá um novo aparelho. Mas tem que ser modelo na cor preta, senhor António. Cá para mim... ó homem até combina melhor com os cortinados, contra-ataquei (quero lá saber que seja preto, branco ou amarelo). Na nota que me entregou fez questão de dizer que até é fazedor de vento mais caro, mas como não tem modelo excatamente igual ao fracturado em rachadura não se fala em preços. Ok, disse eu. Cá para mim é igual ao litro. Tomei a iniciativa de lhe estender a mão. Espero que seja a última vez que nos vejamos. Quando, finalmente, estava pronto para retornar a casa eis que me surge um problema. Grave. Mal podia caminhar. Lembrei-me daquela anedota ou piada dos dois estudantes de medicina que ao depararem-se com um transeunte com dificuldades em se locomover fizeram as suas apostas: problema de coluna, problema de pernas. Qual quê, o homem andava com diarreia profusa e tinha sido surpreendido. Assim parecia que estava eu: todo borrado. Mas não, estava é "assado". Fui à Farmácia mais próxima. A menina parece que sorriu de gozo. Devia ter adivinhado que não era para bebé algum. No bar da esquina pedi um café-de-saco (não tinha expresso) e perguntei pelo banheiro. Fiquei mais aliviado quando coloquei a pomada. Reparei então num artístico cartaz: deixe o banheiro limpo. Limpo? Não sou eu que vou limpar tamanha imundice. Desplante. Ainda esperei mais de meia-hora até que chegase o Terminal Lapa que me traria a casa. Quase quatro horas da tarde. Horas do meu almoço, tardio, mas riquíssimo: umas costelinhas de porco compradas de manhã no supermecado no mesmo onde comprei a lâmpada estavam à espera de ser grelhadas. Estou com sono, são 04:25 horas. Tenho que dormir porque amanhã tenho que sair novamente. Caminhar. Ai, ai, tormento. Estou cá a pensar se faço como o Miguel Esteves Cardoso disse numa entrevista dada há muito: não vestir cuecas e ir com umas calças leves. Entretanto pode ser que a "assadura" melhore. Ainda no entretanto fiquei sem ligação com o mundo. Não posso colocar agora no Voz tudo isto que escrevi assim meio "às três pancadas". Não vou fazer parágrafos porque não me apetece. A minha preocupação é outra: tenho medo, repito, de a minha Piruças partir, aliás de não voltar. Porque eu até sei que a ligação com o mundo volta sempre, só da morte é que nunca mais se volta. Bolas para a vida, para a morte também. Aguenta-te Piruças que eu vou passar pelas brasas. São 06:28 horas e voltei. Já tenho ligação à internet. Já estou ligado com o mundo. Com a minha Piruças também, apesar de não ter acordado está comigo ainda: a fina e leve coberta eleva-se e baixa em ciclos respiratórios pausados e ritmados. Ave Piruças.

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publicado às 06:50




  


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