À la minute
Bom, verdade seja dita que coze mais rápido que as famosas fotos à la minute, e a grande vantagem é que com a "webcam" a imagem fica logo prontinha a ser servida. Dei-lhe só um toque de claridade mas nota-se mesmo que fotografia não é a minha praia. Dá para ver que nestes 8 anos de ausência do colo materno não mudei muito, excepto o acrescento de marcas das vergastadas dos Novembros que vão passando, que se ficam [mais] pelas físicas já que quanto a ideias elas não se alteraram substancialmente sendo de realçar que o sentido continua o mesmo, e se o modo de pensar de uma alma se pode comparar com a disposição dos craques de uma equipa de futebol [já que estamos em maré de Copa], diria então que me sinto melhor numa determinada ponta ou extrema, o que leva a congratular-me sobremaneira por o famoso conservadorismo da idade ainda não ter feito a sua aparição. Quanto à maneira de pensar, de agir melhor dizendo, também mudou, mas não exactamente do modo que alguns desejariam, essa forma que até exteriorizam e esta rede das redes me vai dizendo. A coscuvilhice ainda reina por terras do Dão e seria bom que as [falsas] preocupações pela minha pessoa deixassem de existir. Não se sabe o dia de amanhã, mas sempre vou dizendo que o que na altura for vontade tentar-se-á fazer tanto que creio que o meu lugar ainda não foi ocupado [não propriamente na ditosa Santa Comba Dão] e sempre ouvi dizer que cabe sempre mais um, isto apesar dos neurónios de muito boa gente terem perdido a forma solidária e tolerante de agir, de terem esquecido o passado épico lusitano na conquista de outros mundos [mas também invasor, note-se] e se tenham tornado obtusos desprovidos até das doutrinas religiosas que professam e esquecendo ainda que somos [quase] tantos fora como em casa, passe o exagero. Não me preocupo por enquanto, na altura tenho quase a certeza que terei discernimento para os domar.
Continuando com as mudanças.
É verdade que no peito me surgiu um crescendo de patriotismo [que todos temos mas que anda adormecido] devido ao Atlântico, acho eu, mas ao qual agradeço por o ter feito saltado cá para fora porque assim deixei de ser sadomasoquista no que toca a questões lusitanas e sei apreciar o que de bom tem o pequeno Portugal, sem contudo ser carneiro em fila de maria vai com as outras na questão dos problemas nacionais. De vez em quando surge-me também um desejo enorme de voar [de ir mas voltar, por enquanto], aqui devido, talvez, às favas, ao presunto, à broa e ao Dão e tantos outros manjares que por notória falta de espaço não podem aqui ser mencionados. Sobre os amigos e minha filha não me pronuncio porque estou a escrever para gente inteligente e palavras demasiado óbvias são desnecessárias.
Sabeis uma coisa? Não sei pro que me deu pra me expor desta maneira. Talvez por culpa desse portal de relacionamento que anda na moda, o facebook, tão porreiro quão "perigoso" nomeadamente para a malta jovem que ainda tem muitos anos pela frente. E atenção que não me refiro às "preocupações" constantes dos adultos em "saber o que o filho vê na internet", antes sim às preocupações que os jovens têm que ter com os adultos donos deste mundo mundano que através deste e de muitos outros portais passaram a espiá-los e a saber todos os seus dados que eles inocentemente lá vão colocando. É, não tenhais dúvidas meus caros, que somos vigiados. Os mais velhos terão menos receio, tanto que menos Janeiros irão viver, e muitos estão a borrifar-se que o Big Brother saiba as suas preferências ou o número de sapatos que usa. Talvez por me estar a marimbar é que coloquei a foto lá no facebook acompanhada da seguinte legenda: Pode ter aspecto de "procurado", mas vive em paz consigo mesmo e com o mundo! De alguns amigos recebi "gosto" [o "não gosto" não existe para marcar só para desmarcar o gosto] e um ou outro comentário. Um deles diz que sou parecido com o meu irmão, este que vive uns quilómetros mais acima do local onde resido. É, até concordei e respondi que a parecença é bem notória e que ficaria mais acentuada se eventualmente ele deixasse crescer a barba. Porque esta, meus caros amigos e amigas, esta barba que até está em embranquecimento charmoso [a barba note-se bem, não propriamente a minha pessoa] e já leva, no mínimo, uns 15 anos de sementeira, não vai abaixo, não, quero ver se a mantenho por mais uns anos, não sei quantos, uns bons anos, não muitos nem poucos, vividos sim, em suma aguentá-la no rosto até quando o coração entender!


