"não é uma mera sobreira, mas, sim, aquela que reside no mais belo dos meus espaços preferidos, o Outeirinho, onde cresci"
... claro que a Sobreira vai grafada com inicial maiúscula porque é uma companheira com quem convivi durante muitos anos, décadas. Simpática e bela, conheci-a quase sempre vestida de cortiça, contudo também nua de tronco, de nove em nove anos, esclareça-se, em nudez que de início se revela em tons avermelhados como carne e que depois vai escurecendo como se peças de vestuário vá vestindo.
Ofereceu-me toneladas de companhia ao longo da sua vida que não sei a idade, mas que desejo ainda mui longa, para além de sombra, muita sombra, montões de sombra e também, claro, quilolitros de ar fresco por agitação das suas folhas verdes em resposta a lufada de vento passante, tornando muito mais agradáveis os momentos em que lia livro ou jornal ou simplesmente apreciava a paisagem sentado num dos bancos de granito sob a sua copa, contudo a outros teria oferecido muito mais, cobertura silenciosa de inúmeras falas e carinhos, beijocas e promessas de amor muitas delas que não teriam passado disso mesmo, de promessas.
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A foto encontrei-a por aí, não vou dizer onde porque foi surrupianço de local que não me fica bem tornar público, e é relativamente recente, creio que de 2009 ao contrário desta com chancela de 2002, o ano em que transpus o Atlântico, e que foi por mim captada porque me preocupei em trazer, tal como o pedaço de granito ou o punhado de terra do quintal, alguns desses pedaços [o das raízes ou origens] que impedem que um homem se despedace quando faz contas à vida.