Pedra Filosofal
... eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento... são versos da Pedra Filosofal in Movimento Perpétuo [1956] do poeta António Gedeão, pseudónimo do Prof. Rómulo de Carvalho, nome que aprendemos a conhecer como autor de livros escolares onde decorávamos as leis da Física bem antes, muito antes, de descobrirmos que o professor para além de ser uma sumidade na matéria das Ciências Fisico-Químicas era também autor de belos poemas como a Pedra Filosofal que nos inspirou a iniciar a entrada e do qual damos um cheirinho, mas outros mais, como Lágrima de Preta [uma ode físico-química de sais bases e ácidos à igualdade racial], embora aqui a sua veia poética estivesse envolvida por capa com outra denominação.
Com a publicação da presente foto [que faz parte de notícia que gira à volta do antigo Liceu de Viseu e que é mais uma "transcrição" sem autorização do autor de Letras e Conteúdos] até parece que dessintonizámos [principalmente na óptica dos desconhecedores e/ou desavisados] mas esclareça-se que a citada apresenta-nos personagem ao centro [vestida em tons vermelho] que está relacionada com a Pedra Filosofal de António Gedeão [aqui soberbamente cantada por Manuel Freire], melhor dizendo intrinsecamente ligada a Rómulo de Carvalho, já que ambos ministraram aulas de Físico-Químicas. É certo que a diferentes níveis e a criaturas com idades e talvez visões ou aberturas mentais diferentes [fruto do Portugal desigual de antanho], mas a verdade é que de ambos se ouviram ensinamentos que perduram para toda a vida.
Nunca nos cruzámos com o prof. Rómulo de Carvalho, diga-se, mas de Rui Santos, nosso professor quando ainda nem tínhamos perfeito a dezena e meia de aniversários, ouvimos e guardámos bastante, o princípio da Hidrostática, de certeza, as leis das alavancas e as fórmulas da intensidade, diferença de potencial e resistência da corrente eléctrica, também, e sobretudo aquela célebre lei que curiosamente esquecemos a denominação mas cujo conteúdo lembramos perfeitamente porque nos atrevemos a "discordar" já que no livro as palavras eram outras: "risca e põe como eu digo", foi a resposta do mestre "mansamente amparado" à enorme cana-da-índia que não tinha outra qualquer utilidade que não a citada e servir como apontador ao quadro, porque moca de cacetada jamais.
Respeitosamente, um abraço ao prof. Rui Santos.

